Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Tumores Metastáticos para o Encéfalo
FIGURA 12-6
Tumores Metastáticos para o Encéfalo A metástase para o encéfalo constitui o tipo mais comum de neoplasia
intracraniana em adultos. A incidência parece estar aumentando
secundariamente ao melhor controle de doença sistêmica e melhoria das
técnicas de imagem. Em adultos, os tumores primários mais comuns com
disseminação para o encéfalo incluem carcinomas do pulmão e mamas e
melanoma. Carcinoma renal e tumores pélvicos/abdominais também se
disseminam com frequência para o encéfalo. Metástases para o encéfalo
ocorrem apenas raramente em crianças, sendo que sarcomas e
neuroblastomas representam a fonte primária mais comum. Tipicamente, os
pacientes têm um diagnóstico conhecido de câncer antes do
desenvolvimento dos sintomas neurológicos, embora ocasionalmente a
metástase para o encéfalo possa ser a primeira manifestação da
malignidade.
Três mecanismos foram descritos para o desenvolvimento de metástases.
Para lesões parenquimatosas, o mais comum é a disseminação
hematogênica. Lesões metastáticas geralmente são encontradas na junção
entre substâncias cinzenta e branca. A metástase também pode ocorrer por
extensão local de um tumor primário, como no câncer de cabeça e pescoço,
e por fluidos corporais, como o LCR.
Manifestações Clínicas
Pacientes com metástases encefálicas podem apresentar uma variedade de
aspectos clínicos. Portanto, qualquer paciente com uma história de câncer
que desenvolver novos sintomas neurológicos justifica um exame
cuidadoso. Aproximadamente metade dos pacientes apresentará dores de
cabeça com frequência crescente quando múltiplas lesões ou lesões na fossa
posterior estiverem presentes. Outros sintomas comuns incluem fraqueza
focal e alterações do estado mental. Até um quinto dos pacientes
apresentará convulsões. AVEs também podem ocorrer no contexto de
metástase. Isso pode ser decorrente da hipercoagulabilidade geral,
perturbação do fluxo arterial, embolização do tumor ou hemorragia em uma
lesão. Melanoma, carcinoma de células renais, câncer da tireoide e
coriocarcinoma têm propensão para o sangramento.
Estudos Diagnósticos Ressonância magnética (RM) contrastada é preferível para o diagnóstico de
metástases encefálicas porque é mais sensível para detectar lesões e para
diferenciar lesões metastáticas de outras anormalidades do sistema nervoso
central. Metástases encefálicas parenquimatosas tendem a ser circunscritas,
com grandes quantidades de edema vasogênico vizinho em relação ao
tamanho da lesão. A presença de múltiplas lesões e a localização da junção
entre a substância cinzenta e a branca favorece adicionalmente o
diagnóstico de metástase. Uma vez que lesões metastáticas também podem
se disseminar pelo LCR, o exame do LCR pode ser necessário em alguns
pacientes para avaliar a presença do envolvimento de leptomeninges.
Finalmente, se ainda houver dúvida sobre o diagnóstico de metástase, uma
biópsia deve ser realizada para confirmação.
Tratamento
O plano de tratamento para pacientes com metástases encefálicas depende
de seu prognóstico, que é baseado no índice de desempenho, extensão de
doença extracraniana, idade e diagnóstico primário. Em pacientes com um
prognóstico favorável, o tratamento é voltado para a erradicação ou controle
das metástases encefálicas. Isso envolve ressecção cirúrgica combinada
com radioterapia para eliminar células cancerosas residuais. Estudos
randomizados mostram que a adição de radiação total do encéfalo (RTC) à
cirurgia reduz taxa de recorrência, mas não melhora a sobrevida geral. Em
alguns casos, a cirurgia não é uma opção razoável, portanto, a radiocirurgia
estereotáxica (RCE) é considerada. A combinação de RTC com RCE parece
melhorar a sobrevida livre de progressão, mas não afeta a sobrevida geral.
Em pacientes considerados de prognóstico reservado, o tratamento enfoca o
controle dos sintomas e manutenção da função neurológica. Nestes casos,
RTC é preferível para melhorar déficits neurológicos e prevenir
deterioração adicional. Nos dois grupos de pacientes, corticosteroides
geralmente são usados para controlar os sintomas decorrentes do efeito de
massa e do edema.