Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Tratamento cirúrgico da hidrocefalia

FIGURA 1-16

 

Tratamento cirúrgico da hidrocefalia O tratamento da hidrocefalia depende da etiologia e de fatores, como idade,

comorbidades e anatomia do paciente. Quando a condição é secundária a

tumor ou cisto que bloqueia as vias de saída do fluxo de LCR, pode ser

suficiente a remoção do tumor ou fenestração do cisto. Todavia, a maioria

dos pacientes com hidrocefalia comunicante ou obstrutiva requer o

procedimento de derivação do LCR para compensar a absorção prejudicada

ou o bloqueio. Procedimentos bem-sucedidos de derivação do LCR podem

deter a progressiva dilatação ventricular e a elevação da pressão

intracraniana, e geralmente levam à melhora da função neurológica. A

derivação de LCR pode ser obtida com procedimentos endoscópicos, que

desviam uma obstrução, pela inserção de uma via secundária para deslocar

o LCR para um local alternativo para absorção na corrente sanguínea.

A hidrocefalia transitória pode ser tratada temporariamente com

ventriculostomia externa ou dreno lombar. Esses sistemas temporários de

drenagem permitem o monitoramento constante de quantidade e caráter da

drenagem do LCR, o que pode ser bastante útil em pacientes com um

exame neurológico limitado. No caso de hidrocefalia obstrutiva, a derivação

do LCR deve ocorrer acima do bloqueio. Em bebês pré-termo, o tratamento

temporário da hidrocefalia sintomática é alcançado com derivação

ventriculossubgaleal, que drena o LCR para dentro de uma bolsa subgaleal

ou para dentro de um dispositivo de acesso ventricular que possui um

reservatório para remover o LCR. Depois que o bebê atingir um tamanho

adequado, é realizado um procedimento mais permanente de derivação de

LCR, se necessário.

Procedimentos endoscópicos para derivação do LCR incluem

ventriculostomia endoscópica do terceiro ventrículo (VET), fenestração de

cisto, coagulação do plexo coroide e outros procedimentos. O sucesso

desses procedimentos depende de muitos fatores, incluindo a seleção do

paciente e detalhes anatômicos específicos. O benefício primário dos

procedimentos endoscópicos é evitar o implante dos componentes de

derivação que posteriormente possam funcionar mal, tornar-se infectados

ou induzir sua dependência. Os procedimentos endoscópicos para derivação

de LCR podem apresentar falha tardia, e todos os pacientes após os

procedimentos endoscópicos continuam a necessitar de supervisão

neurocirúrgica crônica da mesma forma que os pacientes com componentes

de derivação.

O sistema de derivação mais usado é o ventriculoperitoneal com válvula.

Seus componentes são fabricados com o material Silastic, e alguns são

impregnados com antibióticos para diminuir o risco de infecção. A ponta do

cateter ventricular é direcionada para o corno frontal de um ventrículo

lateral a partir de uma trajetória frontal ou parietoccipital. Quando o cateter

sai do crânio no espaço subcutâneo, ele está conectado a uma válvula.

Alguns cirurgiões usam um reservatório interposto. O objetivo da válvula é

minimizar a excessiva drenagem e subsequente colapso do sistema

ventricular e a formação de hematomas subdurais potencialmente fatais.

Vários tipos de válvulas têm sido projetados; nenhuma entretanto provou

ser superior em um estudo multicêntrico bem planejado. A tubulação da

derivação pode conter uma válvula na ponta distal. A tubulação de

derivação distal subcutânea é inserida na cavidade peritoneal, onde o

peritônio absorve o LCR de volta às veias sistêmicas. Uma tubulação

adequada é colocada em bebês para diminuir a chance de ser necessário um

procedimento de alongamento. Os locais alternativos de tubulação distal

incluem o átrio direito ou a cavidade pleural. São utilizadas derivações

lomboperitoneais em pacientes selecionados. Ocasionalmente, é necessário

obter LCR de um paciente com uma derivação ou injetar antibióticos ou

quimioterapia dentro do sistema ventricular e não via punção lombar.

Raramente, pode-se também injetar material de contraste para identificar

loculações dentro da cavidade ventricular. Qualquer manipulação de uma

derivação por um não neurocirurgião só deve ser realizada em colaboração

direta com um neurocirurgião.

O sucesso a longo prazo de um procedimento de derivação do LCR

depende da permeabilidade continuada do shunt ou da abertura

endoscópica. A falha de uma fenestração endoscópica pode levar aos

mesmos sintomas e sinais de declínio neurológico, como uma falha da

derivação. Depois de receber o implante, os pacientes que anteriormente

tenham absorvido uma porção de seu LCR podem se tornar completamente

dependentes dele para desviar o LCR. A apresentação clínica de um

paciente com falha de derivação do LCR pode ou não simular os sintomas

do momento inicial do diagnóstico de hidrocefalia e tratamento inicial. Os

sintomas e sinais de falha e o período de doença podem depender do tipo de

falha, etiologia da hidrocefalia e idade do paciente. A causa mais comum de

mau funcionamento de uma derivação é a oclusão do cateter proximal. Muitos pacientes com essa falha apresentarão recorrência de

ventriculomegalia. É importante notar que 10% a 20% das crianças que se

apresentam com mau funcionamento do desvio não mostrarão alteração

aparente do tamanho ventricular, em comparação com um estudo de

imagens basais.