Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

David Klein · Capítulo 75 de 302

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Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

4.7 Análise Conformacional do Etano e do Propano

Propano

Considere os dois átomos de hidrogênio mostrados em vermelho na projeção

de Newman do etano (Figura 4.4). Esses dois átomos de hidrogênio parecem

estar separados por um ângulo de 60°. Esse ângulo é chamado ângulo de

diedro ou ângulo de torção. Esse ângulo de diedro muda conforme a ligação

C—C gira – por exemplo, se o carbono da frente gira no sentido horário,

enquanto o carbono detrás é mantido estacionário. O valor para o ângulo de

diedro entre dois grupos pode ser qualquer valor entre 0° e 180°. Portanto, há

um número infinito de possíveis conformações. No entanto, existem duas

conformações que requerem nossa atenção especial: a conformação de menor

energia e a conformação de maior energia (Figura 4.5). A conformação

alternada é a de mais baixa energia, enquanto a conformação eclipsada é a

de mais alta energia.

 

FIGURA 4.4

O ângulo de diedro entre dois átomos de hidrogênio em uma projeção de Newman do etano.

FIGURA 4.5

Conformações alternada e eclipsada do etano.

 

A diferença de energia entre as conformações alternada e eclipsada do etano é

12 kJ/mol, como mostrado no diagrama de energia na Figura 4.6. Observe

que todas as conformações alternadas do etano são degeneradas, isto é, todas

as conformações alternadas têm a mesma quantidade de energia. Da mesma

forma, todas as conformações eclipsadas do etano são degeneradas.

 

FIGURA 4.6

Um diagrama de energia mostrando a análise conformacional do etano.

 

RELEMBRANDO

Para uma revisão de orbitais moleculares ligante e antiligante, veja a Seção 1.8.

 

A diferença de energia entre as conformações alternada e eclipsada do

etano é chamada de tensão torcional (tensão de torção), e a sua causa tem

sido debatida ao longo dos anos. Com base em cálculos recentes de mecânica

quântica, acredita-se agora que a conformação alternada possui uma interação

favorável entre um OM ligante ocupado e um OM antiligante desocupado

(Figura 4.7).

FIGURA 4.7

Na conformação alternada ocorre uma sobreposição favorável entre um OM ligante e um OM antiligante.

 

Essa interação diminui a energia da conformação alternada. Essa

interação favorável só está presente na conformação alternada. Quando a

ligação C—C gira (indo de uma conformação alternada para uma

conformação eclipsada), a sobreposição favorável anterior é temporariamente

interrompida, causando um aumento de energia. No etano, esse aumento é de

12 kJ/mol. Uma vez que existem três interações separadas na conformação

eclipsada, é razoável atribuir 4 kJ/mol para cada par de H eclipsando (Figura

4.8).

Essa diferença de energia é significativa. À temperatura ambiente, uma

amostra de gás etano terá aproximadamente 99% das suas moléculas na

conformação alternada em um instante qualquer.

 

FIGURA 4.8

O aumento total de energia associado à conformação eclipsada do etano (em relação à conformação alternada) é de 12 kJ/mol.

 

FIGURA 4.9

Um diagrama de energia mostrando a análise conformacional do propano.

 

O diagrama de energia do propano (Figura 4.9) é muito semelhante ao do

etano, com exceção de que a tensão torcional é de 14 kJ/mol, em vez de 12

kJ/mol. Mais uma vez, observe que todas as conformações alternadas são

degeneradas, assim como todas as conformações eclipsadas.

Nós já atribuímos 4 kJ/mol para cada par de H eclipsando. Se nós

sabemos que a tensão torcional do propano é de 14 kJ/mol, então é razoável

atribuir 6 kJ/mol para a eclipse de um H e um grupo metila. Esse cálculo é

ilustrado na Figura 4.10.