Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)
3.4 Acidez de Brønsted-Lowry: Perspectiva Qualitativa
3.4 Acidez de Brønsted-Lowry: Perspectiva
Qualitativa
Na seção anterior, aprendemos como diferenciar ácidos ou bases por meio
da comparação dos seus valores de pK . Nesta seção, vamos aprender a a
fazer essas comparações analisando e contrastando as suas estruturas sem o
uso de valores de pKa.
Estabilidade da Base Conjugada
A fim de comparar os ácidos sem a utilização de valores de pK temos de a
olhar para a base conjugada de cada ácido:
Se A− é muito estável (base fraca), então HA tem que ser um ácido forte.
Se, por outro lado, A− é muito instável (base forte), então HA tem que ser
um ácido fraco. Como uma ilustração deste ponto, vamos considerar a
desprotonação do HCl:
O cloro é um átomo eletronegativo e pode, portanto, estabilizar uma carga
negativa. O íon cloreto (Cl−) é, de fato, muito estável e, portanto, o HCl é
um ácido forte. O HCl pode atuar como um doador de prótons, porque a
base conjugada deixada para trás é estabilizada.
OLHANDO PARA O FUTURO
Na Seção 22.2 (Volume 2), veremos um caso excepcional de uma carga negativa estabilizada em um átomo de carbono. Até então, a maioria dos casos de C− será considerada como muito instável.
Vejamos mais um exemplo. Considere a estrutura do butano:
Quando o butano é desprotonado, uma carga negativa é gerada sobre um
átomo de carbono. O carbono não é um elemento muito eletronegativo e
geralmente não é capaz de estabilizar uma carga negativa. Uma vez que este
C− é muito instável, podemos concluir que o butano não é muito ácido.
Esta abordagem pode ser usada para comparar a acidez de duas
substâncias, HA e HB. Nós simplesmente olhamos para as suas bases
conjugadas, A− e B−, e fazemos a sua comparação:
Ao determinar a base conjugada mais estável, é possível identificar o
ácido mais forte. Por exemplo, se determinarmos que A− é mais estável que
B−, então, HA tem que ser um ácido mais forte do que HB. Esta abordagem não nos permite prever valores exatos de pKa, mas nos permite comparar
rapidamente a acidez relativa de duas substâncias sem a necessidade de
consultar os valores de pKa.
Fatores que Afetam a Estabilidade de Cargas Negativas
Uma comparação qualitativa da acidez requer uma comparação da
estabilidade de cargas negativas. A discussão a seguir irá desenvolver uma
abordagem metódica para comparar a estabilidade de cargas negativas.
Especificamente, consideraremos quatro fatores: (1) o átomo sobre o qual a
carga se localiza, (2) ressonância, (3) indução e (4) orbitais.
1. Qual átomo em que a carga se localiza? O primeiro fator envolve a
comparação entre os átomos que possuem a carga negativa em cada
base conjugada. Por exemplo, consideremos as estruturas do butano e
do propanol:
A fim de avaliar a acidez relativa dessas duas substâncias temos primeiro
que desprotonar cada uma dessas substâncias e representar as bases
conjugadas:
Agora comparamos essas bases conjugadas, olhando onde a carga negativa
está localizada em cada caso. Na primeira base conjugada, a carga negativa
está sobre um átomo de carbono. Na segunda base conjugada, a carga
negativa está sobre um átomo de oxigênio. Para determinar qual delas é
mais estável, temos que considerar se esses elementos estão na mesma linha
ou na mesma coluna da tabela periódica (Figura 3.1).
FIGURA 3.1
Exemplos de elementos na mesma linha ou na mesma coluna da tabela periódica.
Por exemplo, C− e O− aparecem na mesma linha da tabela periódica.
Quando dois átomos estão na mesma linha, a eletronegatividade é o efeito
dominante. Lembre-se de que a eletronegatividade mede a afinidade de um
átomo em relação ao elétron (quanto o átomo está disposto a aceitar um
elétron novo), e a eletronegatividade aumenta ao longo de uma linha
(Figura 3.2). O oxigênio é mais eletronegativo que o carbono, por isso o
oxigênio é mais capaz de estabilizar a carga negativa. Portanto, um próton
sobre o oxigênio é mais ácido do que um próton sobre o carbono:
A história é diferente quando se comparam dois átomos na mesma
coluna da tabela periódica. Por exemplo, vamos comparar a acidez da água
e do sulfeto de hidrogênio:
FIGURA 3.2
Tendências da eletronegatividade na tabela periódica.
