Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)
1.6 Orbitais Atômicos
orgânicos quando eles se comunicam uns com os outros, no entanto, essas ilustrações muitas
vezes podem ser úteis para os alunos que estão aprendendo química orgânica. Mapas de
potencial eletrostático são gerados através de uma série de cálculos. Especi camente, uma
carga positiva pontual imaginária é posicionada em vários locais e, para cada local, calculamos a
energia potencial associada à atração entre a carga pontual positiva e os elétrons ao seu redor.
Uma atração forte indica uma região de δ−, enquanto uma atração fraca indica uma região de
δ+. Os resultados são então ilustrados usando-se cores, como mostrado na gura.
Uma comparação de dois mapas de potencial eletrostático quaisquer só é válida se os dois
mapas foram produzidos utilizando-se a mesma escala de cor. Ao longo deste livro, foi tomado
cuidado para usar a mesma escala de cor sempre que dois mapas são comparados diretamente
entre si. No entanto, não será útil comparar dois mapas de páginas diferentes deste livro (ou de
qualquer outro livro), pois as escalas de cor exatas provavelmente são diferentes.
1.6 Orbitais Atômicos
Mecânica Quântica
Na década de 1920, o vitalismo havia sido descartado. Os químicos estavam
cientes do isomerismo constitucional e tinham desenvolvido a teoria
estrutural da matéria. O elétron tinha sido descoberto e identificado como o
responsável pelas ligações, e as estruturas de Lewis eram usadas para
acompanhar os elétrons compartilhados e não compartilhados. Mas a
compreensão sobre os elétrons estava prestes a mudar drasticamente.
Em 1924, o físico francês Louis de Broglie sugeriu que os elétrons, até
então considerados como partículas, também exibiam propriedades
ondulatórias. Com base nesta afirmação, surgiu uma nova teoria da matéria.
Em 1926, Erwin Schrödinger, Werner Heisenberg e Paul Dirac propuseram,
independentemente, uma descrição matemática do elétron, que incorporou
suas propriedades ondulatórias. Essa nova teoria, chamada mecânica
ondulatória, ou mecânica quântica, mudou radicalmente a forma como vemos a natureza da matéria e lançou as bases para o nosso entendimento
atual sobre os elétrons e as ligações.
A mecânica quântica está profundamente enraizada na matemática e é
ela própria uma área de estudo. A matemática envolvida está além do
escopo deste livro e não vamos discuti-la aqui. No entanto, a fim de
compreender a natureza dos elétrons é fundamental entender alguns
conceitos simples da mecânica quântica:
• Uma equação é construída para descrever a energia total de um
átomo de hidrogênio (isto é, um próton mais um elétron). Essa
equação, chamada equação de onda, leva em conta o
comportamento ondulatório do elétron que está no campo elétrico
de um próton.
• A equação de onda é então resolvida dando uma série de soluções
chamadas funções de onda. A letra grega psi (ψ) é utilizada para
representar cada função de onda (ψ1, ψ2, ψ3, etc.). Cada uma dessas
funções de onda corresponde a um nível de energia permitido para
o elétron. Esse resultado é extremamente importante porque sugere
que um elétron, quando contido em um átomo, só pode existir em
níveis discretos de energia (ψ , ψ , ψ , etc.). Em outras palavras, a 1 2 3
energia do elétron é quantizada.
• Cada função de onda é uma função da posição espacial. Ela
fornece informações que nos permitem atribuir um valor numérico
para cada local no espaço tridimensional em relação ao núcleo. O
quadrado desse valor (ψ2 para qualquer local específico) tem um
significado especial. Ele indica a probabilidade de encontrar o
elétron nesse local. Portanto, uma representação gráfica
tridimensional de ψ2 irá gerar uma imagem de um orbital atômico
(Figura 1.5).
FIGURA 1.5
Ilustrações de um orbital s e três orbitais p.
Densidade Eletrônica e Orbitais Atômicos
Um orbital é uma região do espaço que pode ser ocupada por um elétron.
