Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

David Klein · Capítulo 14 de 302

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Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

1.8 Teoria do Orbital Molecular

ligações simples são ligações σ.

 

FIGURA 1.13

A sobreposição dos orbitais atômicos 1s de dois átomos de hidrogênio formando o hidrogênio molecular (H ). 2

 

FIGURA 1.14

Ilustração de uma ligação sigma mostrando a simetria circular com respeito ao eixo de ligação.

 

1.8 Teoria do Orbital Molecular

 

Na maioria das situações, a teoria da ligação de valência será suficiente para

os nossos propósitos. No entanto, haverá casos nos próximos capítulos, em

que a teoria da ligação de valência será inadequada para descrever as observações. Nesses casos, vamos utilizar a teoria do orbital molecular, uma

abordagem mais sofisticada para ver a natureza das ligações.

Muito parecida com a teoria da ligação de valência, a teoria do orbital

molecular (OM) também descreve uma ligação em termos da interferência

construtiva entre dois orbitais atômicos que se sobrepõem. No entanto, a

teoria OM vai um passo além e usa a matemática como uma ferramenta

para explorar as consequências da sobreposição dos orbitais atômicos. O

método matemático é chamado de combinação linear de orbitais atômicos

(CLOA). De acordo com essa teoria, orbitais atômicos são

matematicamente combinados para produzir novos orbitais, chamados

orbitais moleculares.

É importante entender a distinção entre orbitais atômicos e orbitais

moleculares. Ambos os tipos de orbitais são utilizados para acomodar

elétrons, mas um orbital atômico é uma região do espaço associado a um

átomo individual, enquanto um orbital molecular está associado a uma

molécula inteira. Isto é, a molécula é considerada uma única entidade

mantida junta pelas muitas nuvens eletrônicas, algumas das quais podem

realmente se estender por todo o comprimento da molécula. Esses orbitais

moleculares são preenchidos com elétrons em uma determinada ordem de

forma muito parecida como os orbitais atômicos são preenchidos.

Especificamente, os elétrons primeiro ocupam os orbitais de mais baixa

energia, com um máximo de dois elétrons por orbital. A fim de visualizar o

que significa para um orbital estar associado a uma molécula inteira, iremos

explorar duas moléculas: hidrogênio molecular (H2) e bromometano

(CH3Br).

Considere a ligação formada entre os dois átomos de hidrogênio no

hidrogênio molecular. Essa ligação é o resultado da sobreposição de dois

órbitais atômicos (orbitais s), cada um dos quais é ocupado por um elétron.

De acordo com a teoria OM, quando dois orbitais atômicos se sobrepõem, eles deixam de existir. Eles são substituídos por dois orbitais moleculares,

cada um dos quais está associado à molécula inteira (Figura 1.15).

No diagrama de energia mostrado na Figura 1.15, os orbitais atômicos

individuais são representados à direita e à esquerda, com cada orbital

atômico com um elétron. Esses orbitais atômicos são combinados

matematicamente (utilizando o método CLOA) para produzir dois orbitais

moleculares. O orbital molecular de menor energia, ou OM ligante, é o

resultado da interferência construtiva dos dois orbitais atômicos originais. O

orbital molecular de maior energia, ou OM antiligante, é o resultado da

interferência destrutiva. Observe que o OM antiligante tem um nó, o que

explica por que a sua energia é maior. Os dois elétrons ocupam o OM

ligante de modo a alcançar um estado de menor energia. Essa diminuição de

energia é a essência da ligação. Para uma ligação H —H, a redução de

energia é equivalente a 436 kJ/mol. Essa energia corresponde a força de

ligação de uma ligação H—H (como mostrado na Figura 1.2).

 

FIGURA 1.15

Um diagrama de energia mostrando os níveis de energia relativos dos orbitais moleculares ligante e antiligante.

FIGURA 1.16

Um orbital molecular de baixa energia do CH Br. As regiões vermelha e azul indicam as 3

fases diferentes, conforme descrito na Seção 1.6. Observe que este orbital molecular está associado a uma molécula inteira, em vez de estar associado a dois átomos específicos.

 

Agora vamos considerar uma molécula como CH3Br, que contém mais

do que uma ligação. A teoria da ligação de valência continua a ver cada

ligação separadamente, com cada ligação sendo formada a partir de dois

orbitais atômicos que se sobrepõem. Ao contrário, a teoria OM trata os

elétrons de ligação como estando associados à molécula inteira. A molécula

tem muitos orbitais moleculares, cada um dos quais pode ser ocupado por

dois elétrons. A Figura 1.16 ilustra um dos muitos orbitais moleculares do

CH Br. Este orbital molecular é capaz de acomodar até dois elétrons. As 3

regiões vermelha e azul indicam as fases diferentes, conforme descrito na

Seção 1.6. Como vimos com o hidrogênio molecular, nem todos os orbitais

moleculares serão ocupados. Os elétrons de ligação irão ocupar os orbitais

moleculares de menores energias (tal como o que é mostrado na Figura

1.16), enquanto os orbitais moleculares de energias mais elevadas

permanecem desocupados. Para todas as moléculas, dois dos seus orbitais

moleculares serão de particular interesse: (1) o orbital de mais alta energia

entre os orbitais ocupados, chamado HOMO (highest occupied molecular

orbital – orbital molecular ocupado mais alto), e (2) o orbital de mais

baixa energia entre os orbitais desocupados, chamado LUMO (lowest

unoccupied molecular orbital – orbital molecular desocupado mais

baixo). Por exemplo, no Capítulo 7, vamos explorar uma reação em que o CH 3Br é atacado por um íon hidróxido (HO−). A fim de que este processo