Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)
13.4 Preparação de Álcoois Através de Redução
13.8 Identi que os reagentes que podem ser usados para realizar cada uma das seguintes
transformações:
(a) Para converter o 1-hexeno em um álcool primário
(b) Para converter o 3,3-dimetil-1-hexeno em um álcool secundário
(c) Para converter o 2-metil-1-hexeno em um álcool terciário
13.4 Preparação de Álcoois Através de
Redução
Nesta seção, vamos explorar um novo método para a preparação de álcoois.
Esse método envolve uma mudança no estado de oxidação, por isso vamos
demorar alguns instantes para entender os estados de oxidação e sua relação
com as cargas formais.
Estados de Oxidação
Um estado de oxidação refere-se a um método de contabilizar elétrons. No
Capítulo 1 desenvolvemos um método diferente para contabilizar elétrons
chamado carga formal. Para calcular a carga formal de um átomo, tratamos
todas as ligações daquele átomo como se elas fossem puramente covalentes
e vamos quebrá-las homoliticamente. Para o cálculo de estados de oxidação,
vamos fazer outra abordagem extrema. Tratamos todas as ligações como se
elas fossem puramente iônicas e vamos quebrá-las heteroliticamente, dando
cada par de elétrons para o átomo mais eletronegativo em cada caso. Cargas
formais e estados de oxidação, portanto, representam dois métodos
extremos de contabilizar elétrons. Na Figura 13.5, a carga formal do átomo
de carbono é igual a zero, uma vez que contamos quatro elétrons no átomo
de carbono central, o que é equivalente ao número de elétrons de valência
que se supõe que um átomo de carbono tenha. Em contraste, o mesmo átomo de carbono tem um estado de oxidação de –2, porque contamos seis
elétrons no átomo de carbono, o que é mais dois elétrons do que se supõe
que ele tenha.
FIGURA 13.5
Dois métodos diferentes de contabilizar elétrons: carga formal versus estado de oxidação.
Um átomo de carbono com quatro ligações nunca terá carga formal, mas
seu estado de oxidação pode variar entre –4 e +4.
A reação que envolve um aumento do estado de oxidação é chamada de
oxidação. Por exemplo, quando o metanol é convertido em formaldeído,
dizemos que o metanol foi oxidado. Ao contrário, uma reação que envolve
uma diminuição do estado de oxidação é chamada de redução. Por
exemplo, quando o formaldeído é convertido em metanol, dizemos que o formaldeído foi reduzido. Vamos começar a praticar identificando
oxidações e reduções.
DESENVOLVENDO A APRENDIZAGEM
13.3 IDENTIFICAÇÃO DE REAÇÕES DE OXIDAÇÃO E REDUÇÃO
APRENDIZAGEM
Na transformação vista a seguir, identi que se a substância foi oxidada, reduzida ou nenhuma
das duas.
SOLUÇÃO
Vamos nos concentrar no átomo de carbono em que ocorreu uma mudança, e determinar se o
estado de oxidação foi alterado como resultado da transformação. Vamos começar com o
material de partida.
ETAPA 1
Determinação do estado de oxidação do material de partida.
Cada ligação C —O é quebrada heteroliticamente, dando todos os quatro elétrons da ligação
C =O para o átomo de oxigênio. Cada ligação C—C não pode ser quebrada heteroliticamente,
porque C e C têm a mesma eletronegatividade. Para cada ligação C—C, basta dividir os
elétrons entre os dois átomos de carbono, a quebra da ligação homoliticamente. Isso deixa um
total de dois elétrons no átomo de carbono central. Comparamos este número com o número de
elétrons de valência que se supõe que um átomo de carbono tenha (quatro). No átomo de
carbono deste exemplo estão faltando dois elétrons. Portanto, ele tem um estado de oxidação
de +2.
ETAPA 2
Determinação do estado de oxidação do produto.
Agora analisamos o átomo de carbono no produto. O mesmo resultado é obtido: um estado
de oxidação de +2. Isso faz sentido, porque a reação simplesmente trocou uma ligação C=O por
duas ligações simples C—O. O estado de oxidação do átomo de carbono não se alterou
durante a reação e, portanto, o material de partida não foi oxidado nem reduzido.
ETAPA 3
Determinação se houve uma mudança no estado de oxidação.
PRATICANDO
o que você aprendeu
13.9 Em cada uma das seguintes transformações, identi que se o material de partida foi
oxidado, reduzido, ou se o estado de oxidação permaneceu inalterado. Tente encontrar a
resposta sem calcular os estados de oxidação, e depois use os cálculos para ver se a sua intuição
estava correta.
