Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)
2.11 Avaliação da Importância Relativa das Estruturas de Ressonância
2.32 Represente as estruturas de ressonância para cada uma das substâncias vistas a
seguir:
2.11 Avaliação da Importância Relativa das
Estruturas de Ressonância
Nem todas as estruturas de ressonância são igualmente significativas. Uma
substância pode ter muitas estruturas de ressonância válidas (estruturas que
não violam as duas regras), mas é possível que uma ou mais de uma das
estruturas seja insignificante. Para entender o que queremos dizer com
“insignificante”, vamos rever a analogia utilizada no início do capítulo para
explicar o conceito de ressonância.
Lembre-se da analogia em que misturamos a imagem de um pêssego
com a imagem de uma ameixa para obter uma imagem de uma nectarina
(Seção 2.7). Agora vamos modificar essa analogia levemente. Imagine que
criamos um novo tipo de fruta que é um híbrido entre três frutas: um
pêssego, uma ameixa e um kiwi. Suponha que o fruto híbrido hipotético
tenha as seguintes características: 65% de característica de pêssego, 34% de
característica de ameixa e 1% de característica de kiwi. Esse fruto híbrido
deve parecer quase exatamente com uma nectarina, porque a presença da
característica de kiwi é demasiadamente pequena para afetar a natureza do
híbrido resultante. Mesmo que o novo fruto seja na verdade um híbrido de todas as três frutas, vai parecer um híbrido somente de duas frutas, pois a
característica de kiwi presente é insignificante.
Um conceito semelhante existe quando se comparam as estruturas de
ressonância. Por exemplo, uma substância pode ter três estruturas de
ressonância, mas as três estruturas podem não contribuir igualmente para o
híbrido de ressonância global. Uma estrutura de ressonância pode ser a
maior contribuinte (como o pêssego), enquanto outra pode ser insignificante
(como o kiwi). A fim de compreender a verdadeira natureza da estrutura,
devemos ser capazes de comparar as estruturas de ressonância e determinar
que estruturas são os principais contribuintes e que estruturas não são
significativas.
Seguiremos três regras para a determinação do significado das
estruturas de ressonância:
1. Minimização das cargas. O melhor tipo de estrutura é aquele sem
nenhuma carga. É aceitável ter uma ou duas cargas, mas as estruturas
com mais de duas cargas devem ser evitadas, se possível. Compare os
dois casos a seguir:
As duas estruturas possuem um par isolado ao lado de uma ligação
dupla C=O. Assim, seria de esperar que essas substâncias tivessem o
mesmo número de estruturas de ressonância significativas. Mas elas não
têm. Vamos ver por quê. Considere as estruturas de ressonância da
primeira substância:
A primeira estrutura de ressonância é o maior contribuinte para o
híbrido de ressonância global porque não tem separação de cargas. As
outras duas representações têm separação de carga, mas há apenas duas
cargas em cada representação, por isso as duas estruturas de ressonância
são significativas. Elas podem não contribuir tanto como a primeira
estrutura de ressonância, mas elas ainda são significativas. Portanto,
esta substância tem três estruturas de ressonância significativas.
Agora, vamos tentar a mesma abordagem para a outra substância:
A primeira e a última estruturas são aceitáveis (cada uma tem apenas
uma carga), mas a estrutura de ressonância do meio tem cargas em
excesso. Essa estrutura de ressonância não é significativa e, portanto,
não contribuirá muito para o híbrido de ressonância global. É como o
kiwi em nossa analogia anterior. Essa substância tem apenas duas
estruturas de ressonância significativas.
Uma exceção notável a esta regra envolve substâncias contendo o
grupo nitro ( —NO2), que têm estruturas de ressonância com mais de
duas cargas. Por quê? Nós vimos anteriormente que a estrutura do grupo
nitro tem que ser representada com separação da carga a fim de evitar a
violação da regra do octeto:
Portanto, as duas cargas de um grupo nitro realmente não contam
quando estamos contando cargas. Considere o seguinte caso como
exemplo:
Se aplicarmos a regra de limitar a separação de carga para não mais de
duas cargas, então poderíamos dizer que a segunda estrutura de
ressonância anterior parece ter cargas demais para ser significativa.
Mas, na verdade ela é significativa porque as duas cargas associadas ao
grupo nitro não são incluídas na contagem. Consideramos a estrutura de
ressonância anterior como se ela só tivesse duas cargas; portanto, ela é
significativa.