A fim de avaliar a acidez relativa dessas duas aubatâncias, desprotonamos
cada uma delas e comparamos as suas bases conjugadas:
Neste exemplo, estamos comparando O− e S−, que aparecem na mesma
coluna da tabela periódica. Neste caso, a eletronegatividade não é o efeito
dominante. Em vez disso, o efeito dominante é o tamanho (Figura 3.3). O
enxofre é maior do que de oxigênio e pode, portanto, estabilizar mais uma
carga negativa, espalhando a carga em um volume maior do espaço. Dessa
forma, HS− é mais estável do que HO− e, portanto, o H S é um ácido mais 2
forte do que o H2O. Pode-se verificar esta previsão, olhando para valores de
pK (o pK do H S é 7,0, enquanto o pK do H O é 15,7). a a 2 a 2
FIGURA 3.3
Competição de tendências na tabela periódica: tamanho versus eletronegatividade.
Para resumir, existem duas tendências importantes: eletronegatividade
(para comparação de átomos na mesma linha) e tamanho (para comparação
de átomos na mesma coluna).
DESENVOLVENDO A APRENDIZAGEM
3.5 AVALIAÇÃO DA ESTABILIDADE RELATIVA: FATOR 1 – ÁTOMO
APRENDIZAGEM
Compare os dois prótons que são mostrados na substância vista a seguir. Qual deles é mais
ácido?
SOLUÇÃO
A primeira etapa é desprotonar cada local e representar as duas bases conjugadas possíveis:
ETAPA 1
Representação das bases conjugadas.
ETAPA 2
Comparação da localização da carga em cada caso.
Vamos agora comparar as duas bases conjugadas e determinar qual delas é mais estável. A
primeira base conjugada tem uma carga negativa sobre o nitrogênio, enquanto a segunda base
conjugada tem uma carga negativa sobre o oxigênio. O nitrogênio e o oxigênio estão na mesma
linha da tabela periódica, de modo que a eletronegatividade é o fator determinante. O oxigênio
é mais eletronegativo que o nitrogênio e pode estabilizar melhor a carga negativa. Portanto, o
próton do oxigênio pode ser removido com maior facilidade do que o próton do nitrogênio.
ETAPA 3
A base conjugada mais estável corresponde ao próton mais ácido.
PRATICANDO
o que você aprendeu
3.13 Em cada substância vista a seguir, dois prótons são claramente identi cados. Determine
qual dos dois prótons é mais ácido.
APLICANDO
o que você aprendeu
3.14 O nitrogênio e o enxofre não estão nem na mesma linha, nem na mesma coluna da
tabela periódica. No entanto, você deve ser capaz de identi car qual dos prótons vistos a seguir é
mais ácido. Explique sua escolha:
é necessário PRATICAR MAIS? Tente Resolver os Problemas 3.45b, 3.47h, 3.51b,h,3.53
Ressonância. O segundo fator para comparar a estabilidade das bases
2. conjugadas é a ressonância. Para ilustrar o papel da ressonância na
estabilidade da carga, vamos considerar as estruturas do etanol e do
ácido acético:
A fim de comparar a acidez dessas duas substâncias, temos que desprotonar
cada uma delas e representar as bases conjugadas:
Em ambos os casos, a carga negativa está sobre o oxigênio. Portanto, o fator
1 não indica que o próton é mais ácido. Mas há uma diferença fundamental
entre essas duas cargas negativas. A primeira base conjugada não tem
estruturas de ressonância, enquanto a segunda base conjugada tem:
Neste caso, a carga está deslocalizada sobre os dois átomos de oxigênio.
