Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

David Klein · Capítulo 174 de 302

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Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

9.2 Adição versus Eliminação: Uma Perspectiva Termodinâmica

Halogenação (X=Cl ou Br) 9,8

 

Formação de haloidrina 9,8

(X=Cl, Br ou I)

 

Di-hidroxilação 9,9,9,10

 

Muitas reações de adição diferentes são observadas para alquenos,

possibilitando o seu emprego como precursores sintéticos para uma grande

variedade de grupos funcionais. A versatilidade de alquenos pode ser

diretamente atribuída à reatividade das ligações π, que podem atuar como bases

fracas ou como nucleófilos fracos:

 

RELEMBRANDO

Para uma análise das diferenças sutis entre basicidade e nucleofilicidade, veja a Seção 8.12.

 

O primeiro processo ilustra que ligações π podem ser prontamente protonadas,

enquanto o segundo processo ilustra que ligações π podem atacar centros

eletrofílicos. Os dois processos aparecerão muitas vezes ao longo deste capítulo.

 

9.2 Adição versus Eliminação: Uma Perspectiva

Termodinâmica Em muitos casos, uma reação de adição é simplesmente o inverso de uma reação

de eliminação:

 

Essas duas reações representam um equilíbrio dependente da temperatura. A

adição é favorecida a baixas temperaturas, enquanto a eliminação é favorecida a

altas temperaturas. Para entender a razão para essa dependência em relação à

temperatura, lembre-se de que o sinal de ΔG determina se o equilíbrio favorece

os reagentes ou os produtos (Seção 6.3). O ΔG tem que ser negativo para o

equilíbrio favorecer os produtos. O sinal de ΔG depende de dois termos:

 

Consideremos esses termos individualmente, começando com o termo entálpico

(ΔH). Muitos fatores contribuem para o sinal e magnitude de ΔH, mas o fator

dominante é geralmente a força de ligação. Vamos comparar as ligações

rompidas e as ligações formadas em uma reação de adição:

 

Observamos que uma ligação π e uma ligação σ são rompidas, enquanto duas

ligações σ são formadas. Lembre-se da Seção 1.9 que ligações σ são mais fortes

que ligações π, e, portanto, as ligações que são formadas são mais fortes que as

que estão sendo rompidas. Considere o exemplo visto a seguir:

A PROPÓSITO

 

O verdadeiro valor de ΔH para esta reação, em fase gasosa, foi medido como −17 kcal/mol, confirmando que a força das ligações é, na verdade, o fator dominante para o sinal e magnitude de ΔH.

 

Ligações rompidas − Ligações formadas = 166 kcal/mol − 185 kcal/mol =19

kcal/mol

 

A característica importante aqui é que ΔH tem sinal negativo. Em outras

palavras, esta reação é exotérmica, o que geralmente é o observado para reações

de adição.

Agora consideremos o termo −TΔS. Este termo será sempre positivo para

uma reação de adição. Por quê? Em uma reação de adição duas moléculas unem-

se para formar uma molécula de produto. Como descrito na Seção 6.2, esta

situação representa um decréscimo na entropia e ΔS terá um valor negativo. O

componente da temperatura, T (mensurado em K) é sempre positivo. Como

resultado, −TΔS será positivo para reações de adição.

Agora vamos combinar os termos entálpico e entrópico. O termo entálpico é

negativo e o entrópico positivo, então o sinal de ΔG para uma reação de adição

será determinado pela competição entre estes dois termos:

 

De modo a que ΔG seja negativo, o termo entálpico precisa ser maior que o

termo entrópico. Esta competição entre os termos entálpico e entrópico é dependente da temperatura. A baixas temperaturas, o termo entrópico é pequeno