2. Átomos eletronegativos, como N, O e Cl, podem ter uma carga positiva,
mas apenas se eles possuem um octeto de elétrons. Considere o
exemplo a seguir:
A segunda estrutura de ressonância é significativa, mesmo ela tendo
uma carga positiva no oxigênio. Por que? Porque o oxigênio carregado
positivamente tem um octeto de elétrons (três ligações mais um par de
elétrons = 6 + 2 = 8 elétrons). De fato, a segunda estrutura de
ressonância é ainda mais significativa do que a primeira estrutura de
ressonância. Podíamos ter raciocinado de outra maneira, pois a primeira
estrutura de ressonância tem uma carga positiva sobre o carbono, o que
é geralmente muito melhor do que ter uma carga positiva sobre um
átomo eletronegativo. No entanto, a segunda estrutura de ressonância é
mais significativa, porque todos os seus átomos alcançam um octeto. Na
primeira estrutura o oxigênio tem o seu octeto, mas, o carbono tem
apenas seis elétrons. Na segunda estrutura de ressonância, tanto o
oxigênio quanto o carbono têm um octeto, o que faz com que a estrutura
seja mais significativa, mesmo que a carga positiva esteja no oxigênio.
Aqui está outro exemplo, desta vez com a carga positiva no
nitrogênio:
Mais uma vez, a segunda estrutura é significativa, na realidade, ainda
mais significativa do que a primeira. Em resumo, as estruturas de
ressonância mais significativas são geralmente aquelas em que todos os
átomos têm um octeto.
3. Evitar a representação de uma estrutura de ressonância em que dois
átomos de carbono têm cargas opostas. Tais estruturas de ressonância
são geralmente insignificantes, por exemplo:
Neste caso, a terceira estrutura de ressonância é insignificante porque
tem tanto um C+ quanto um C−. A presença de átomos de carbono com
cargas opostas, estejam próximos uns dos outros (como no exemplo
anterior) ou distantes, torna a estrutura insignificante. Ao longo deste
livro, veremos apenas uma exceção a esta regra (no Problema 18.54).
DESENVOLVENDO A APRENDIZAGEM
2.8 REPRESENTANDO ESTRUTURAS DE RESSONÂNCIA SIGNIFICATIVAS
APRENDIZAGEM
Represente todas as estruturas de ressonância signi cativas da seguinte substância:
SOLUÇÃO
Começamos procurando qualquer um dos cinco padrões. Esta substância contém uma ligação
C =O (uma ligação π entre dois átomos com eletronegatividades diferentes) e podemos,
portanto, representar a seguinte estrutura de ressonância:
ETAPA 1
Identi cação de uma estrutura de ressonância usando os cinco padrões.
Esta estrutura de ressonância é válida, porque foi gerada usando um dos cinco padrões. No
entanto, tem cargas em excesso e é, portanto, não signi cativa. Em geral, tente evitar
representar estruturas de ressonância com três ou mais cargas.
Em seguida, olhamos a outra ligação C=O, e tentamos o mesmo padrão:
ETAPA 2
Identi cação se a estrutura de ressonância é signi cativa inspecionando o número de cargas e o
número de elétrons em heteroátomos.
Para determinar se essa estrutura de ressonância é signi cativa, temos três perguntas:
1. Será que esta estrutura tem um número aceitável de cargas? Sim, ela tem apenas uma carga
(no átomo de carbono), o que é perfeitamente aceitável.
2. Será que todos os átomos eletronegativos têm um octeto? Sim, os dois átomos de oxigênio
têm um octeto de elétrons.
3. Será que a estrutura não tem átomos de carbono com cargas opostas? Sim.
Esta estrutura de ressonância passa no teste e, portanto, é uma estrutura de ressonância
signi cativa.
Agora que encontramos uma estrutura de ressonância signi cativa, vamos analisá-la para
ver se qualquer um dos cinco padrões nos permitirá representar outra estrutura de ressonância.
Neste caso, há uma carga positiva ao lado de uma ligação π. Assim, traçamos uma seta curva,
gerando a seguinte estrutura de ressonância:
ETAPA 3
Repetição das etapas 1 e 2 para identi car quaisquer outras estruturas de ressonância
signi cativas.
Para determinar se a estrutura é signi cativa, primeiro veri camos se ela tem um número
aceitável de cargas. Ela tem apenas uma carga, o que é perfeitamente aceitável. Em seguida,
veri camos se todos os átomos eletronegativos têm um octeto. O átomo de oxigênio tendo a
carga positiva não tem um octeto de elétrons, o que não é aceitável e signi ca que esta
estrutura de ressonância não é signi cativa. Em resumo, esta substância tem a seguinte
estrutura de ressonância signi cativa:
PRATICANDO
o que você aprendeu
2.33 Represente todas as estruturas de ressonância signi cativas para cada uma das seguintes
substâncias:
APLICANDO