Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Demência frontotemporal

FIGURA 2-27

 

Demência frontotemporal A demência frontotemporal (DFT) é um espectro heterogêneo de distúrbios

caracterizados por degeneração dos lobos frontais e temporais anteriores,

resultando em vários sintomas de transtornos de personalidade,

comportamento e linguagem. A DFT é a terceira forma mais comum de

demência neurodegenerativa, classificada após a doença de Alzheimer e

demência com corpos de Lewy, e talvez seja responsável por 5% de todos

os casos de demência. A DFT geralmente apresenta-se em idade mais

jovem que a doença de Alzheimer e em seu início se dá aos 58 anos de

idade.

Alterações comportamentais e de personalidade são as características

iniciais proeminentes em indivíduos com DFT, refletindo o envolvimento

patológico dos lobos frontais, com mais frequência, no hemisfério direito.

Os sintomas incluem desinibição, julgamento comprometido e habilidades

sociais perturbadas. Um indivíduo com DFT pode ter comportamento

inadequado, como usar palavrões, fazer piadas vulgares e perder o tato

social. Seus hábitos dietéticos podem mudar, e pode consumir somente

certos alimentos, como doces. Alterações proeminentes da personalidade

são perturbadoras para a família dos pacientes, ainda que eles próprios

tipicamente não estejam preocupados e lhes faltem discernimento e empatia

sobre como essas mudanças afetam suas famílias. Alguns indivíduos

desenvolvem comportamento repetitivo ou compulsivo. Amnésia grave e

comprometimento visuoespacial tipicamente não estão presentes. De fato,

muitos pacientes com DFT são orientados e capazes de manter o controle

de suas tarefas diárias.

A apresentação da linguagem na DFT é variável, dependendo da

distribuição da patologia e inclui distúrbios de fluência e compreensão da

fala. A área de Broca está localizada nos giros inferior e médio do lobo

frontal esquerdo e está envolvida na geração de sequências de articulação

que transformam pensamentos em declarações. A neurodegeneração, que

afeta a área de Broca, resulta em progressiva afasia não fluente

caracterizada pela perda da fala fluente e anomia proeminente. A fala pode

ter uma qualidade interrompida por frequentes pausas para encontrar uma

palavra. As circunlocuções são comuns, porque o paciente tem dificuldade

em recuperar as palavras concisas e as substitui por outras palavras ou

declarações em lugar da palavra desejada. A área de Wernicke na junção

temporoparietal esquerda é a mediadora das associações sensitivas que codificam o significado da palavra. A neurodegeneração que afeta essa

região resulta em demência semântica caracterizada pelo precoce

comprometimento da semântica (significado das palavras), e

consequentemente em fala fluente, vazia, e perda de compreensão

fonológica. A fala pode ser sem esforço e sem hesitações, mas transmite

pouca informação significativa. Esses pacientes têm problemas

proeminentes de compreensão (i.e., seguir comandos), apesar de sua fala

fluente e fácil. Como a rede de linguagem, que está proeminentemente

envolvida (área de Wernicke), é contígua às redes de associação visual, a

demência semântica também pode estar associada a uma complexa

disfunção visuoperceptiva, como a prosopagnosia e no reconhecimento

visual de objetos.

Devem ser obtidas neuroimagens para descartar a presença de lesões

estruturais (p. ex., acidente vascular enceálico, tumor) e estas podem revelar

a presença de atrofia desproporcional nos lobos frontal e temporal. Além

disso, a obtenção de imagens funcionais, na forma de tomografia por

emissão de pósitron (PET), pode revelar atividade metabólica alterada nos

lobos frontal e temporal.