Mas tem que se tomar cuidado quando se tenta visualizar isso. Há uma
afirmativa da seção anterior que deve ser esclarecida porque ela é
potencialmente enganosa: “ψ2 representa a probabilidade de encontrar um
elétron em um determinado local.” Essa afirmativa parece tratar o elétron
como se fosse uma partícula se deslocando dentro de uma região específica
do espaço. Mas, lembre-se de que o elétron não é apenas uma partícula, ele
tem propriedades ondulatórias também. Portanto, temos que construir uma
imagem mental que capta essas duas propriedades. Isso não é fácil de fazer,
mas a analogia vista a seguir pode ajudar. Trataremos orbital ocupado como
se fosse uma nuvem semelhante a uma nuvem no céu. Nenhuma analogia é
perfeita, e há certamente características das nuvens que são muito diferentes
dos orbitais. Entretanto, tendo em vista algumas dessas diferenças entre
nuvens eletrônicas (orbitais ocupados) e nuvens reais, é possível a
construção de um modelo mental melhor de um elétron em um orbital:
• Nuvens no céu podem vir em qualquer formato ou tamanho. No
entanto, nuvens eletrônicas só têm um pequeno número de formas
e tamanhos (tal como definido pelos orbitais).
• Uma nuvem no céu é constituída de bilhões de moléculas
individuais de água. Uma nuvem eletrônica não é constituída de
bilhões de partículas. Temos que pensar em uma nuvem eletrônica
como uma única entidade, embora possa ser mais espessa em
alguns lugares e mais fina em outros. Esse conceito é crítico e será
usado extensivamente durante todo o curso na explicação das
reações.
• Uma nuvem no céu tem arestas e é possível definir uma região do
espaço que contém 100% da nuvem. Ao contrário, uma nuvem
eletrônica não tem as bordas definidas. Frequentemente utilizamos
o termo densidade eletrônica, que está associado à probabilidade
de encontrar um elétron numa região particular do espaço. A
“forma” de um orbital refere-se a uma região do espaço que
contém 90%–95% da densidade eletrônica. Além desta região, os
5%–10% restantes da densidade eletrônica diminuem
gradativamente, mas nunca terminam. Na verdade, se quisermos
considerar a região do espaço que contém 100% da densidade
eletrônica, temos de considerar todo o universo.
Em resumo, temos que pensar em um orbital como uma região do
espaço que pode ser ocupada pela densidade eletrônica. Um orbital ocupado
tem que ser tratado como uma nuvem de densidade eletrônica. Essa região
do espaço é chamada um orbital atômico (OA), porque é uma região do
espaço definida com respeito ao núcleo de um único átomo. Exemplos de
orbitais atômicos são os orbitais s, p, d e f que foram discutidos no seu
curso de química geral.
Fases de Orbitais Atômicos
Nossa discussão sobre elétrons e orbitais tem sido baseada na premissa de
que os elétrons têm propriedades ondulatórias. Em virtude disso, é
necessário explorar algumas das características das ondas simples, de modo
a compreender algumas das características dos orbitais.
FIGURA 1.6
Fases de uma onda se movendo sobre a superfície de um lago.
Considere uma onda que se move sobre a superfície de um lago (Figura
1.6). A função de onda (ψ) descreve matematicamente a onda e o valor da
função de onda é dependente da posição. Localizações acima do nível
médio do lago têm um valor positivo de ψ (indicado em vermelho), e os
locais abaixo do nível médio do lago têm um valor negativo de ψ (indicado
em azul). Posições onde o valor de ψ é zero são chamadas de nós.
FIGURA 1.7
As fases de um orbital p.
Da mesma forma, os orbitais podem ter regiões onde o valor de ψ é
positivo, negativo ou zero. Por exemplo, considere um orbital p (Figura
1.7). Observe que o orbital p tem dois lóbulos: o lóbulo do topo é uma
região do espaço onde os valores de ψ são positivos, enquanto o lóbulo
inferior é uma região onde os valores de ψ são negativos. Na posição entre
os dois lóbulos, ψ = 0. Esta posição representa um nó.
Tenha cuidado para não confundir o sinal de ψ (+ ou −) com a carga
elétrica. Um valor positivo para ψ não implica uma carga positiva. O valor
de ψ (+ ou −) é uma convenção matemática que se refere à fase da onda (tal
como no lago). Embora ψ possa ter valores positivos ou negativos, ψ2 (que
descreve a densidade eletrônica como uma função da posição) será sempre
um número positivo. Em um nó, onde ψ = 0, a densidade eletrônica (ψ2)
também será zero. Isso significa que não existe densidade eletrônica
localizada em um nó.
