Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

David Klein · Capítulo 102 de 302

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Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

5.9 Resolução de Enantiômeros

portanto, enantiomérica; entretanto, essa substância é opticamente inativa,

porque as duas conformações se interconvertem rapidamente à temperatura

ambiente.

O procedimento visto a seguir será útil para determinar se uma

substância cíclica é opticamente ativa ou não: (1) Representamos a projeção

de Haworth para a substância ou simplesmente representamos um anel com

cunhas cheias e tracejadas para todos os substituintes e (2) procuramos por

um plano de simetria em qualquer uma dessas representações. Por exemplo,

o (cis)-1,2-dimeticiclo-hexano pode ser representado em qualquer uma das

seguintes maneiras:

 

Em cada representação, um plano de simetria é aparente, e a presença desse

plano de simetria indica que a substância é opticamente inativa à

temperatura ambiente.

 

5.9 Resolução de Enantiômeros

 

Como mencionamos anteriormente, enantiômeros têm as mesmas

propriedades físicas (ponto de ebulição, ponto de fusão, solubilidade etc.).

Como as técnicas tradicionais de separação baseiam-se na diferença de

propriedades físicas, elas não podem ser empregadas para separação de

enantiômeros. A resolução (separação) de enantiômeros pode ser realizada

de diversas maneiras.

Resolução via Cristalização

A primeira resolução de enantiômeros ocorreu em 1847, quando Pasteur

separou com sucesso sais enantioméricos do ácido tartárico. O ácido

tartárico é uma substância natural, opticamente ativa, encontrada em uvas e

facilmente obtida durante o processo de fabricação do vinho.

 

Apenas esse estereoisômero é encontrado na natureza, e ainda assim Pasteur

foi capaz de obter uma mistura racêmica de sais do ácido tartárico a partir

de uma fábrica de produtos químicos:

 

Os sais de tartarato foram cristalizados, e Pasteur observou que os cristais

apresentavam formas distintas, que eram imagens especulares um do outro,

não sobreponíveis. Utilizando apenas uma pinça, ele separou fisicamente os

cristais em dois grupos. Dissolveu os cristais de cada grupo em água e

analisou cada solução com um polarímetro, para descobrir que as suas

rotações específicas eram iguais em magnitude, mas diferentes no sinal.

Pasteur concluiu corretamente que as moléculas deveriam ser imagens especulares não sobreponíveis. Ele foi o primeiro a descrever moléculas

como tendo esta propriedade, de modo que é a ele creditada a descoberta da

relação entre enantiômeros.

A maioria das misturas racêmicas não é facilmente resolvida em cristais

que são imagens especulares, quando se faz uma cristalização. Assim,

outros métodos de resolução são necessários. Dois métodos comuns serão

discutidos agora.

 

Agentes Quirais de Resolução

Quando uma mistura racêmica é tratada com um único enantiômero de

outra substância, a reação resultante produz um par de diastereoisômeros

(em vez de enantiômeros).

 

À esquerda estão os enantiômeros da 1-feniletilamina. Quando a mistura

racêmica desses enantiômeros é tratada com ácido (S)-málico, uma reação

de transferência de próton produz sais diastereoisoméricos.

Diastereoisômeros têm diferentes propriedades físicas e podem, portanto,

ser separados por métodos convencionais (tal como cristalização). Uma vez

separados, os sais diastereoisoméricos podem ser então convertidos de volta

nos enantiômeros originais pelo tratamento com uma base. Assim, o ácido (S)-málico é dito ser um agente de resolução devido a ele tornar possível