Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)
■ Medicamente Falando | Produtos Naturais Marinhos
Haleto de acila 21
Anidrido 21
Éster 21
Amida 21
Amina 23
* O “R” se refere ao restante da substância, geralmente átomos de carbono e hidrogênio.
medicamente Produtos Naturais Marinhos
falando
O campo dos produtos naturais marinhos (PNM) continua a se expandir
rapidamente à medida que pesquisadores exploram a rica biodiversidade do
oceano em busca de novos produtos farmacêuticos. Trata-se de uma subárea da
química de produtos naturais e, recentemente, apresentou algumas histórias de sucesso de
novos fármacos. Nos primórdios, antes do surgimento do mergulho com auxílio de cilindros de
ar comprimido, os esforços para a descoberta de fármacos marinhos estavam voltados
principalmente para a vida marinha mais imediatamente acessível, como as algas vermelhas, as
esponjas e os corais macios que não se encontravam distantes do litoral.
Desde então, foi dada uma maior ênfase aos organismos do mar profundo, anteriormente
desconsiderados, bem como micróbios marinhos associados a sedimentos e macro-organismos
dos oceanos. Essas fontes produziram substâncias tanto estruturalmente diversas quanto
bioativas. Além disso, aprendeu-se que os micróbios marinhos são os reais produtores de PNM,
que anteriormente eram isolados dos seus macro-organismos hospedeiros como os moluscos, as
esponjas e os tunicados.
A fase inicial da descoberta de drogas de PNM encontrou problemas de suprimentos devido
a limitadas amostras marinhas que produziam pequenas quantidades de produtos naturais
bioativos. Essa demanda foi atendida com métodos inovadores como a aquacultura (criação de
organismos aquáticos), a síntese total e a biossíntese. O uso da genômica (sequenciamento de
DNA dos organismos) e da proteômica (estudo da estrutura e função de proteínas), por exemplo,
forneceu novas perspectivas para a produção e distribuição desses produtos naturais.
De todos os PNM e candidatos a fármacos derivados dos PNM identi cados até hoje, sete
foram aprovados pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA para uso público, com pelo
menos outros 13 em vários estágios de testes clínicos. Exemplos de fármacos aprovados pela
FDA são: o mesilato de eribulina (E7389), o éster etílico do ácido ômega-3 e a trabectedina (ET-
743). Veja as estruturas a seguir.
O mesilato de eribulina é um análogo sintético do produto natural marinho halicondrina B,
que foi isolado da esponja negra Halichondria okadai. Trata-se de um análogo de poliéter que é
utilizado no tratamento do câncer que se espalha da mama para outros órgãos do corpo. Ele age
por bloqueio do desenvolvimento celular, o que resulta na morte das células cancerígenas.
O segundo fármaco, o éster etílico do ácido ômega-3, contém derivados de ácidos
carboxílicos insaturados de cadeia longa (ácidos graxos ômega-3) que foram isolados de óleo de
peixe. Eles consistem principalmente em ésteres etílicos do ácido eicosapentanoico (EPA) e ácido
docosa-hexanoico (DHA). A droga é usada para tratar pessoas com altos níveis de gordura
(lipídios) na corrente sanguínea, uma vez que essa condição pode levar a cardiopatias e
derrame.
O terceiro agente terapêutico, a trabectedina (ET-743), foi isolado do tunicado marinho
Ecteinascidia turbinata. É utilizado no tratamento de pacientes com sarcoma de tecidos moles
(STM) e com recorrência de câncer de ovário. A trabectedina interfere no sulco menor do DNA e
causa a morte da célula.
O futuro dos PNM realmente é brilhante. Com os crescentes progressos tecnológicos de
triagem de alta produtividade (HTS), bibliotecas de substâncias, espectrometria de massa (EM),
ressonância magnética nuclear (RMN), genômica, biossíntese de substâncias e muito mais, os