Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)
5.5 Relações Estereoisoméricas: Enantiômeros e Diastereoisômeros (ou Simplesmente Diastereômeros)
PRATICANDO
o que você aprendeu
5.17 A rotação especí ca de L-dopa em água (a 15ºC) é de –39,5º. Um químico preparou uma
mistura de L-dopa e seu enantiômero e a mistura apresentou rotação especí ca de −37. Calcule
a % de ee da mistura.
5.18 A rotação especí ca da efedrina em etanol (a 20ºC) é de −6,3º. Um químico preparou
uma mistura de efedrina e seu enantiômero e a mistura apresentou rotação especí ca de −6,0.
Calcule a % de ee da mistura.
5.19 A rotação especí ca da vitamina B7 em água (a 22ºC) é de +92. Um químico preparou
uma mistura da vitamina B7 e seu enantiômero e a mistura apresentou rotação especí ca de
+85. Calcule a % de ee da mistura.
APLICANDO
o que você aprendeu
5.20 A rotação especí ca da L-alanina em água (a 25ºC) é de +2,8. Um químico preparou uma
mistura de L-alanina e de seu enantiômero, e 3,50 g da mistura foram dissolvidos em 10,0 mL
de água. Essa solução foi inserida um uma célula de caminho óptico de 10,0 cm e a rotação
observada experimentalmente foi de +0,78. Calcule a % de ee da mistura.
é necessário PRATICAR MAIS? Tente Resolver os Problemas 5.40, 5.50a,b
5.5 Relações Estereoisoméricas:
Enantiômeros e Diastereoisômeros (ou
Simplesmente Diastereômeros)
Na Seção 5.1 vimos que estereoisômeros têm a mesma constituição
(conectividade dos átomos), mas não são sobreponíveis (diferem em sua distribuição espacial dos átomos). Estereoisômeros podem ser subdivididos
em duas categorias, como mostrado na Figura 5.11.
FIGURA 5.11
As principais categorias de estereoisômeros.
Os enantiômeros são estereoisômeros que são imagens especulares um do
outro, enquanto diastereoisômeros (ou simplesmente diastereômeros) são
estereoisômeros que não são imagens especulares. De acordo com essas
definições entendemos porque isômeros cis-trans (discutidos no começo
deste capítulo) são diastereoisômeros, em vez de enantiômeros.
Considere, novamente, as estruturas do cis-2-buteno e do trans-2-buteno:
Eles são estereoisômeros, mas não são imagens especulares um do outro e
são, portanto, diastereoisômeros. Uma importante diferença entre
enantiômeros e diastereoisômeros é a de que enantiômeros apresentam as
mesmas propriedades físicas (como visto na Seção 5.4), enquanto
diastereoisômeros têm diferentes propriedades físicas (como visto na Seção
5.1).
A diferença entre enantiômeros e diastereoisômeros torna-se
especialmente relevante quando consideramos substâncias com mais de um
centro de quiralidade. Como exemplo, considere a estrutura vista a seguir:
Esta substância tem dois centros de quiralidade. Cada um pode apresentar a
configuração R ou a configuração S, dando origem a quatro possíveis
estereoisômeros (dois pares de enantiômeros)
Para descrevermos a relação entre esses quatro estereoisômeros, olhamos
primeiro para um deles e descrevemos a sua relação para com os outros três
estereoisômeros. O primeiro estereoisômero anterior tem configuração (1R,
2 S). Esse estereoisômero tem apenas uma imagem especular, ou
enantiômero, que tem configuração (1S, 2 R). O terceiro estereoisômero não
é imagem especular do primeiro estereoisômero, sendo, portanto,
diastereoisômero. De modo semelhante, existe uma relação
diastereoisomérica entre o primeiro e o quarto estereoisômero, pois eles não
são imagens especulares um do outro.
Para ajudar a visualizar melhor a relação entre essas quatro substâncias
usaremos uma analogia. Imagine uma família com quatro crianças (dois
pares de gêmeos). O primeiro par de gêmeos é igual um ao outro em quase
tudo, exceto pela presença de uma marca de nascença. Uma criança tem a
marca de nascença do lado direito do rosto enquanto a outra do lado esquerdo. Esses gêmeos podem ser distinguidos pela posição desta marca
de nascença. Eles são imagens especulares não sobreponíveis um do outro.
O segundo par de gêmeos é bastante diferente do primeiro par. Entretanto, o
segundo par é novamente idêntico um ao outro exceto pela posição da
marca de nascença no rosto. Eles são imagens especulares não
sobreponíveis um do outro.
