Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

David Klein · Capítulo 222 de 302

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Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

■ Falando de Modo Prático | Combatendo Incêndios com Substâncias Químicas

A segunda etapa de propagação regenera um radical cloro, que continua a

reação em cadeia. Dessa maneira, cada molécula de CFC destrói milhares

de moléculas de ozônio. A consciência sobre os efeitos dos CFCs conduziu

ao seu banimento na maioria dos países em 1 de janeiro de 1996, como

parte de um tratado global sobre substâncias que afetam a camada de

ozônio, conhecido como Protocolo de Montreal. Como resultado, muitas

pesquisas foram direcionadas para encontrar substitutos, tais como as duas

classes de substâncias vistas a seguir.

Os hidroclorofluorocarbonos (HCFCs) são substâncias que possuem

pelo menos uma ligação C—H. A seguir são vistos alguns exemplos:

 

Acredita-se que essas substâncias sejam menos destrutivas para a camada

de ozônio, pois a ligação C —H permite que essas substâncias se

decomponham antes de alcançar a estratosfera. HCFC-22 e HCFC-141b

substituíram o CFC-11 na produção de espumas isolantes.

falando Combatendo Incêndios com Substâncias Químicas

de modo

prático

 

Como foi mencionado nos parágrafos de abertura deste capítulo, acredita-se que o processo de

combustão envolve radicais livres. Quando submetidas a calor excessivo, ligações simples em

substâncias orgânicas sofrem clivagem homolítica produzindo radicais, que, em seguida,

reagem com o oxigênio molecular em uma reação de acoplamento. Uma série de reações em

cadeia radicalares continua a ocorrer até que a maior parte das ligações C —C e C—H

tenham-se rompido e formado CO2 e H2O. Para que este processo em cadeia continue, o fogo

necessita de três ingredientes essenciais: combustível (tal como madeira, que é constituída de

substâncias orgânicas), oxigênio e calor. Para extinguir o fogo, temos que privá-lo de pelo

menos um desses três ingredientes. De modo alternativo, podemos também parar a reação em

cadeia radicalar destruindo os radicais intermediários.

Muitos reagentes podem ser utilizados para extinguir o fogo. Exemplos comuns

encontrados em pequenos extintores de incêndio são CO2, água e argônio. Uma descarga súbita

de CO2 ou argônio privará o fogo de oxigênio, enquanto a água priva o fogo de calor (absorvendo

o calor ao se evaporar ou ebulir).

Os reagentes mais poderosos usados na extinção de incêndios são chamados halons,

porque são substâncias orgânicas que contêm átomos de halogênio. Essas substâncias são

geralmente CFCs ou BFCs (bromo uorocarbonos). Aqui estão dois exemplos de halons bastante

utilizados como agentes supressores do fogo:

 

Halons são extremamente e cientes, porque eles combatem o fogo de três maneiras diferentes:

1. Halons são gases, de modo que uma descarga súbita de halon gasoso privará o fogo de

oxigênio.

 

2. Halons absorvem calor e sofrem clivagem homolítica:

 

Absorvendo calor, eles privam o fogo de um de seus ingredientes principais.

 

3. A clivagem homolítica de ligação resulta na formação de radicais livres, que podem então

se acoplar com os radicais participantes da reação em cadeia, terminando assim o

processo:

 

Halons são, portanto, capazes de acelerar a velocidade das etapas de terminação, de modo que

elas competem com as etapas de propagação.

Por todas essas razões halons são extremamente e cientes como agentes de combate ao

fogo, e foram amplamente utilizados nas últimas três décadas. Halons apresentam ainda a

vantagem de não deixar quaisquer resíduos após o seu uso, o que os torna particularmente úteis

no combate a incêndios envolvendo equipamentos eletrônicos sensíveis ou documentos.

Infelizmente, tem sido mostrado que os halons contribuem para a diminuição da camada de

ozônio, e sua produção está atualmente proibida após o Protocolo de Montreal. A proibição é

apenas para a produção, de modo que o uso dos estoques já existentes de gases halon é

permitido. Esses estoques têm sido utilizados em situações especiais envolvendo equipamentos

sensíveis, tais como aviões e centrais de controle. Para todas as outras situações os gases halon

foram substituídos por gases alternativos que não contribuem para a diminuição da camada de

ozônio, mas são menos efetivos no combate ao fogo. Um exemplo é o FM-200.

Hidrofluorocarbonos (HFCs) são substâncias que contêm apenas

 

carbono, flúor e hidrogênio (não possuem cloro). A seguir são vistos alguns

exemplos:

 

Acredita-se que os HFCs não contribuem para a diminuição da camada de

ozônio, uma vez que eles não contêm cloro e, portanto, não produzem

radicais cloro. Entretanto, acredita-se que eles contribuam para o aquecimento global. O HFC-134a tem substituído o CFC-12 em sistemas de