Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

David Klein · Capítulo 96 de 302

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Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

■ Medicamente Falando | Fármacos Quirais

5.11 O carbono não é o único elemento que pode funcionar como um centro de quiralidade.

No Problema 5.6 vimos um exemplo em que um átomo de fósforo é um centro de quiralidade.

Neste caso, o par isolado é sempre assinalado como a quarta prioridade. Fazendo uso dessa

informação, determine a con guração do centro de quiralidade dessa substância:

 

é necessário PRATICAR MAIS? Tente Resolver os Problemas 5.32, 5.39a-g,i, 5.45.

 

Atribuição da Configuração na Nomenclatura da IUPAC

Quando nomeamos uma substância quiral, a configuração do centro de

quiralidade é indicada no início do nome, em itálico e entre parênteses:

 

Quando múltiplos centros de quiralidade estão presentes, cada configuração

deve ser precedida por um localizador (um número) para indicar sua

localização na cadeia principal:

 

medicamente Fármacos Quirais

falando

Milhares de fármacos são comercializados ao redor do mundo. A origem desses

fármacos pode ser classi cada em três categorias:

 

1. produtos naturais – substâncias isoladas de fontes naturais, tais como plantas ou

bactérias,

 

2. produtos naturais que foram modi cados quimicamente em laboratório, ou

 

3. substâncias sintéticas (feitas inteiramente em laboratório).

 

A maioria dos fármacos obtidos de fontes naturais consiste em um único enantiômero. É

importante perceber que um par de enantiômeros raramente apresenta a mesma potência. Já

vimos em capítulos anteriores que a ação de um fármaco geralmente resulta da ligação desse

fármaco com um receptor. Se o fármaco se liga ao receptor em pelo menos três posições

(chamada ligação de três pontos), então um enantiômero do fármaco pode ser mais capaz de se

ligar com o receptor:

 

A primeira substância (à esquerda) pode se ligar ao receptor, enquanto o seu enantiômero (à

direita) não pode se ligar ao receptor. Por essa razão, enantiômeros raramente produzirão a

mesma resposta biológica. Como exemplo, considere os enantiômeros do ibuprofeno:

O ibuprofeno é um analgésico com propriedades anti-in amatórias. O enantiômero S é o agente

ativo, enquanto o enantiômero R é inativo. Entretanto, o ibuprofeno é comercializado como uma

mistura dos dois enantiômeros (sob os nomes comerciais de AdvilTM e MotrinTM), porque os

benefícios de separar os enantiômeros não estão claros. De fato, existem evidências de que o

organismo humano é capaz de lentamente converter o enantiômero R no desejado enantiômero

S. Muitos fármacos sintéticos são vendidos como uma mistura de enantiômeros em função do

alto custo associado à separação de enantiômeros.

Em muitos casos, enantiômeros podem dar início a respostas siológicas diferentes. Por

exemplo, considere os enantiômeros do timolol:

 

O enantiômero S é utilizado no tratamento de angina e pressão alta, enquanto o enantiômero R

é utilizado no tratamento de glaucoma. Neste exemplo, ambos os enantiômeros apresentam

resultados desejáveis, apesar de diferentes. Em outros casos, um enantiômero pode produzir

uma resposta indesejável. Por exemplo, os enantiômeros da penicilamina:

 

O enantiômero S foi utilizado para o tratamento de artrite crônica (até que outros fármacos mais

efetivos foram desenvolvidos), enquanto o enantiômero R é altamente tóxico. Neste caso, o

fármaco não pode ser comercializado como uma mistura de enantiômeros. Outro exemplo é o

naproxeno:

 

O enantiômero S é um agente anti-in amatório, enquanto o enantiômero R é tóxico para o

fígado.

 

Nesses casos, em que um enantiômero do fármaco é reconhecidamente tóxico, o fármaco é

vendido como um único enantiômero. Entretanto, a maioria dos fármacos no mercado é vendida

como misturas de enantiômeros. A FDA recentemente incentivou o desenvolvimento de

enantiômeros únicos ao permitir que as indústrias farmacêuticas depositem novas patentes que

englobam somente enantiômeros únicos de fármacos anteriormente comercializados como

misturas (desde que comprovadas as vantagens de um único enantiômero sobre a mistura de

enantiômeros). Avanços recentes na síntese enantiosseletiva (discutida na Seção 8.8) abriram

novos caminhos para a produção de fármacos com um único enantiômero. Isso se re ete no fato

de que a maioria dos fármacos que entram no mercado é comercializada como um único

enantiômero.