Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

David Klein · Capítulo 6 de 302

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Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

1.1 Introdução à Química Orgânica

Este capítulo faz uma revisão de alguns conceitos importantes do seu

curso de química geral com os quais você já deve estar familiarizado.

Especificamente, vamos nos concentrar no papel central dos elétrons na

formação de ligações e na influência sobre as propriedades moleculares.

 

1.1 Introdução à Química Orgânica

 

No início do século XIX, os cientistas classificavam todas as substâncias

conhecidas em duas categorias: substâncias orgânicas que eram obtidas de

organismos vivos (plantas e animais), substâncias inorgânicas que eram

provenientes de fontes não vivas (minerais e gases). Essa distinção era

garantida pela observação de que as substâncias orgânicas pareciam possuir

propriedades diferentes das substâncias inorgânicas. As substâncias

orgânicas eram frequentemente difíceis de isolar e purificar, e após

aquecimento, elas se decompunham mais rapidamente do que as

substâncias inorgânicas. Para explicar essas observações curiosas, muitos

cientistas passaram a ter a crença de que as substâncias obtidas a partir de

organismos vivos possuíam uma “força vital” especial que faltava às

substâncias inorgânicas. Essa noção, chamada vitalismo, estipulava que

deveria ser impossível converter substâncias inorgânicas em substâncias

orgânicas sem a introdução de uma força vital externa. O vitalismo sofreu

um duro golpe em 1828 quando o químico alemão Friedrich Wöhler

demonstrou a conversão de cianato de amônio (um sal inorgânico

conhecido) em ureia, uma substância orgânica conhecida encontrada na

urina:

A PROPÓSITO

Há algumas substâncias contendo carbono que tradicionalmente são excluídas da classificação de compostos orgânicos. Por exemplo, o cianato de amônio (visto nesta página) ainda é classificado como inorgânico, apesar da presença de um átomo de carbono. Outras exceções incluem o carbonato de sódio (Na CO ) e o cianeto de potássio 2 3 (KCN), ambos sendo também considerados substâncias inorgânicas. Não encontraremos muitas outras exceções.

 

Ao longo das décadas que se seguiram, outros exemplos foram

encontrados e o conceito de vitalismo foi gradualmente rejeitado. A queda

do vitalismo destruiu a distinção original entre substâncias orgânicas e

inorgânicas e surgiu uma nova definição. Especificamente, as substâncias

orgânicas passaram a ser definidas como as substâncias que contêm átomos

de carbono, enquanto as substâncias inorgânicas passaram a ser definidas

como as substâncias em que não existem átomos de carbono.

A química orgânica ocupa um papel central no mundo ao nosso redor,

pois estamos rodeados de substâncias orgânicas. Os alimentos que

comemos e as roupas que usamos são formados por substâncias orgânicas.

Nossa capacidade de sentir os odores ou ver cores resulta do

comportamento de substâncias orgânicas. Produtos farmacêuticos,

pesticidas, tintas, adesivos e plásticos são todos feitos a partir de

substâncias orgânicas. De fato, os nossos corpos são construídos

principalmente a partir de substâncias orgânicas (DNA, RNA, proteínas

etc.) cujo comportamento e função são determinados pelos princípios da

química orgânica. As respostas dos nossos corpos aos produtos

farmacêuticos são os resultados de reações que se comportam de acordo com os princípios da química orgânica. Assim, um entendimento profundo