Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)
■ Medicamente Falando | O Papel da Rigidez Molecular
medicamente
O Papel da Rigidez Molecular
falando
Como mencionado na abertura deste capítulo, a doença de Parkinson é uma
doença neurodegenerativa marcada por uma diminuição da produção de
dopamina no cérebro. Uma vez que a dopamina regula a função motora, a
diminuição da dopamina leva a uma redução do controle motor. Embora não haja nenhuma
cura para a doença de Parkinson, os sintomas podem ser tratados por vários métodos. A forma
mais e caz de tratamento consiste em administrar um fármaco chamado L-dopa, que é
convertido em dopamina no cérebro:
Esse método foi descrito anteriormente na Seção 9.7 e é e caz porque reabastece o
fornecimento de dopamina no cérebro. Outro método para aumentar os níveis de dopamina é
retardar a velocidade com que a dopamina é removida do cérebro. A dopamina é metabolizada
principalmente sob a in uência de uma enzima (um catalisador biológico), chamada
monoamina oxidase B (MAO B). Qualquer fármaco que torne a enzima inativa irá efetivamente
retardar a velocidade com que a dopamina é metabolizada, retardando assim a velocidade com
que diminuem os níveis de dopamina no cérebro. Infelizmente, uma enzima intimamente
relacionada, chamada MAO A, é utilizada para o metabolismo de outras substâncias, e qualquer
fármaco que inativa a MAO A provoca importantes efeitos colaterais cardiovasculares. Portanto,
a inativação seletiva da MAO B (mas não da MAO A) é necessária. O primeiro inibidor seletivo da
MAO B, chamado selegilina, foi aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) em 1989
para o tratamento da doença de Parkinson:
A selegilina, vendida sob o nome comercial EldeprylTM, é muitas vezes prescrita em combinação
com L-dopa. A combinação desses dois fármacos proporciona um método mais e caz para
combater a diminuição do fornecimento de dopamina no cérebro.
Observe que a estrutura da selegilina exibe uma ligação tripla C≡C, responsável por uma
função importante. Especi camente, a sua geometria linear confere rigidez estrutural para a
substância. O anel aromático do outro lado da substância também confere uma rigidez
estrutural e ambas as subunidades estruturais permitem que a substância se ligue
seletivamente a MAO B, fazendo com que a enzima que inativa. Ligações triplas aparecem em
vários outros fármacos aprovados pela FDA, em que elas frequentemente têm uma função
semelhante, de modo que para um fármaco se ligar ao seu receptor-alvo de forma e caz ele
tem que ter um equilíbrio adequado entre a rigidez estrutural e a exibilidade. Na concepção de
novos fármacos, as ligações triplas são algumas vezes usadas para alcançar esse equilíbrio.
Além dos alquinos encontrados na natureza, muitos alquinos sintéticos
(preparados no laboratório) são de particular interesse. Um exemplo é o
etinilestradiol, encontrado em muitas formulações de controle de
natalidade. Este contraceptivo oral sintético eleva os níveis hormonais nas
mulheres e impede a ovulação. A presença da ligação tripla torna essa
substância um contraceptivo mais potente do que o seu análogo natural, que
não possui uma ligação tripla. O efeito da tripla ligação é atribuído à rigidez
estrutural adicional que ela confere a substância (tal como descrito no boxe
sobre a rigidez molecular).