Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)
13.13 Estratégias de Síntese
Esse processo envolve duas etapas. Na primeira etapa, a ubiquinona é
reduzida a uma hidroquinona. Na segunda etapa, a hidroquinona é oxidada
para regenerar a ubiquinona. Dessa forma, a ubiquinona não é consumida
no processo. Ela é um catalisador para a conversão de oxigênio molecular
em água, uma etapa crítica na quebra das moléculas de alimento para liberar
a energia armazenada em suas ligações químicas. O bioquímico britânico
Peter Mitchell foi agraciado com o Prêmio Nobel de 1978 em Química pela
descoberta do papel que desempenham as ubiquinonas na produção de
energia (síntese de ATP).
13.13 Estratégias de Síntese
Lembre-se do Capítulo 12, com duas questões a considerar ao propor uma
síntese:
1. Uma mudança na cadeia carbônica
2. Uma alteração no grupo funcional Neste capítulo, aprendemos diversas ferramentas valiosas para lidar com
essas duas questões. Vamos nos concentrar em uma de cada vez.
Interconversão de Grupos Funcionais
No Capítulo 12, vimos como interconverter ligações triplas, ligações duplas
e ligações simples (Figura 13.9).
FIGURA 13.9
Um mapa mostrando as reações que permitem a interconversão entre os alcanos, alquenos e alquinos.
Neste capítulo, aprendemos a interconverter entre cetonas e álcoois
secundários. Este nível de controle será muito importante mais tarde,
quando veremos muitas reações envolvendo substâncias contendo grupos
carbonílicos.
Os álcoois primários e os aldeídos podem também ser interconvertidos.
O PCC é usado no lugar do ácido crômico para converter um álcool em um
aldeído.
Vamos agora combinar algumas reações importantes que temos visto nos
capítulos anteriores em um mapa que vai nos ajudar a organizar grupos de
reações que interconvertem grupos funcionais. Vamos nos concentrar em
seis grupos funcionais destacados na Figura 13.10. Esses seis grupos
funcionais foram separados em classes, com base no estado de oxidação. A
conversão de um grupo funcional a partir de uma classe para outra é uma
redução ou uma oxidação. Por exemplo, a conversão de um alcano em um
haleto de alquila é uma reação de oxidação. Em contraste, a interconversão
de grupos funcionais dentro de uma classe não é nem uma oxidação nem
uma redução. Por exemplo, a conversão de um álcool em uma haleto de
alquila não envolve uma mudança no estado de oxidação.
FIGURA 13.10
Um diagrama mostrando seis diferentes grupos funcionais e seus estados de oxidação relativos. A interconversão entre alquenos, álcoois e haletos de alquila não constitui oxidação ou redução.
Temos visto muitos reagentes que permitem interconverter grupos
funcionais, tanto dentro de uma classe quanto em classes diferentes
(oxidação/redução). Esses reagentes são mostrados na Figura 13.11. Vale a
pena gastar o seu tempo para estudar a Figura 13.11 com cuidado, pois ela
resume muitas das reações importantes que temos visto até agora. Observe
que cada um dos grupos funcionais pode ser convertido em quaisquer dos
outros grupos funcionais. Algumas conversões podem ser feitas em uma
etapa, tal como a conversão de um álcool em uma cetona. Outras
conversões requerem etapas múltiplas, tais como a conversão de um alcano
em uma cetona. Ter uma imagem mental clara desta figura será
extremamente útil na resolução de problemas de síntese. Vamos ver um
exemplo.
FIGURA 13.11
Um mapa de reações para a interconversão entre alcanos, alquenos, alquinos, haletos de alquila, álcoois, aldeídos e cetonas.
DESENVOLVENDO A APRENDIZAGEM
13.8 CONVERSÃO DE GRUPOS FUNCIONAIS
APRENDIZAGEM
Proponha uma síntese plausível para a transformação vista a seguir.
SOLUÇÃO
Neste exemplo, o reagente e o produto têm a mesma cadeia carbônica e diferem apenas na
identidade do grupo funcional. O reagente tem uma ligação dupla carbono-carbono, enquanto o
produto tem uma ligação dupla carbono-oxigênio (um grupo carbonila). É sempre preferível
realizar uma transformação com o menor número de etapas possível, de modo que primeiro nós
consideramos se há uma única etapa que vai realizar essa transformação. Como vimos na Figura
13.11, ainda não discutimos um método de uma etapa para atingir a desejada transformação.
Portanto, temos de considerar se o reagente pode ser convertido no produto utilizando uma
síntese de duas etapas. A Figura 13.11 mostra duas rotas possíveis.
A primeira rota passa através do álcool, e a segunda rota passa através de um alquino. Portanto,
existem (pelo menos) duas respostas perfeitamente aceitáveis para esse problema.
