Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Apresentação da Enxaqueca

FIGURA 13-3

 

Apresentação da Enxaqueca A enxaqueca é um distúrbio muito comum, com uma prevalência em 1 ano

de mais de 18% em mulheres e quase 7% dos homens nos Estados Unidos.

É mais comum na terceira e quarta décadas de vida, embora possa ocorrer

em qualquer momento, do início da infância em diante. A enxaqueca é

dividida em dois tipos com base na presença ou ausência de sintomas

neurológicos transitórios referidos como aura. A enxaqueca sem aura

(antigamente referida como enxaqueca comum) é mais comum que a

enxaqueca com aura (antigamente referida como enxaqueca clássica) e

representa cerca de três quartos dos pacientes de enxaqueca. Tanto a

enxaqueca com aura quanto a enxaqueca sem aura ocorrem de forma

episódica (menos de 15 dias de cefaleia por mês) ou de forma crônica (≥ 15

dias de cefaleia/mês). No decorrer da vida, um paciente com enxaqueca

pode alternar entre as formas crônica e episódica. Os fatores que

determinam a suscetibilidade ao desenvolvimento da forma crônica de

enxaqueca são pouco compreendidos.

Embora a dor de cabeça seja o aspecto mais debilitante da enxaqueca, um

ataque de enxaqueca pode se desenvolver através de uma série de quatro

fases: (1) pródromo, (2) aura (quando presente), (3) cefaleia e (4)

pósdromo. Nem todos os indivíduos apresentam todas as fases. O pródromo

ocorre em até 60% dos pacientes de enxaqueca e consiste em sintomas

vegetativos ou afetivos vagos que prenunciam o início do ataque. Estes

sintomas podem incluir desejos por alimentos, obstipação, rigidez do

pescoço, aumento da frequência de bocejos, irritabilidade, euforia ou

depressão. Com a resolução do pródromo, a aura (quando presente) em

geral ocorre imediatamente antes ou durante os minutos iniciais da cefaleia.

A cefaleia da enxaqueca geralmente (mas nem sempre) é unilateral. Na

verdade, o termo enxaqueca é derivado da palavra grega antiga,

hemikranos, que significa “metade da cabeça.” Uma cefaleia de enxaqueca

tende a apresentar uma qualidade latejante ou pulsátil que às vezes é

sobreposta a uma sensação de pressão constante. Conforme a gravidade do

ataque aumenta no decorrer de uma a várias horas, os pacientes podem

apresentar náuseas e algumas vezes vômitos. A maioria dos indivíduos

relata sensibilidade anormal à luz (fotofobia) e/ou ao som (fonofobia)

durante os ataques. Os indivíduos também podem relatar alodínia cutânea

na face ou couro cabeludo do mesmo lado da cefaleia. Alodínia é uma

sensibilidade ou hipersensibilidade no contexto de que mesmo um leve toque pode ser percebido como doloroso. Em adultos, uma cefaleia de

enxaqueca não tratada atingirá um nível de dor de intensidade pelo menos

moderada, que pode persistir de 4 horas a 3 dias. Muitos ataques resolvem

com o sono que pode ocorrer como parte do curso natural do ataque de

enxaqueca ou como resultado do tratamento da cefaleia com medicações

sedativas.

Quando a cefaleia está cedendo, muitos pacientes apresentam uma fase

pós-droma em que se sentem esgotados ou exaustos, embora alguns relatem

uma sensação de discreta elação ou euforia. Durante a fase pós-droma, um

movimento súbito da cabeça pode causar dor temporária no local da

pulsação recentemente resolvida da cefaleia.

Os fatores precipitantes (gatilhos) citados com frequência para cefaleia

da enxaqueca incluem estresse, jejum, perturbações do sono, alterações

climáticas, luz brilhante ou ofuscamento, ingestão de álcool, odores fortes,

fumaça, nitroglicerina ou outros medicamentos vasodilatadores, congestão

nasal, abstinência de cafeína ou medicamentos contendo ergotamina,

exercício, relações sexuais e algumas substâncias alimentares, como

chocolates, queijos fortes, carnes processadas e cachorros-quentes. Existem

relatos de que cefaleias de enxaqueca frequentemente começam pela manhã

ao levantar e podem apresentar uma predisposição para ocorrência aos

sábados ou após um período de trabalho ou estudo prolongado ou intenso.

Na maioria dos pacientes, os ataques de enxaqueca ocorrem de modo

imprevisível.

Um dos gatilhos mais potentes e frequentes de enxaqueca em mulheres é

a flutuação mensal dos hormônios gonadais que forma a base do ciclo

menstrual. Tipicamente, as cefaleias aparecem 1 a 2 dias antes do primeiro

dia do fluxo menstrual, embora também possam aparecer durante o próprio

ciclo menstrual. Algumas mulheres também apresentam cefaleias de

enxaqueca na metade do ciclo, com a ovulação. Estas cefaleias podem ser

muito intensas e geralmente sem aura, embora as mulheres também possam

apresentar cefaleias precedidas por aura em outros períodos do mês.