Deste ponto em diante, vamos desenhar os lóbulos de um orbital com
cores (vermelho e azul) para indicar a fase de ψ para cada região do espaço.
Preenchendo Orbitais Atômicos com Elétrons
A energia de um elétron depende do tipo de orbital que ele ocupa. A
maioria das substâncias orgânicas que vamos encontrar é constituída de
elementos da primeira e da segunda linhas da tabela periódica (H, C, N e S).
Esses elementos utilizam o orbital 1s, o orbital 2s e os três orbitais 2p.
Nossas discussões, portanto, incidem principalmente sobre esses orbitais
(Figura 1.8). Os elétrons têm energias menores quando ocupam um orbital
1s, porque o orbital 1s está mais próximo do núcleo e não tem nós (quanto
mais nós um orbital tem, maior a sua energia). O orbital 2s tem um nó e está
mais longe do núcleo, portanto, ele tem uma energia maior do que o orbital
1s. Após o orbital 2s, existem três orbitais 2p que têm a mesma energia.
Orbitais com o mesmo nível de energia são chamados de orbitais
degenerados.
FIGURA 1.8
Ilustrações dos orbitais s e dos três orbitais p.
À medida que nos movemos através da tabela periódica, começando no
hidrogênio, cada elemento tem mais um elétron do que o elemento anterior
(Figura 1.9). A ordem em que os orbitais são preenchidos pelos elétrons é
determinada por apenas três princípios simples:
1. O princípio de Aufbau. O orbital de energia mais baixa é preenchido
em primeiro lugar.
2. O princípio de exclusão de Pauli. Cada orbital pode acomodar um
máximo de dois elétrons que possuem spins opostos. Para entender o
que significa “spin”, podemos imaginar um elétron girando no espaço
em torno de si mesmo (embora esta seja uma explicação simplista do
termo “spin”). Por questões que estão além do escopo deste livro, os
elétrons só têm dois estados de spin possíveis (representados por ⇃ ou
↾). Para que o orbital possa acomodar dois elétrons, os elétrons têm
que ter estados de spin opostos.
FIGURA 1.9
Diagramas de energia mostrando as configurações eletrônicas do H, He, Li e Be.
3. Regra de Hund. Ao lidar com orbitais degenerados, como os orbitais p,
é colocado primeiro um elétron em cada orbital degenerado, antes dos
elétrons serem emparelhados.
A aplicação dos dois primeiros princípios pode ser vista nas configurações
eletrônicas mostradas na Figura 1.9 (H, He, Li e Be). A aplicação do
terceiro princípio pode ser vista nas configurações eletrônicas dos
elementos restantes da segunda linha (Figura 1.10).
FIGURA 1.10
Diagramas de energia mostrando as configurações eletrônicas do B, C, N, O, F e Ne.
DESENVOLVENDO A APRENDIZAGEM
1.6 IDENTIFICAÇÃO DAS CONFIGURAÇÕES ELETRÔNICAS
APRENDIZAGEM
Identi que a con guração eletrônica de um átomo de nitrogênio.
SOLUÇÃO
A con guração eletrônica indica que orbitais atômicos estão ocupados pelos elétrons. O
nitrogênio tem um total de sete elétrons. Esses elétrons ocupam orbitais atômicos de energia
crescente, com dois elétrons no máximo sendo colocados em cada orbital:
ETAPA 1
Colocação dos elétrons de valência nos orbitais atômicos usando o princípio de Aufbau, o
princípio da exclusão de Pauli e a regra de Hund.
Dois elétrons ocupam o orbital 1s, dois elétrons ocupam o orbital 2s e três elétrons ocupam os
orbitais 2p. Isso é resumido usando-se a seguinte notação:
ETAPA 2
Identi cação do número de elétrons em cada orbital atômico.
1 2 2 s 2 s2 3 p
PRATICANDO
o que você aprendeu
1.17 Determine a con guração eletrônica de cada um dos seguintes átomos:
(a) Carbono
(b) Oxigênio
(c) Boro
(d) Flúor
(e) Sódio
(f) Alumínio
APLICANDO
o que você aprendeu