PRATICANDO
o que você aprendeu
13.24 Proponha uma síntese e ciente para cada uma das transformações vistas a seguir.
APLICANDO
o que você aprendeu
13.25 Mostre através de pelo menos dois métodos diferentes a preparação de 1-metilciclo-
hexeno a partir de 1-metilciclo-hexanol.
13.26 Usando os reagentes de sua escolha, mostre como você iria converter álcool terc-butílico
em 2-metil-1-propanol.
é necessário PRATICAR MAIS? Tente Resolver os Problemas 13.35,13.39, 13.48,13.51
Formação de Ligação C—C
Neste capítulo, aprendemos uma nova maneira para formar ligações C—C,
utilizando a reação entre um reagente de Grignard e de uma cetona ou
aldeído.
Vimos também que um reagente de Grignard irá atacar um éster duas vezes
para formar um álcool. Nesta reação, duas novas ligações C —C foram
formadas.
Uma reação de Grignard realiza mais do que apenas a formação de uma
ligação C—C, mas ela também reduz o grupo carbonila a um álcool no
processo. Agora, considere as seguintes duas etapas: suponha uma reação
de Grignard com um aldeído e, em seguida, a oxidação de volta a uma
cetona.
O resultado líquido destas duas etapas é a conversão de um aldeído em uma
cetona. Isto é muito útil, porque nós ainda não vimos uma maneira de
converter aldeídos em cetonas.
VERIFICAÇÃO CONCEITUAL
13.27 Identi que os reagentes que você precisa para realizar cada uma das transformações
vistas a seguir.
Transformações de Grupos Funcionais e Formação de
Ligação C—C
Nesta seção final do capítulo, vamos combinar o que aprendemos nas duas
seções anteriores e trabalhar em problemas de síntese que envolvem a
interconversão de grupos funcionais e a formação da ligação C —C.
Lembre do Capítulo 12 que é muito útil para abordar um problema de
síntese e trabalhar de forma direta bem como trabalhar para trás (análise
retrossintética). Nós vamos usar todas essas ferramentas no exemplo visto a
seguir.
DESENVOLVENDO A APRENDIZAGEM
PROPOSTA DE UMA SÍNTESE
13.9APRENDIZAGEM
Proponha uma síntese e ciente para a transformação vista a seguir.
SOLUÇÃO
Sempre abordamos um problema de síntese, inicialmente fazendo duas perguntas.
1. Há uma alteração na cadeia carbônica? Sim, a cadeia carbônica aumentou de tamanho de
um átomo de carbono.
2. Existe uma variação nos grupos funcionais? Sim, o material de partida tem uma ligação
tripla, e o produto tem um grupo carbonila.
Para introduzir um átomo de carbono, precisamos usar uma reação que forma uma ligação C
—C. Até agora, aprendemos a formar uma ligação C—C por alquilação de um alquino
(Seção 10.10), e pelo uso de um reagente de Grignard para o ataque a um grupo carbonila.
Desde que a nossa matéria-prima é um alquino terminal, vamos primeiro tentar a alquilação do
alquino e ver onde isso nos leva.
Nossa primeira estratégia proposta é alquilar o alquino e então hidratar a ligação tripla.
É sempre crítico analisar qualquer estratégia proposta e certi car-se de que a regioquímica e a
estereoquímica de cada etapa estão corretas. Esta estratégia particular não tem nenhum
problema de estereoquímica (não existem centros de quiralidade ou alquenos
estereoisoméricos). No entanto, a regioquímica é problemática. Há uma falha séria com a
segunda etapa (a hidratação do alquino para dar uma cetona). Especi camente, não é possível
controlar o resultado regioquímico dessa reação. Essa etapa provavelmente irá produzir uma
mistura de duas possíveis cetonas (2-pentanona e 3-pentanona). Isso representa uma falha
crítica. Não podemos propor uma síntese em que não temos nenhum controle sobre a
regioquímica de uma das etapas. Todas nossas etapas devem conduzir ao produto desejado
como produto principal.
Na estratégia que falhou anteriormente, procurou-se formar a ligação C—C por meio da
alquilação de um alquino. Assim, vamos agora nos concentrar no nosso segundo método de
formação de uma ligação C—C, utilizando um reagente de Grignard para o ataque a um grupo
carbonila. Em outras palavras, as duas últimas etapas da nossa síntese poderiam ser conforme é
visto a seguir:
Agora estamos usando uma abordagem retrossintética para este problema, após a
abordagem direta ter provado ser infrutífera. Especi camente, reconhecemos que o produto
nal pode ser obtido a partir de um aldeído por meio de um processo de duas etapas. Agora só
precisamos fazer a ponte entre o material de partida e o aldeído, o que pode ser realizado
através da hidroboração-oxidação.
Essa estratégia proposta apresenta a regioquímica correta para cada etapa. Nossa resposta é:
PRATICANDO
o que você aprendeu
13.28 Proponha uma síntese e ciente para cada uma das transformações vistas a seguir.