APLICANDO
o que você aprendeu
13.10 No Capítulo 9, aprendemos sobre adição de água a uma ligação π. Identi que se o
alqueno foi oxidado, reduzido ou não houve alteração do estado de oxidação.
(Sugestão: Primeiro olhe cada átomo de carbono separadamente, e depois olhe para a variação
líquida do alqueno como um todo.)
13.11 Na reação vista a seguir, determine se o alquino foi oxidado, reduzido ou não houve
alteração do estado de oxidação. Usando a resposta do problema anterior, tente encontrar a
resposta sem calcular os estados de oxidação, e depois use os cálculos para ver se a sua intuição
estava correta.
é necessário PRATICAR MAIS? Tente Resolver o Problema 13.62 Agentes de Redução
A conversão de uma cetona (ou aldeído) em um álcool é uma redução.
A reação requer um agente de redução, que é oxidado como um resultado
da reação. Nesta seção, vamos explorar três agentes de redução que podem
ser utilizados para converter uma cetona ou um aldeído em um álcool:
1. No Capítulo 9, aprendemos que um alqueno pode sofrer hidrogenação
na presença de um catalisador metálico, tal como platina, paládio ou
níquel. Uma reação semelhante pode ocorrer para as cetonas ou
aldeídos, embora condições mais drásticas sejam geralmente necessárias
(maior temperatura e pressão). Este processo funciona bem tanto para as
cetonas quanto para os aldeídos, muitas vezes com rendimentos muito
bons.
2. Boro-hidreto de sódio (NaBH ) é um outro agente de redução comum 4
que pode ser usado para reduzir cetonas ou aldeídos.
O boro-hidreto de sódio funciona como uma fonte de hidreto (H:−) e o
solvente funciona como a fonte de um próton (H+). O solvente pode ser
o etanol, metanol ou água. O mecanismo preciso desse processo foi
muito investigado e é um pouco complexo. No entanto, o Mecanismo
13.1 apresenta uma versão simplificada que será suficiente para os
nossos propósitos. A primeira etapa envolve a transferência de hidreto
para o grupo carbonila (a ligação C=O), e a segunda etapa é a
transferência de um próton.
MECANISMO 13.1 REDUÇÃO DE UMA CETONA OU DE UM ALDEÍDO COM
NaBH4
RELEMBRANDO
Para uma revisão dos fatores que afetam a nucleofilicidade, veja a Seção 6.7.
O hidreto (H:−), por si só, não é um bom nucleófilo, porque ele não é
polarizável. Como resultado, a reação anterior não pode ser realizada
usando-se NaH (hidreto de sódio). O NaH só funciona como uma base, e
não como um nucleófilo. Mas o NaBH4 funciona como um nucleófilo.
Especificamente, o NaBH4 funciona como um agente de liberação do
nucleófilo H:−.
O hidreto de alumínio e lítio (HAL) é um outro agente de redução
3. comum, e sua estrutura é muito semelhante à do NaBH4.
O hidreto de alumínio e lítio é geralmente abreviado quer como HAL quer
como LiAlH . Ele também é um agente de liberação de H:−, mas é um 4
reagente muito mais forte. Ele reage violentamente com a água e, portanto,
um solvente prótico não pode estar presente juntamente com o HAL no
frasco de reação. Inicialmente, a cetona ou o aldeído é tratada com HAL e,
a seguir, em uma etapa separada, a fonte de próton é adicionada ao frasco
de reação. A água (H2O) pode servir como uma fonte de prótons, apesar do
H O+ também poder ser usado como uma fonte de prótons: 3
Observe que o HAL e a fonte de prótons são apresentados como duas etapas
separadas. O mecanismo de redução com HAL (Mecanismo 13.2) é
semelhante ao mecanismo de redução com NaBH . 4
MECANISMO 13.2 REDUÇÃO DE UMA CETONA OU DE UM ALDEÍDO COM
HAL
Este mecanismo simplificado não leva em conta várias observações
importantes, tais como o papel do cátion de lítio (Li+). No entanto, um
tratamento completo do mecanismo de agentes de redução de hidreto está
fora do âmbito deste livro, e esta versão simplificada será suficiente.
Ambos, o NaBH4 e o HAL, irão reduzir cetonas ou aldeídos. Esses
agentes de liberação de hidreto oferecem uma vantagem significativa sobre
a hidrogenação catalítica na medida em que podemos reduzir seletivamente
um grupo carbonila na presença de uma ligação C=C. Considere o exemplo
visto a seguir.