Nessa família de quatro crianças, cada criança tem um gêmeo e outros
dois irmãos. A mesma relação existe entre os quatro estereoisômeros
anteriores. Nessa família molecular, cada estereoisômero tem exatamente
um enantiômero (gêmeo que é uma imagem especular) e dois
diastereoisômeros (irmãos).
Agora considere o caso com três centros de quiralidade:
Novamente, cada centro de quiralidade pode ter configuração R ou
configuração S, conduzindo a uma família de oito possíveis
estereoisômeros:
Esses oito estereoisômeros estão distribuídos na figura anterior em quatro
pares de enantiômeros. Para ajudar a visualizar, imaginamos uma família
com oito crianças (quatro pares de gêmeos). Cada par de gêmeos é idêntico
um ao outro com exceção da presença de uma marca de nascença,
permitindo distingui-los. Nessa família, cada criança terá um gêmeo e
outros seis irmãos. De modo semelhante, na família molecular cada
estereoisômero tem exatamente um enantiômero (gêmeo que é uma imagem
especular), e dois diastereoisômeros (irmãos).
Observe que a presença de três centros de quiralidade produz uma
família de quatro pares de enantiômeros. Uma substância com quatro
centros de quiralidade gerará uma família de oito pares de enantiômeros.
Isso conduz a uma questão óbvia: Qual a relação entre o número de centros
de quiralidade e o número de estereoisômeros em uma família? Esta relação
pode ser resumida da seguinte maneira:
Número máximo de estereoisômeros = 2n em que n se refere ao número de centros de quiralidade. Uma substância
com quatro centros de quiralidade pode ter um máximo de 24
estereoisômeros = 16 estereoisômeros, ou oito pares de enantiômeros.
Como outro exemplo, considere a estrutura do colesterol:
O colesterol tem oito centros de quiralidade, originando uma família de 28
estereoisômeros (256 estereoisômeros). Especificamente o estereoisômero
mostrado tem apenas um enantiômero e 254 diastereoisômeros, apesar de a
estrutura apresentada ser o único estereoisômero produzido pela natureza.
DESENVOLVENDO A APRENDIZAGEM
5.7 DETERMINAÇÃO DA RELAÇÃO ESTEREOISOMÉRICA ENTRE DUAS
SUBSTÂNCIAS
APRENDIZAGEM
Identi que se cada um dos pares de substâncias vistos a seguir é enantiômero ou
diastereoisômero:
SOLUÇÃO
(a) Em Desenvolvendo a Aprendizagem 5.2 vimos como representar o enantiômero de uma
substância. Particularmente, vimos que o modo mais fácil de representar a substância é
invertendo todos os centros de quiralidade. Isto é, todas as cunhas tracejadas são representadas
como cunhas cheias e todas as cunhas cheias são representadas como cunhas tracejadas. Assim,
duas substâncias só podem ser enantioméricas se todos os seus centros de quiralidade tiveram
con guração oposta. Vamos analisar cuidadosamente os três centros de quiralidade em cada
substância. Dois dos três centros de quiralidade têm con guração oposta:
ETAPA 1
Comparação da con guração de cada centro de quiralidade.
Mas existe ainda um centro de quiralidade que tem a mesma con guração em ambos os
estereoisômeros:
ETAPA 2
Se apenas um dos centros de quiralidade tiver con guração oposta, então as substâncias são
diastereoisômeros.
Portanto, esses estereoisômeros não são imagens especulares um do outro, eles são
diastereoisômeros.
(b) Novamente, compare a con guração dos centros de quiralidade em ambas as substâncias. O
primeiro centro de quiralidade é facilmente identi cado como tendo con guração diferente em
cada substância:
ETAPA 1
Comparação da con guração de cada centro de quiralidade.
O segundo centro de quiralidade é difícil de comparar em uma rápida inspeção, porque o
esqueleto está representado em uma conformação diferente (lembre-se de que ligações simples
estão sempre livres para girar). Quando em dúvida, você pode sempre assinalar a con guração
(R ou S) para cada centro de quiralidade e compará-las:
ETAPA 2
Se todos os centros de quiralidade tiverem con guração oposta, então as substâncias são
enantiômeros.
Quando comparamos esses estereoisômeros, ambos os centros de quiralidade têm con guração
oposta, de modo que essas substâncias são enantiômeros.
PRATICANDO
o que você aprendeu
5.21 Identi que se cada um dos pares de substâncias vistos a seguir é enantiômero ou
diastereoisômero:
APLICANDO
o que você aprendeu
5.22 Identi que a relação entre as seguintes substâncias:
Sugestão: Preste atenção ao número de centros de quiralidade.
é necessário PRATICAR MAIS? Tente Resolver os Problemas 5.36a–j,l, 5.41c,e–k,
5.49a,c,e–j, 5.57