Essa carga negativa estará mais estável do que uma carga negativa
localizada sobre um átomo de oxigênio:
Por essa razão, as substâncias que contêm uma ligação C=O
diretamente ao lado de um OH são em geral ligeiramente ácidas porque as
suas bases conjugadas são estabilizadas por ressonância:
Essas substâncias são chamadas de ácidos carboxílicos. O grupo R visto
anteriormente refere-se ao resto da molécula que não foi representada. Os
ácidos carboxílicos não são de fato muito ácidos se comparados com os
ácidos inorgânicos, como o H 2SO4 ou o HCl. Os ácidos carboxílicos são
considerados ácidos quando comparados com outras substâncias orgânicas.
A “acidez” dos ácidos carboxílicos destaca o fato de que a acidez é relativa.
DESENVOLVENDO A APRENDIZAGEM
3.6 AVALIAÇÃO DA ESTABILIDADE RELATIVA: FATOR 2 – RESSONÂNCIA
APRENDIZAGEM
Compare os dois prótons mostrados na substância vista a seguir. Qual deles é mais ácido?
SOLUÇÃO
Começamos representado as suas respectivas bases conjugadas:
ETAPA 1
Representação das bases conjugadas.
Na primeira base conjugada a carga está localizada sobre o nitrogênio:
ETAPA 2
Procurando a estabilização por ressonância.
Na segunda base conjugada, a carga é deslocalizada por ressonância:
A carga é distribuída ao longo dos dois átomos, N e O. A deslocalização da carga torna a espécie
mais estável e, portanto, esse próton é mais ácido:
ETAPA 3
A base conjugada mais estável corresponde ao próton mais ácido.
PRATICANDO
o que você aprendeu
3.15 Em cada substância vista a seguir dois prótons são claramente identi cados. Determine
qual dos dois prótons é mais ácido.
APLICANDO
o que você aprendeu
3.16 O ácido ascórbico (vitamina C) não contém um grupo ácido carboxílico tradicional, mas é,
no entanto, ainda bastante ácido (pKa = 4,2). Identi que o próton ácido e explique a sua
escolha, usando as estruturas de ressonância se necessário.
3.17 Na substância vista a seguir dois prótons são claramente identi cados. Determine qual
dos dois é mais ácido. Depois de comparar as bases conjugadas, você deve car preso na
seguinte pergunta: É mais estabilizador uma carga negativa ser distribuída ao longo de um
átomo de oxigênio e três átomos de carbono ou ser distribuída sobre dois átomos de oxigênio?
Represente todas as estruturas de ressonância de cada base conjugada e então dê uma olhada
nos valores de pKa listados na Tabela 3.1.
é necessário PRATICAR MAIS? Tente Resolver os Problemas 3.45a,3.46a,3.47b,e−g,
3.51c−f
3. Indução. Os dois fatores que examinamos até agora não explicam a
diferença de acidez entre o ácido acético e o ácido tricloroacético:
Qual a substância mais ácida? Para responder a essa pergunta sem a ajuda
de valores de pKa, temos que representar as bases conjugadas das duas
substâncias e, em seguida, compará-las:
O fator 1 não responde a pergunta porque a carga negativa está sobre o
oxigênio em ambos os casos. O fator 2 também não responde a pergunta,
porque há estruturas de ressonância que deslocalizam a carga por dois
átomos de oxigênio em ambos os casos. A diferença entre essas substâncias
é claramente os átomos de cloro. Lembre-se de que cada átomo de cloro
retira densidade eletrônica por indução:
O efeito líquido dos átomos de cloro é retirar densidade eletrônica para
longe da região carregada negativamente da substância, estabilizando desse
modo a carga negativa. Portanto, a base conjugada do ácido tricloroacético
é mais estável do que a base conjugada do ácido acético:
A partir disso, podemos concluir que o ácido tricloroacético é mais ácido:
Podemos verificar esta previsão, observando os valores de pK . Na verdade, a
podemos usar os valores de pKa para verificar o efeito individual de cada
Cl:
Observe a tendência. Com cada Cl adicional, a substância torna-se mais
ácido.
DESENVOLVENDO A APRENDIZAGEM
3.7 AVALIAÇÃO DA ESTABILIDADE RELATIVA: FATOR 3 – INDUÇÃO
APRENDIZAGEM
Identi que qual dos prótons vistos a seguir é mais ácido:
SOLUÇÃO
Comece representando as respectivas bases conjugadas:
ETAPA 1
Representação das bases conjugadas.
