Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Parasomnias

FIGURA 5-24

 

Parasomnias

Parasomnias são caracterizadas por movimentos ou comportamentos,

incomuns ou indesejados, que ocorrem durante o sono noturno.

Movimentos periódicos dos membros

 

(MPMs)

Tipicamente, o paciente sofre episódios de movimentos breves e repetidos

de pernas, desde uma simples dorsoflexão do dedão do pé até uma violenta

flexão de toda extremidade inferior. Isso pode ocorrer em intervalos

regulares, até várias vezes por minuto, durante toda a noite. Se os

movimentos são brandos, nem o paciente nem o parceiro podem reconhecer

os MPMs. Por outro lado, se mais violentos, os movimentos podem acordar

o paciente, parceiro, ou ambos. Embora os MPMs leves possam não estar

associados às excitações e não são de significância clínica, em alguns

pacientes os MPMs mais pronunciados podem provocar despertares

repetidos. Como resultado, o paciente pode desenvolver sonolência diurna.

Os MPMs geralmente podem ser tratados com sucesso com agonistas de

dopamina, como ropinirol ou pramipexol, ou com benzodiazepínicos, como

clonazepam.

 

Síndrome das pernas inquietas (SPI)

A SPI geralmente ocorre nos mesmos pacientes que possuem MPMs,

embora exista outro grupo de pacientes com SPI que não tem MPMs. Os

pacientes com SPI possuem uma vontade irresistível de mover as pernas,

especialmente enquanto sentados ou deitados; esses sentimentos são

aliviados quando o paciente se levanta ou caminha. O paciente

frequentemente descreve o sentimento como uma sensação desconfortável

nas pernas que é aliviada somente pela movimentação delas. Muitos dos

pacientes com SPI apresentam deficiência de ferro ou baixos níveis de

ferritina, e o tratamento com ferro desses pacientes pode ajudar. Além

disso, os sintomas de SPI podem ser sucessivamente tratados com agonistas

de dopamina, benzodiazepínicos ou fármacos opioides. Antidepressivos e

estimulantes podem exacerbar a SPI e MPM, sugerindo que muitos casos

podem ter uma causa hereditária.

 

Distúrbios do comportamento do sono REM Pacientes com distúrbio do comportamento do sono REM (DCR) exibem

atividade motora complexa durante o sono REM. Durante o sono REM,

quando o sonho realmente ocorre, há uma ativação das vias reticuloespinais

que resulta na inibição profunda dos neurônios motores, resultando em

paralisia profunda dos músculos voluntários em indivíduos normais. Em

pacientes com DCR, esta paralisia é quebrada e ocorrem movimentos

espasmódicos intermitentes, e algumas vezes comportamentos complexos

durante o sono REM. Em muitos aspectos, o DCR é o oposto do ataque de

cataplexia vistos em pacientes com narcolepsia, que têm ativação do

sistema de paralisia do sono REM enquanto acordados. Pacientes com DCR

geralmente parecem estar lutando contra atacantes e relatam sonhos que

combinam com suas ações. Entretanto, assim como no MPM, pacientes

com DCR geralmente não sabem dessas ocorrências, a menos que sejam

citados pelo parceiro, ou quando o paciente cai da cama e é ferido durante

uma incursão. DCR geralmente é tratada tanto com clonazepam quanto com

melatonina. Entretanto, em casos graves, o parceiro pode ter que dormir em

quarto separado e o colchão colocado no chão, a mobília removida e janelas

fechadas para prevenir o paciente de se machucar ou a seu parceiro durante

um ataque. Alguns pacientes usam grandes cintos sobre o leito para evitar

tais excursões. A maioria dos pacientes com DCR idiopática (nenhuma

outra causa predisponente) é de homens, e o pico das manifestações ocorre

entre os 50 e 60 anos. Estudos recentes revelam que a maioria dos pacientes

com DCR idiopática desenvolveu subsequentemente uma sinucleinopatia,

geralmente doença de Parkinson ou demência com corpos de Lewy, porém

ocasionalmente atrofia de múltiplos sistemas. Entretanto, o período para

diagnosticar esses distúrbios neurodegenerativos pode ser prolongado, com

cerca de metade dos pacientes com DCR desenvolvendo sinucleinopatia em

12 anos, e quase 80% em 20 anos. Em um relato de caso, a noiva do

paciente descobriu seu DCR em sua noite de núpcias aos 21 anos de idade,

e ele não desenvolveu doença de Parkinson até seus 72 anos. Outros fatores

de risco incluem o uso de antidepressivos que previnem a recaptação de

serotonina ou noradrenalina. Novamente, essa situação representa o oposto

da cataplexia, o desenvolvimento da atonia REM durante a vigília em

pacientes narcolépticos, em que os antidepressivos suprimem os ataques. Terror noturno, insônia, enurese noturna

Esses distúrbios normalmente ocorrem em crianças e raramente persistem

até a vida adulta. Como um grupo, essas parasomnias infantis tendem a

ocorrer durante o estágio mais profundo do sono lento e tendem a se tornar

mais breves e menos profundas durante a maioridade. Tipicamente, o

paciente com terror noturno se senta repentinamente na cama, tem dilatação

de pupilas, uma expressão assustada e pulso acelerado. Ocasionalmente, o

indivíduo afetado pode sair da cama repentinamente com tanto vigor que

ele ou ela pode provocar uma lesão. Geralmente, a criança volta a dormir

sem nenhuma recordação do evento. Se acordado durante o terror noturno, a

criança descreve um sentimento ou imagem assustadora, porém não um

sonho complexo. Embora não exista nenhum resultado adverso do terror

noturno, eles podem ser bastante assustadores aos pais, e é importante

distingui-los de outros eventos noturnos mais raros, como as convulsões.

Andar durante o sono ou sonambulismo, também tende a ocorrer em

crianças durante sono lento profundo. A criança pode andar e falar, mas

frequentemente a fala é balbuceada ou incoerente. O paciente geralmente

pode ser levado de volta à cama e não se lembrará do incidente no dia

seguinte. Frequentemente, uma explicação do problema à família é

suficiente.

Enurese noturna ou “molhar a cama” ocorre tipicamente nessa mesma

faixa etária e também durante a parte mais profunda do sono lento. Em

geral o paciente não está ciente do evento, acordando com roupas de cama

úmidas.

Todas estas parasomnias infantis frequentemente respondem a fármacos

que reduzem a tendência em cair no sono lento, como antidepressivos

tricíclicos ou benzodiazepínicos.

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