Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

David Klein · Capítulo 197 de 302

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Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

■ Medicamente Falando | O Papel da Rigidez Molecular

medicamente

O Papel da Rigidez Molecular

falando

 

Como mencionado na abertura deste capítulo, a doença de Parkinson é uma

doença neurodegenerativa marcada por uma diminuição da produção de

dopamina no cérebro. Uma vez que a dopamina regula a função motora, a

diminuição da dopamina leva a uma redução do controle motor. Embora não haja nenhuma

cura para a doença de Parkinson, os sintomas podem ser tratados por vários métodos. A forma

mais e caz de tratamento consiste em administrar um fármaco chamado L-dopa, que é

convertido em dopamina no cérebro:

 

Esse método foi descrito anteriormente na Seção 9.7 e é e caz porque reabastece o

fornecimento de dopamina no cérebro. Outro método para aumentar os níveis de dopamina é

retardar a velocidade com que a dopamina é removida do cérebro. A dopamina é metabolizada

principalmente sob a in uência de uma enzima (um catalisador biológico), chamada

monoamina oxidase B (MAO B). Qualquer fármaco que torne a enzima inativa irá efetivamente

retardar a velocidade com que a dopamina é metabolizada, retardando assim a velocidade com

que diminuem os níveis de dopamina no cérebro. Infelizmente, uma enzima intimamente

relacionada, chamada MAO A, é utilizada para o metabolismo de outras substâncias, e qualquer

fármaco que inativa a MAO A provoca importantes efeitos colaterais cardiovasculares. Portanto,

a inativação seletiva da MAO B (mas não da MAO A) é necessária. O primeiro inibidor seletivo da

MAO B, chamado selegilina, foi aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) em 1989

para o tratamento da doença de Parkinson:

 

A selegilina, vendida sob o nome comercial EldeprylTM, é muitas vezes prescrita em combinação

com L-dopa. A combinação desses dois fármacos proporciona um método mais e caz para

combater a diminuição do fornecimento de dopamina no cérebro.

Observe que a estrutura da selegilina exibe uma ligação tripla C≡C, responsável por uma

função importante. Especi camente, a sua geometria linear confere rigidez estrutural para a

substância. O anel aromático do outro lado da substância também confere uma rigidez

estrutural e ambas as subunidades estruturais permitem que a substância se ligue

seletivamente a MAO B, fazendo com que a enzima que inativa. Ligações triplas aparecem em

vários outros fármacos aprovados pela FDA, em que elas frequentemente têm uma função

semelhante, de modo que para um fármaco se ligar ao seu receptor-alvo de forma e caz ele

tem que ter um equilíbrio adequado entre a rigidez estrutural e a exibilidade. Na concepção de

novos fármacos, as ligações triplas são algumas vezes usadas para alcançar esse equilíbrio.

Além dos alquinos encontrados na natureza, muitos alquinos sintéticos

 

(preparados no laboratório) são de particular interesse. Um exemplo é o

etinilestradiol, encontrado em muitas formulações de controle de

natalidade. Este contraceptivo oral sintético eleva os níveis hormonais nas

mulheres e impede a ovulação. A presença da ligação tripla torna essa

substância um contraceptivo mais potente do que o seu análogo natural, que

não possui uma ligação tripla. O efeito da tripla ligação é atribuído à rigidez

estrutural adicional que ela confere a substância (tal como descrito no boxe

sobre a rigidez molecular).