Quando tratados com um agente de redução de hidreto, apenas o grupo
carbonila é reduzido. Ao contrário, a hidrogenação catalítica também irá
reduzir a ligação C =C, sob as mesmas condições necessárias para a
redução do grupo carbonila (alta temperatura e pressão). Por esta razão, os
agentes de redução de hidreto, tais como NaBH 4 e HAL, são geralmente
preferidos em relação a hidrogenação catalítica. Muitos reagentes de
redução de hidreto estão disponíveis comercialmente. Alguns são ainda
mais reativos do que o HAL e outros são ainda mais suaves do que o
NaBH . Muitos desses reagentes são derivados do NaBH e do HAL. 4 4
Cada grupo R pode ser um grupo alquila, um grupo ciano, um grupo alcóxi,
ou qualquer um de certo número de grupos. Escolhendo cuidadosamente os
três grupos R para serem doadores ou retiradores de elétrons, é possível
modificar a reatividade do reagente de hidreto. Centenas de diferentes
agentes de redução de hidreto estão disponíveis e cada um deles tem a sua
própria seletividade e vantagens. Por agora, vamos simplesmente
concentrar a nossa atenção sobre as diferenças entre o HAL e o NaBH 4.
Mencionamos que o HAL é muito mais reativo do que o NaBH . Como 4
resultado, o HAL é menos seletivo. O HAL irá reagir com um ácido
carboxílico ou um éster para produzir um álcool, mas o NaBH 4 não.
A PROPÓSITO
Muito embora o NaBH não reduza ésteres sob condições suaves, observou-se que, 4
algumas vezes, o NaBH4 é capaz de reduzir ésteres quando as condições empregadas são mais severas, tais como temperatura elevada.
O mecanismo para a redução do éster envolve a transferência de hidreto
duas vezes (Mecanismo 13.3).
MECANISMO 13.3 REDUÇÃO DE UM ÉSTER COM HAL
O HAL libera o hidreto para o grupo carbonila, mas, em seguida, a perda de
um grupo de saída faz com que o grupo carbonila seja refeito. Na presença
de HAL, o grupo carbonila recém-formado pode ser atacado pelo hidreto de
novo. O grupo de saída na segunda etapa do mecanismo é um íon metóxido,
que geralmente não é um grupo de saída bom. Por exemplo, o metóxido não
funciona como um grupo de saída em reações E2 ou S 2. A razão por que N
ele pode funcionar como um grupo de saída, neste caso, decorre da natureza
do intermediário após o primeiro ataque de hidreto. Esse intermediário tem
muita energia e já apresenta um átomo de oxigênio carregado
negativamente. Portanto, esse intermediário é capaz de ejetar o metóxido,
porque essa etapa não é proibitiva em termos de energia.
No Capítulo 21, do Volume 2, discutiremos esta reação em mais detalhe,
bem como o mecanismo para a reação de um ácido carboxílico com HAL.
DESENVOLVENDO A APRENDIZAGEM
13.4 REPRESENTAÇÃO DE UM MECANISMO E PREVISÃO DOS PRODUTOS DE
REDUÇÕES POR HIDRETO
APRENDIZAGEM
Represente o mecanismo e preveja o produto da reação que é vista a seguir.
SOLUÇÃO
O HAL é um agente de redução de hidreto e o material de partida é uma cetona. Quando agentes
de redução de hidreto reagem com uma cetona ou aldeído, o mecanismo é constituído por um
ataque nucleofílico, seguido por transferência de próton. Na primeira etapa, represente a
estrutura do HAL, e mostre um hidreto sendo liberado para o grupo carbonila. Não represente
simplesmente o H:− como reagente, porque o H:− não é nucleofílico por si só. Ele tem que ser
liberado pelo agente de redução (HAL). Represente a estrutura completa do HAL (mostrando
todas as ligações), e em seguida desenhe uma seta curva que mostre os elétrons vindos de uma
ligação Al—H e atacando o grupo carbonila.
ETAPAS 1 E 2
Representação das duas setas curvas que mostram a transferência de um hidreto e, em seguida,
a representação do íon alcóxido resultante.
Na segunda etapa do mecanismo, o íon alcóxido é protonado por uma
fonte de prótons, neste caso, a água.
ETAPA 3
Representação das duas setas curvas que mostram o íon alcóxido sendo protonado pela fonte de
prótons.
O produto é um álcool secundário, que é o que se espera da redução de
uma cetona.
PRATICANDO
o que você aprendeu
13.12 Represente um mecanismo e preveja o principal produto para cada reação vista a
seguir.