ETAPA 2
Procurando efeitos indutivos.
Na base conjugada do lado esquerdo, a carga é estabilizada pelos efeitos indutivos dos átomos
de úor situados nas proximidades. Em contraste, a base conjugada do lado direito carece desta
estabilização. Portanto, prevemos que a base conjugada do lado esquerdo é mais estável. E,
como resultado, podemos concluir que o próton perto dos átomos de úor será mais ácido:
ETAPA 3
A base conjugada mais estável corresponde ao próton mais ácido.
PRATICANDO
o que você aprendeu
3.18 Identi que o próton mais ácido em cada uma das substâncias vistas a seguir e explique
sua escolha:
3.19 Para cada par de substâncias vistas a seguir, identi que a substância que é mais ácida e
explique a sua escolha:
APLICANDO
o que você aprendeu
3.20 Considere a estrutura do ácido 2,3-dicloropropanoico:
Esta substância tem muitos isômeros constitucionais.
(a) Represente um isômero constitucional que é ligeiramente mais ácido e explique sua
escolha.
(b) Represente um isômero constitucional que é um pouco menos ácido e explique sua
escolha.
(c) Represente um isômero constitucional que é signi cativamente (pelo menos 10 ordens
de grandeza) menos ácido e explique sua escolha.
3.21 Considere os dois prótons destacados na substância vista a seguir:
Você espera que esses prótons sejam equivalentes, ou um próton é mais ácido do que o outro?
Explique sua escolha. (Sugestão: Pense cuidadosamente sobre a geometria no átomo de carbono
central.)
é necessário PRATICAR MAIS? Tente Resolver os Problemas 3.46b, 3.47c,3.51g 4. Orbitais. Os três fatores que examinamos até agora não explicam a
diferença de acidez entre os dois prótons destacados na substância vista
a seguir:
Represente as bases conjugadas para compará-las:
Em ambos os casos, a carga negativa está sobre um átomo de carbono, de
modo que o fator 1 não ajuda. Em ambos os casos, a carga não é
estabilizada por ressonância, de modo que o fator 2 não ajuda. Em ambos os
casos, não existem efeitos indutivos a considerar, de modo que o fator 3 não
ajuda. A resposta neste caso é obtida olhando-se para os estados de
hibridização dos orbitais que acomodam as cargas. Lembre-se do Capítulo
1, em que a hibridização de um carbono com uma ligação tripla é sp, a
hibridização de um carbono com uma ligação dupla é sp2 e a hibridização
de um carbono com todas as ligações simples é sp3. A primeira base
conjugada (na figura ao lado, à esquerda) tem uma carga negativa sobre um
átomo de carbono com hibridização sp2, enquanto a segunda base conjugada
(na figura ao lado, à direita) tem uma carga negativa sobre um átomo de
carbono com hibridização sp. O que essa diferença faz? Vamos rever
rapidamente as formas dos orbitais hibridizados (Figura 3.4).
FIGURA 3.4
Formas relativas dos orbitais hibridizados.
Um par de elétrons em um orbital híbrido sp é mantido mais próximo do
núcleo do que um par de elétrons em um orbital híbrido sp2 ou sp3. Como
resultado, os elétrons que estão localizados em uma orbital sp são
estabilizados por estarem perto do núcleo. Portanto, uma carga negativa
sobre um carbono com hibridização sp é mais estável que uma carga
negativa sobre um carbono com hibridização sp2:
Concluímos que um próton em uma ligação tripla será mais ácido do que
um próton em uma ligação dupla, que por sua vez irá ser mais ácido do que
um próton em um carbono com todas as ligações simples. Podemos
verificar essa tendência, olhando para os valores de pKa na Figura 3.5. Esses
valores de pK sugerem que esse efeito é muito significativo; o acetileno é a
de 19 ordens de grandeza mais ácido do que o etileno.
FIGURA 3.5
Valores de pK para o etano, o etileno e o acetileno. a
DESENVOLVENDO A APRENDIZAGEM
3.8 AVALIAÇÃO DA ESTABILIDADE RELATIVA: FATOR 4 – ORBITAIS
APRENDIZAGEM
Determine qual dos prótons identi cados a seguir é mais ácido:
SOLUÇÃO
Começamos representando as respectivas bases conjugadas:
ETAPA 1
Representação das bases conjugadas.
