Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

David Klein · Capítulo 115 de 302

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Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

6.5 Cinética Química

Nas seções anteriores, vimos que a reação será espontânea se o ΔG para a

reação for negativo. O termo espontâneo não significa que a reação vai

ocorrer de repente. Ele significa que a reação é termodinamicamente

favorável, ou seja, que a reação favorece a formação de produtos. A

espontaneidade não tem nada a ver com a velocidade da reação. Por

exemplo, a conversão de diamantes em grafita é um processo espontâneo à

pressão e temperatura ambiente. Em outras palavras, todos os diamantes

estão se transformando em grafita, neste exato momento. Mas mesmo que

este processo seja espontâneo, não deixa de ser extremamente lento. Vai

demorar milhões de anos, mas finalmente todos os diamantes acabarão por

se transformar em grafita!

Por que é que alguns processos espontâneos são rápidos, como

explosões, enquanto outros são lentos, como diamantes se transformando

em grafita? O estudo das velocidades de reação é chamado de cinética.

Nesta seção, vamos explorar as questões relacionadas com as velocidades

de reação.

 

Equações de Velocidade

A velocidade de uma reação é descrita por uma equação de velocidade,

que tem a seguinte forma geral:

 

Essa equação geral indica que a velocidade de reação depende da constante

de velocidade (k) e da concentração dos reagentes. A constante de

velocidade (k) é um valor que é específico para cada reação e depende de vários fatores. Vamos explorar esses fatores na próxima seção. Por

enquanto, vamos nos concentrar sobre o efeito das concentrações sobre a

velocidade.

Uma reação é o resultado de uma colisão entre os reagentes e, portanto,

faz sentido que o aumento das concentrações dos reagentes deva aumentar a

frequência de colisões que conduzem a uma reação, aumentando, portanto,

a velocidade da reação. Entretanto, o efeito preciso da concentração na

velocidade tem de ser determinado experimentalmente:

 

Nesta equação de velocidade observamos que as concentrações de A e

B são mostradas tendo expoentes (x e y). Esses expoentes têm de ser

determinados experimentalmente investigando-se como a velocidade é

afetada quando as concentrações de A e B são, cada uma delas,

separadamente duplicadas. Apresentamos a seguir apenas algumas das

possibilidades que podemos descobrir para qualquer reação (Figura 6.12).

 

FIGURA 6.12

Equações para reações de primeira ordem, de segunda ordem e terceira ordem.

 

OLHANDO PARA O FUTURO

Se você está tendo dificuldade para entender como a velocidade não seria afetada pela

concentração de um reagente, não se preocupe. Isso será explicado, no Capítulo 7.

 

Na primeira possibilidade [B] está ausente da equação de velocidade.

Essa é uma situação em que a duplicação da concentração de A tem o efeito

da duplicação da velocidade de reação, mas a duplicação da concentração

de B não tem nenhum efeito. Neste caso, a soma dos expoentes é 1, e a

reação é dita ser de primeira ordem.

A segunda possibilidade representa uma situação em que a duplicação

de [A] tem o efeito de dobrar a velocidade, enquanto a duplicação de [B]

também tem o efeito de dobrar a velocidade. Neste caso, tanto [A] quanto

[B] estão presentes na equação de velocidade e o expoente de cada uma das

concentrações é 1. A soma dos expoentes neste caso é 2, e a reação é dita

como de segunda ordem. A terceira possibilidade representa uma situação

em que duplicar [A] tem o efeito de quadruplicar a velocidade, enquanto

duplicar [B] tem o efeito de duplicar a velocidade. Neste caso, o expoente

de [A] é 2 e o expoente de [B] é um. A soma dos expoentes neste caso é 3, e

a reação é dita como de terceira ordem.

 

Fatores que Afetam a Constante de Velocidade

Como pode ser visto na seção anterior, a velocidade de reação é dependente

da constante de velocidade (k):

 

Uma reação relativamente rápida está associada a uma constante de

velocidade grande, enquanto uma reação relativamente lenta está associada

a uma constante de velocidade pequena. O valor da constante de velocidade

depende de três fatores: da energia de ativação, da temperatura e de

considerações estéricas.

 

1. Energia de Ativação. A barreira de energia (a elevação) entre os

reagentes e os produtos é chamada de energia de ativação, ou Ea

(Figura 6.13). Essa barreira de energia representa a quantidade mínima

de energia necessária para que ocorra uma reação entre dois reagentes

que colidem. Se uma colisão entre os reagentes não envolve esta

quantidade de energia, eles não vão reagir um com o outro para formar

produtos. O número de colisões bem-sucedidas é, portanto, dependente

do número de moléculas que possuem certa energia cinética mínima.

FIGURA 6.13

 

Um diagrama de energia mostrando a energia de ativação (E ) de uma reação. a

 

Em qualquer temperatura específica, os reagentes terão uma energia

cinética média específica, mas nem todas as moléculas irão possuir esta

energia média. De fato, a maioria das moléculas tem uma energia que é ou

menor do que a média ou maior do que a média, dando origem a uma

distribuição, como é mostrado na Figura 6.14. Observe que apenas certo

número de moléculas terá a energia mínima necessária para produzir uma

reação. O número de moléculas com esta energia depende do valor da Ea. Se

a E for pequena, então uma grande porcentagem das moléculas terá o a

limiar de energia necessária para produzir uma reação. Portanto, uma Ea

pequena levará a uma reação mais rápida (Figura 6.15).

FIGURA 6.14

Distribuição de energia cinética. A fração de moléculas que possuem energia suficiente para produzir uma reação é mostrada em azul.

 

FIGURA 6.15

A velocidade de uma reação é dependente do tamanho da E . a

 

2. Temperatura. A velocidade de uma reação também é muito sensível à

temperatura (Figura 6.16). O aumento da temperatura de uma reação vai

provocar o aumento da velocidade porque as moléculas terão mais