Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

David Klein · Capítulo 94 de 302

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Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

■ Falando de Modo Prático | O Sentido do Olfato

é necessário PRATICAR MAIS? Tente Resolver os Problemas 5.33, 5.34a,5.38a-f, i-l

 

falando

de modo O Sentido do Olfato

prático

 

Para que um objeto tenha odor é preciso que ele libere substâncias orgânicas no ar. A maioria

dos objetos metálicos e dos objetos feitos de plástico não libera moléculas no ar à temperatura

ambiente e são, portanto, inodoros. Especiarias, por outro lado, possuem odor acentuado

porque liberam muitas substâncias orgânicas. Essas substâncias penetram no nariz quando

inalamos, onde elas encontram receptores que detectam a sua presença. As substâncias ligam-

se a esses receptores, causando a transmissão de sinais nervosos interpretados pelo cérebro

como odor.

Uma substância especí ca pode ligar-se a diferentes receptores, criando um padrão que o

cérebro identi ca como um determinado odor. Substâncias diferentes geram padrões diferentes

nos possibilitando distinguir entre mais de 10.000 odores. Esse mecanismo tem muitas

características fascinantes. Em particular, substâncias enantioméricas geralmente ligam-se em

receptores diferentes criando, assim, padrões diferentes que são interpretados como odores

diferentes. Para compreender a razão disso, considere a seguinte analogia. A mão direita cabe

dentro de um saco de papel tanto quanto cabe a mão esquerda, pois o saco de papel não é 5.3 Atribuição da Configuração Utilizando o

quiral. Entretanto, uma mão direita não se ajusta tão bem a uma luva esquerda como esta se

ajustará à mão esquerda, porque a luva é quiral. De modo semelhante, se um receptor é quiral,

como geralmente é o caso, então podemos esperar que apenas um enantiômero de um par irá

se ligar a ele.

Como exemplo, a carvona tem um centro de quiralidade e tem, portanto, duas formas

enantioméricas:

 

Um enantiômero é responsável pelo odor de hortelã enquanto o outro pelo odor de

sementes de cominho. Para que detectemos odores diferentes é necessário que nossos

receptores sejam quirais. Isso ilustra o ambiente quiral do corpo humano (um mar de moléculas

quirais interagindo umas com as outras). Exploraremos em breve como a ação dos fármacos

também é determinada pela natureza quiral da maioria dos receptores biológicos.