Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Controle Hipotalâmico do Sistema Nervoso Autonômico
Controle Hipotalâmico do Sistema Nervoso
Autonômico
À exceção de uma modesta projeção aos neurônios pré-ganglionares do
córtex infralímbico, o hipotálamo é o nível mais alto do neuroeixo que
fornece uma sinalização substancial ao sistema nervoso autonômico. Ele
regula praticamente todas as funções autonômicas e as coordena umas com
as outras, e com a atividade contínua comportamental, metabólica e
emocional. O hipotálamo possui vários tipos de neurônios usando diferentes
neurotransmissores, que promovem inervação aos neurônios pré-
ganglionares simpáticos e parassimpáticos, assim como regiões do tronco
encefálico que regulam o sistema nervoso autonômico. Muitos desses
neurônios estão no núcleo paraventricular do hipotálamo. Eles formam
pequenas populações de neurônios que estão tipicamente dorsal ou ventral
aos principais grupos endócrinos, e a maioria dos neurônios autonômicos
paraventriculares possui ácido ribonucleico mensageiro (mARN) para
ocitocina ou vasopressina. As vias descendentes também coram-se
imunohistoquimicamente para esses peptídeos e são provavelmente
envolvidos nas respostas ao estresse.
Um segundo tipo de neurônios autonômicos hipotalâmicos é encontrado
na região lateral hipotalâmica. Eles consistem principalmente de neurônios
contendo orexina ou hormônios neuronais concentradores de melanina
(MCH), e às vezes o peptídeo regulador da transcrição de cocaína e
anfetamina (CART), que acredita-se estar envolvido na regulação da
alimentação e metabolismo, assim como atividades de sono e locomotora.
Uma terceira população de células autonômicas hipotalâmicas é encontrada
no núcleo arqueado e região retroquiasmática adjacente. Esses neurônios
contêm hormônio estimulante α-melanócito e CART, e também podem estar
envolvidos na regulação da alimentação e metabolismo.
Todos os três tipos de neurônios enviam axônios ao tronco encefálico,
onde inervam o núcleo do trato solitário (que recebe um sinal aferente
visceral dos nervos glossofaríngeo e vago), assim como as regiões que
coordenam os reflexos autonômicos e respiratórios no bulbo ventrolateral.
Outros axônios inervam os neurônios pré-ganglionares parassimpáticos no
núcleo Edinger-Westphal (constrição pupilar), o núcleo salivar superior (associado ao nervo facial, que inerva as glândulas submandibular e
sublingual, assim como a vasculatura encefálica), o núcleo salivatório
superior (associado à ponta rostral do núcleo do trato solitário, inervando a
glândula parótida), o núcleo motor vagal dorsal (que inerva os órgãos
abdominais) e o núcleo ambíguo (que é a principal fonte de eferência vagal
aos órgãos torácicos, incluindo esôfago, coração e pulmões).
Finalmente, existem axônios descendentes do hipotálamo que inervam os
neurônios simpáticos pré-ganglionares na medula espinal torácica.
Populações diferentes de neurônios hipotálamo espinal comunicam-se com
alvos distintos. Por exemplo, a principal projeção de neurônios orexina está
na medula espinal superior, que pode ser importante para as funções
autonômicas associadas à ingestão. Os neurônios de ocitocina inervam
grupos específicos de neurônios pré-ganglionares simpáticos em vários
níveis da medula espinal.
Além disso, existe uma eferência principal aos núcleos da rafe bulbar da
região pré-óptica e núcleo dorsomedial do hipotálamo. O núcleo da rafe
bulbar possui neurônios serotoninérgicos e glutamatérgicos que inervam a
coluna pré-ganglionar em vários níveis, e regulam populações de neurônios
envolvidos na termorregulação. Acredita-se que essa via seja o principal
mecanismo de regulação da temperatura corporal.
Danos à via hipotalâmica autonômica descendente, no bulbo lateral ou
medula espinal dorsal, provoca síndrome de Horner ipsilateral central. Tais
pacientes não possuem somente pupila diminuída e ptose parcial desse lado,
como falta de sudorese no lado afetado.