ETAPA 2
Análise do orbital que acomoda a carga em cada caso.
Em ambos os casos, a carga negativa está sobre um átomo de carbono, de modo que o fator 1
não ajuda. Em ambos os casos, a carga não é estabilizada por ressonância, de modo que o fator 2
não ajuda. Em ambos os casos, não existem efeitos indutivos a considerar, de modo que o fator 3
não ajuda. A resposta neste caso é obtida observando-se os estados de hibridização dos orbitais
que acomodam as cargas. A primeira base conjugada tem a carga negativa em um orbital
híbrido sp3, enquanto a segunda base conjugada tem a carga negativa em um orbital híbrido
sp2. Um orbital híbrido sp2 está mais próximo do núcleo do que um orbital híbrido sp3 e,
portanto, estabiliza melhor uma carga negativa. Assim, concluímos que o próton vinílico é mais
ácido:
ETAPA 3
A base conjugada mais estável corresponde ao próton mais ácido.
PRATICANDO
o que você aprendeu
3.22 Identi que qual das seguintes substâncias é mais ácida. Explique sua escolha.
3.23 Identi que o próton mais ácido em cada uma das substâncias vistas a seguir:
APLICANDO
o que você aprendeu
3.24 Aminas contêm ligações simples C —N, enquanto iminas contêm ligações duplas C—
N:
As aminas mais simples têm um pKa situado no intervalo entre 35 e 45. Com base nessas
informações, preveja qual a a rmação é mais provável de ser verdadeira, e explique o raciocínio
por trás da sua escolha:
(a) A maioria das iminas tem um pKa inferior a 35.
(b) A maioria das iminas tem um pKa superior a 45.
(c) A maioria das iminas tem um pKa no intervalo entre 35 e 45.
é necessário PRATICAR MAIS? Tente Resolver o Problema 3.45c
Ordenando os Fatores que Afetam a Estabilidade de
Cargas Negativas
Temos até agora examinado cada um dos quatro fatores que afetam a
estabilidade de cargas negativas. Temos agora que considerar a sua ordem
de prioridade – em outras palavras, qual o fator que tem precedência
quando dois ou mais fatores estão presentes?
De modo geral, a ordem de prioridade é a ordem em que os fatores
foram apresentados:
1. Átomo. A carga está sobre que átomo? (A comparação entre os átomos é
feita em termos de eletronegatividade e tamanho? Lembre-se da
diferença entre a comparação de átomos na mesma linha versus a
comparação de átomos na mesma coluna.)
2. Ressonância. Existe algum efeito de ressonância que torna uma base
conjugada mais estável do que a outra?
3. Indução. Existem efeitos indutivos que estabilizam uma das bases
conjugadas?
4. Orbital. Em que orbital encontramos a carga negativa para cada base
conjugada?
Uma maneira útil para lembrar a ordem desses quatro fatores é considerar a
primeira letra de cada fator, obtendo o seguinte dispositivo mnemônico:
ARIO.
Como exemplo, vamos comparar os prótons mostrados nas duas
substâncias vistas a seguir:
Comparamos essas substâncias representando as suas bases conjugadas:
FIGURA 3.6
Valores de pKa para o etanol e o etileno.
O fator 1 sugere que a primeira base conjugada é mais estável (o O− é
melhor do que o C−). No entanto, o fator 2 sugere que a segunda base
conjugada é mais estável (a ressonância delocaliza a carga). Isso nos deixa
com uma questão importante: Uma carga negativa é mais estável quando
está localizada em um átomo de oxigênio ou uma carga negativa é mais
estável quando está deslocalizada sobre dois átomos de carbono? A resposta
é: Em geral, o fator 1 vence o fator 2. Uma carga negativa é mais estável
sobre um oxigênio do que sobre dois átomos de carbono. Podemos verificar
esta afirmação, comparando os valores de pKa (Figura 3.6).
De fato, os valores de pK indicam que uma carga negativa sobre um a
átomo de oxigênio é 27 ordens de grandeza (um com vinte e sete zeros atrás
de vezes) mais estável do que uma carga negativa sobre dois átomos de
carbono.
