Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Seção 14: Trauma cefálico
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Trauma cefálico
FIGURA 14-1
Crânio: Normas Frontal e Lateral A norma frontal, ou facial, do crânio é composta pela parte frontal da
calvária (calota craniana) acima e os ossos faciais abaixo. Os contornos e as
proporções faciais em grande parte são determinados pelos ossos
subjacentes e é uma observação conhecida que apresentam variações
consideráveis associadas à idade, sexo e raça. A superfície externa do osso
frontal está localizada abaixo da sobrancelha. O esqueleto facial é irregular,
uma característica acentuada pela presença das cavidades orbitais, da
abertura piriforme e dos arcos dentais maxilar e mandibular da cavidade
oral.
A superfície anterior convexa do osso frontal é relativamente lisa, mas
existem túberes frontais, ou elevações, em cada lado. No início da vida,
uma sutura mediana separa as duas metades do osso em desenvolvimento.
Esta sutura normalmente se funde entre 6 e 10 anos de idade, mas algumas
vezes persiste como a sutura metópica. As duas cavidades orbitais são
aproximadamente quadrangulares e têm as margens supraorbitais,
infraorbitais, mediais e laterais. A incisura supraorbital, ou fissura, contém
o nervo e os vasos correspondentes. O forame infraorbital, localizado cerca
de 1 centímetro abaixo da margem infraorbital, transporta o nervo e os
vasos do mesmo nome. As órbitas têm um formado relativamente
piramidal, com as cavidades quadrangulares, ou bases, dirigidas para frente
e discretamente para fora, enquanto os ápices correspondem às
extremidades mediais das fissuras orbitais superiores.
A parede superior (teto) separa o conteúdo orbital do encéfalo e das
meninges, na fossa anterior do crânio. Anteromedialmente, ela é ocupada
por um seio frontal de tamanho variável e, em localização anterolateral, há
a fossa da glândula lacrimal, rasa para a parte orbital da glândula lacrimal.
Posteriormente, o canal óptico (forame) está entre as duas raízes da asa
menor do osso esfenoide, logo acima da extremidade medial da fissura
orbital superior; ele transporta o nervo óptico (II) e a artéria oftálmica.
A parede inferior (assoalho) é formada principalmente pela face orbital
da maxila, que separa a órbita do seio maxilar (antro). Um sulco para o
nervo e os vasos infraorbitais termina no forame infraorbital.
A delgada parede medial separa a órbita das células etmoidais, da parte
anterior do seio esfenoidal e da cavidade nasal. Em sua extremidade
anterior, a fossa da glândula lacrimal continua abaixo com o curto canal
lacrimonasal, que abre no meato nasal inferior. A parede lateral mais espessa separa a órbita da fossa temporal anteriormente e da fossa média do
crânio posteriormente. A face orbital do osso zigomático apresenta um
forame para o nervo zigomático, que se bifurca no interior do osso para
emergir na região malar e na fossa temporal como os ramos
zigomaticofacial e zigomaticotemporal, respectivamente.
As paredes lateral e superior são contínuas anteriormente, mas divergem
posteriormente para produzir a fissura orbital superior, situada entre as asas
maior e menor do osso esfenoide, que abre na fossa média do crânio. A
fissura carrega os nervos oculomotor (III) e troclear (IV), os nervos
lacrimal, frontal e nasociliar derivados do nervo oftálmico, o nervo
abducente (VI), as veias oftálmicas e os pequenos vasos meníngeos.
A parede lateral e o assoalho da órbita também são contínuos
anteriormente, mas são separados posteriormente pela fissura orbital
inferior, cuja maior parte está localizada entre a asa maior do osso
esfenoide e a face orbital da maxila. A fissura orbital inferior liga a órbita às
fossas pterigopalatina e infratemporal. O nervo maxilar passa da fossa
pterigopalatina para a órbita pela fissura orbital inferior e continua em
frente como o nervo infraorbital. Canais anastomóticos entre os plexos
venosos oftálmico e pterigóideo e os fascículos orbitais do gânglio
pterigopalatino também atravessam esta fissura.
FIGURA 14-2
A abertura piriforme (nasal anterior) é limitada pelos ossos nasal e
maxilar. Os ossos nasais articulam-se entre si na linha média, com o osso frontal acima e com os processos frontais das maxilas atrás. As bodas
inferiores irregulares dos ossos nasais proporcionam a fixação às cartilagens
nasais laterais.
A porção inferior da face é sustentada pelo processo alveolar da maxila e
pela mandíbula. A margem inferior de cada maxila projeta-se para baixo
como o processo alveolar curvo, que se une ao processo contralateral na
região frontal para formar o arco alveolar em forma de U, que contém os
alvéolos dos dentes superiores. As raízes dos dentes produzem discretas
elevações na superfície, sendo que as mais óbvias são produzidas pelos
dentes caninos. A borda superior do corpo da mandíbula é chamada de
parte alveolar e contém os alvéolos dos dentes inferiores, cujas raízes
também produzem discretas elevações na superfície.
Visto de lado, o crânio é dividido no neurocrânio ovoide maior e no
viscerocrânio menor. Os dois são conectados pelo osso zigomático, que age
como um jugo (zygo) entre os ossos temporal, esfenoide (asa maior) e
frontal e a maxila. Outros aspectos da norma lateral do crânio incluem
partes das suturas entre os ossos frontal, parietal, esfenoide e temporal (que
formam a maior parte do neurocrânio) e as suturas entre ossos faciais como
o nasal, lacrimal, etmoide e maxila. As partes da mandíbula e a articulação
temporomandibular são vistas com clareza, assim como o meato acústico
externo e os vários forames que contêm os nervos e vasos do mesmo nome.
O forame oval e o forame espinhoso não são facilmente visíveis.
Algumas características merecem menção especial. As linhas temporais
superior e inferior, que são curvas, fazem um arco para cima e para trás
sobre o osso frontal a partir das vizinhanças da sutura frontozigomática,
passam sobre a sutura coronal e o osso parietal e então viram para baixo e
para frente pela parte escamosa do osso temporal, terminando acima do
processo mastoide. As linhas temporais superior e inferior proporcionam
pontos de fixação, respectivamente, para a fáscia temporal e para a margem
superior do músculo temporal, que ocupa a maior parte da fossa temporal.
Esta fossa é limitada acima pela linha temporal superior e abaixo pela crista
infratemporal, separando a asa maior do osso esfenoide dos processos
pterigoides. O canto anteroinferior do osso parietal geralmente preenche o
ângulo entre a asa maior do esfenoide e o osso frontal, embora às vezes a
parte escamosa do osso temporal possa se estender para frente, articulando-
se diretamente com o osso frontal e consequentemente excluindo o esfenoide. Esta área é o ptério e sua superfície interna tem sulcos profundos
devido aos ramos anteriores dos vasos meníngeos médios. Fica situado
aproximadamente 3,5 cm atrás da sutura frontozigomática (geralmente
palpável como uma discreta saliência) e 4 cm acima do arco zigomático.
Como o local mais comum de lesão destes vasos devido a uma fratura de
crânio, este é um ponto de referência cirúrgica.
A fossa infratemporal é um espaço irregular situado abaixo da crista
infratemporal. Continua acima com a fossa temporal pela lacuna entre a
crista e o arco zigomático. É limitada medialmente pela lâmina lateral do
processo pterigoide e pela face infratemporal da maxila e lateralmente pelo
ramo da mandíbula. Comunica-se com a fossa pterigopalatina pela fissura
pterigomaxilar.