Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

David Klein · Capítulo 77 de 302

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Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

■ Medicamente Falando | Fármacos e Suas Conformações

4.21 Compare as três conformações alternadas do etilenoglicol. A conformação anti do

etilenoglicol não é a conformação de menor energia. As outras duas conformações alternadas têm

realmente menos energia do que a conformação anti. Sugira uma explicação.

 

é necessário PRATICAR MAIS? Tente Resolver os Problemas 4.47, 4.59

 

medicamente

Fármacos e Suas Conformações

falando

 

Lembre-se do Capítulo 2 de que um fármaco vai se ligar a um receptor biológico se

o fármaco possuir um arranjo tridimensional especí co dos grupos funcionais,

chamado de farmacóforo. Por exemplo, o farmacóforo da mor na é mostrado ao

lado em vermelho.

A mor na é uma molécula muito rígida, pois ela tem muito poucas ligações que sofrem

 

rotação livre. Como resultado, o farmacóforo está xo. Em contraste, as moléculas exíveis são

capazes de adotar uma variedade de conformações, e apenas algumas dessas conformações

podem se ligar ao receptor. Por exemplo, a metadona tem muitas ligações simples, cada uma das

quais sofre rotação livre (veja ao lado).

A metadona é utilizada para o tratamento de viciados em heroína sofrendo de sintomas de

abstinência. A metadona se liga ao mesmo receptor que a heroína, e acreditase que a conformação

ativa é aquela em que a posição dos grupos funcionais corresponde ao farmacóforo da heroína (e

mor na):

Outras conformações, mais abertas da metadona são provavelmente incapazes de se ligar ao

receptor.

Isso explica como é possível que uma droga produza vários efeitos siológicos. Em muitos

casos, uma conformação se liga a um receptor, enquanto outra conformação se liga a um receptor

totalmente diferente. Flexibilidade conformacional é, portanto, um aspecto importante para o

estudo de como os fármacos se comportam em nossos corpos.

 

Como foi mencionado na abertura deste capítulo, a exibilidade conformacional recebeu

recentemente muita atenção na concepção de novas substâncias para o tratamento de infeções

virais. Para tratar os sintomas de um vírus, é preciso estudar a estrutura e comportamento desse

vírus em particular e, em seguida, conceber fármacos que interferem com as principais etapas do

processo de replicação desse vírus.

A maioria das pesquisas antivirais tem sido centrada na criação de fármacos para tratar as

infeções virais que são fatais, como o HIV. Muitos fármacos anti-HIV foram desenvolvidos ao longo

das últimas décadas. No entanto, esses fármacos não são 100% e cazes porque o HIV pode sofrer

mutações genéticas que efetivamente alteram a geometria da cavidade onde se acredita que os

fármacos se liguem. A nova cepa do vírus é então resistente aos fármacos, porque os fármacos não

podem se ligar com seus receptores-alvo.

Uma nova classe de substâncias, mostrando exibilidade conformacional, parece fugir do

problema da resistência aos fármacos. Um exemplo, chamado rilpivirina, apresenta cinco ligações

simples cuja rotação conduz a uma mudança conformacional:

 

As ligações mostradas em vermelho podem sofrer rotação sem um aumento signi cativo de

energia, tornando a substância muito exível. A exibilidade da rilpivirina lhe permite ligar-se ao

receptor desejado e tolerar alterações na geometria da cavidade resultantes da mutação do vírus.

Dessa forma, a rilpivirina faz com que seja mais difícil que o vírus desenvolva resistência a ela.

A rilpivirina foi aprovada pelo FDA (Food and Drug Administration, EUA) em 2011.

Substâncias como a rilpivirina mudaram a forma como os cientistas abordam a concepção de

fármacos antivirais. Agora está claro que a exibilidade conformacional desempenha um papel

importante na concepção de fármacos e cazes.