Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

David Klein · Capítulo 72 de 302

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Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

4.5 Fontes e Usos de Alcanos

FIGURA 4.1

Um diagrama de energia comparando os calores de combustão para os três isômeros constitucionais do octano.

 

Calores de combustão são uma forma importante de determinar a

estabilidade relativa das substâncias. Vamos usar essa técnica várias vezes ao

longo deste livro para comparar a estabilidade das substâncias.

 

4.5 Fontes e Usos de Alcanos

A principal fonte de alcanos é o petróleo, que vem das palavras latinas petro

(“rocha”) e oleum (“óleo”). O petróleo é uma mistura complexa de centenas

de hidrocarbonetos, a maior parte dos quais são alcanos (variando em

tamanho e constituição). Acredita-se que os depósitos de petróleo da Terra

foram formados lentamente, ao longo de milhões de anos, pela decomposição

de material bio-orgânico pré-histórico (como plantas e florestas).

O primeiro poço de petróleo foi perfurado na Pensilvânia em 1859. O

petróleo obtido foi separado nos seus vários componentes através de

destilação, o processo pelo qual os componentes de uma mistura são

separados uns dos outros com base nas diferenças de seus pontos de ebulição.

Na época, o querosene, uma das frações de alto ponto de ebulição, era

considerado o mais importante produto obtido a partir do petróleo.

Automóveis baseados no motor de combustão interna ainda estavam à espera

de serem inventados (cerca de 50 anos mais tarde), de modo que a gasolina

ainda não era um produto cobiçado do petróleo. Havia um grande mercado

para o querosene, como lâmpadas a querosene que produziam melhor

iluminação à noite do que as velas comuns. Com o tempo, outros usos foram

sendo encontrados para as outras frações de petróleo. Hoje, cada gota

preciosa de petróleo é colocada em uso, de uma forma ou de outra (Tabela

4.5). O processo de separação de óleo em bruto (petróleo) em produtos

disponíveis comercialmente é chamado de refinação. Uma refinaria típica

pode processar 100 mil barris de petróleo por dia (1 barril = 159 litros). O produto mais importante é atualmente a fração de gasolina (C 5—C12), no

entanto, esta fração representa apenas cerca de 19% do óleo em bruto. Esta

quantidade não satisfaz a demanda atual de gasolina e, portanto, dois

processos são utilizados para aumentar a produção de gasolina a partir de

cada barril de petróleo.

 

TABELA USOS INDUSTRIAIS DAS FRAÇÕES DE PETRÓLEO 4.5

 

FAIXA DE EBULIÇÃO DA FRAÇÃO (°C) NÚMERO DE ÁTOMOS DE UTILIZAÇÃO

CARBONO NAS MOLÉCULAS

 

Abaixo de 20 C1–C4 Gás natural, produtos

petroquímicos, plásticos

 

20–100 C5–C7 Solventes

 

20–200 C5–C12 Gasolina

 

200–300 C12–C18 Querosene, combustível de jato

 

200–400 C12 e superior Óleo de aquecimento, diesel

 

Líquidos não voláteis C20 e superior Óleo lubri cante, graxa

 

Sólidos não voláteis C20 e superior Para na, asfalto, alcatrão

 

1. Craqueamento é um processo através do qual ligações C—C de alcanos

maiores são quebradas, produzindo alcanos menores adequados para uso

como gasolina. Este processo converte eficazmente pretóleo em

substâncias adequadas para uso como gasolina. O craqueamento pode ser

obtido a uma temperatura elevada (craqueamento térmico) ou com o

auxílio de catalisadores (craqueamento catalítico). O craqueamento

geralmente produz alcanos de cadeia linear. Embora adequados para uso

como gasolina, esses alcanos tendem a dar origem a pré-ignição, ou bater

pino, em motores de automóveis.

 

2. Reforma é um processo que envolve muitos tipos diferentes de reações

(tais como reações de desidrogenação e de isomerização) com o objetivo

de converter alcanos de cadeia linear em hidrocarbonetos ramificados e

substâncias aromáticas (discutidas no Capítulo 18, no Volume 2):

 

Hidrocarbonetos ramificados e hidrocarbonetos aromáticos mostram uma

tendência menor em bater pino. É, portanto, desejável converter algum

petróleo em alcanos ramificados e substâncias aromáticas e, em seguida,

misturá-los com alcanos de cadeia linear. A combinação de craqueamento e

reforma aumenta efetivamente o rendimento de gasolina de 19 para 47% para

cada barril de petróleo. A gasolina é, portanto, uma mistura sofisticada de

alcanos de cadeia linear, alcanos ramificados e hidrocarbonetos aromáticos. A

mistura exata depende de uma série de condições. Em climas mais frios, por

exemplo, a mistura tem que ser apropriada para temperaturas abaixo de zero.

Portanto, a gasolina utilizada em Chicago, não é a mesmo que a gasolina

utilizada em Houston.

Petróleo não é uma fonte de energia renovável. Na nossa atual taxa de

consumo, estima-se que a oferta de petróleo na Terra será esgotada em 2060. Podemos encontrar mais jazidas de petróleo, mas isso só vai adiar o