Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Glioblastoma

FIGURA 12-3

 

 

Glioblastoma Os glioblastomas representam o subtipo de glioma mais frequente e o mais

agressivo. Como tumores de grau IV da Organização Mundial de Saúde

(OMS), suas características histopatológicas incluem atipia nuclear,

hipercelularidade, mitoses, proliferação microvascular e necrose. Adultos

de meia-idade são afetados com mais frequência, com um pico de

incidência da quinta à oitava década. Os glioblastomas ficam localizados

preferencialmente nos hemisférios encefálicos; muito raramente, ocorrem

no tronco encefálico, meninges ou medula espinal. Nos glioblastomas

“primários” ou “novos” que surgem sem uma lesão preexistente, a história

natural geralmente é curta, com uma sobrevida mediana de 15 a 18 meses.

Glioblastomas que se desenvolvem pela progressão de gliomas de menor

grau são classificados como “secundários”. Estes são muito menos

frequentes, ocorrem tipicamente em pacientes mais jovens e estão

associados a uma sobrevida mais longa que os tumores primários. As

comparações dos perfis moleculares de glioblastomas primários e

secundários indicam que eles representam entidades distintas, com evolução

por meio de diferentes anormalidades genéticas e ativação de diferentes

vias de sinalização molecular.

 

Manifestações Clínicas

Como discutido anteriormente, os sinais e sintomas de um glioblastoma

subjacente refletem a localização do tumor e sua velocidade de crescimento.

Devido ao crescimento rápido, os sintomas tendem a ter curta duração antes

do diagnóstico. Os sintomas de apresentação mais frequentes são cefaleia e

convulsões.

 

Estudos Diagnósticos

Na RM, os glioblastomas geralmente apresentam contraste heterogêneo ou

anelar misturado com áreas centrais de necrose. Imagens de RM com

sequências de recuperação de inversão com atenuação de fluido (FLAIR) e

ponderação T2 ilustram um tumor infiltrativo e o edema circundante, que

muitas vezes é significativo. Se a RM estiver contraindicada, a TC com e

sem contraste é aceitável, embora a anatomia seja menos definida.

 

Tratamento O tratamento dos glioblastomas é multimodal, envolvendo cirurgia,

radiação e quimioterapia. A ressecção neurocirúrgica inicial permite o

diagnóstico definitivo, o alívio dos sintomas neurológicos e a redução do

volume, que pode melhorar a evolução. Após a cirurgia, os pacientes são

submetidos a radioterapia em combinação com quimioterapia. Foi

demonstrado que a radiação de feixe externo constitui o tratamento isolado

mais efetivo para glioblastomas e outros gliomas de alto grau. Foi

demonstrado que a adição de temozolomida, um agente quimioterápico,

prolonga significativamente a sobrevida. Apesar da terapia combinada, os

tumores quase inevitavelmente reaparecem e progridem. Os fatores

prognósticos associados a uma maior sobrevida incluem idade mais jovem,

índice de desempenho mais alto, maior extensão da ressecção, assim como

alguns fatores genéticos, como a presença da enzima reparadora do ácido

desoxirribonucleico (DNA) O6-metilguanina–DNA-metiltransferase ou

mutação de isocitrato desidrogenase (IDH1). Terapias experimentais

direcionadas para a angiogênese (a formação de novos vasos sanguíneos a

partir de vasos adjacentes preexistentes) têm emergido como novos agentes

anticancerosos. Por exemplo, bevacizumabe, um anticorpo monoclonal

humanizado contra o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF)

recebeu aprovação acelerada pela Food and Drug Administration (FDA);

contudo, seu efeito na sobrevida ainda é modesto. Boa parte das pesquisas

atuais tem enfocado o desenvolvimento e o uso de inibidores de pequenas

moléculas para atingir as vias de sinalização molecular implicadas na

tumorigênese

Além do tratamento do crescimento tumoral, o tratamento sintomático é

igualmente importante. Corticosteroides são usados com frequência para

aliviar o edema circundante. Agentes antiepilépticos são necessários apenas

quando os pacientes sofrerem convulsões.