Esse esquema de priorização (ARIO), frequentemente será útil, mas às
vezes pode produzir uma previsão errada. Em outras palavras, há muitas
exceções. Como um exemplo, compare as estruturas do acetileno e da
amônia:
Para determinar qual a substância mais ácida representamos as bases
conjugadas:
Ao comparar essas duas cargas negativas, existem dois fatores competindo.
O fator 1 sugere que a segunda base conjugada é mais estável (o N− é mais
estável do que o C−), mas o fator 4 sugere que a primeira base conjugada é
mais estável (um orbital híbrido sp pode estabilizar uma carga negativa
melhor do que um orbital híbrido sp3). Em geral, o fator 1 ganha dos outros.
Mas esse caso é uma exceção, e o fator 4 (orbitais) realmente predomina aqui. Neste caso, a carga negativa é mais estável no átomo de carbono,
embora o nitrogênio seja mais eletronegativo do que o carbono:
Na realidade, é por essa razão que o H − 2 N é frequentemente utilizado como
uma base para desprotonar uma ligação tripla:
Vemos a partir dos valores de pKa que o acetileno é 13 ordens de grandeza
mais ácido do que a amônia. Isso explica por que o H N− é uma base 2
adequada para desprotonar o acetileno.
Existem, obviamente, outras exceções ao sistema de prioridades ARIO,
mas a exceção anterior é a mais comum. Na maioria dos casos, seria uma
aposta segura aplicar os quatro fatores no esquema ARIO a fim de obter
uma avaliação qualitativa de acidez. Entretanto, para ter certeza, é sempre
melhor procurar valores de pKa e verificar a sua previsão.
DESENVOLVENDO A APRENDIZAGEM
3.9 AVALIAÇÃO DA ESTABILIDADE RELATIVA: TODOS OS QUATRO FATORES
APRENDIZAGEM
Determine qual dos dois prótons identi cados a seguir é o mais ácido e explique por quê:
SOLUÇÃO
Nós sempre começamos representando as respectivas bases conjugadas:
ETAPA 1
Representação das bases conjugadas.
Agora vamos considerar todos os quatro fatores (ARIO) na comparação da estabilidade dessas
cargas negativas:
ETAPA 2
Análise de todos os quatro fatores.
1. Átomo. Em ambos os casos, a carga está em um átomo de oxigênio,
de modo que este fator não ajuda.
2. Ressonância. A base conjugada à esquerda é estabilizada por
ressonância, enquanto a base conjugada à direita não. Com base
somente nesse fator, diríamos que a base conjugada do lado esquerdo
é a mais estável.
3. Indução. A base conjugada do lado direito tem um efeito indutivo
que estabiliza a carga, enquanto a base conjugada do lado esquerdo
não tem esse efeito. Com base somente nesse fator, diríamos que a
base conjugada à direita é mais estável.
4. Orbital. Este fator não ajuda.
Nossa análise revela uma competição entre dois fatores. Em geral, a ressonância irá vencer a
indução. Com base nisso, podemos prever que a base conjugada do lado esquerdo é mais
estável. Portanto, concluímos que o seguinte próton é mais ácido:
ETAPA 3
A base conjugada mais estável corresponde ao próton mais ácido.
PRATICANDO
o que você aprendeu
3.25 Em cada substância vista a seguir, dois prótons estão claramente identi cados.
Determine qual dos dois prótons é o mais ácido.
3.26 Para cada par de substâncias vistas a seguir, preveja qual é a mais ácida:
(a) HCI HBr
(b) H2O H2S
(c) NH3 CH4
APLICANDO
o que você aprendeu
3.27 A substância vista a seguir é um dos ácidos conhecidos mais forte:
(a) Explique por que ele é um ácido tão forte.
(b) Sugira uma modi cação na estrutura que tornaria a substância ainda mais ácida.
3.28 A anfotericina B é um poderoso agente antifúngico utilizado para o tratamento por via
intravenosa de graves infecções fúngicas. Identi que o próton mais ácido nesta substância:
é necessário PRATICAR MAIS? Tente Resolver os Problemas 3.47d, 3.51a,3.57-3.61