Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)
7.2 Haletos de Alquila
1. O grupo de saída retira densidade eletrônica através de indução,
tornando o átomo de carbono adjacente eletrofílico. Isso pode ser
visualizado com os mapas de potencial eletrostático de vários haletos de
metila (Figura 7.1). Em cada imagem, a cor azul indica uma região de
baixa densidade eletrônica.
FIGURA 7.1
Mapas de potencial eletrostático de haletos de metila.
2. O grupo de saída pode estabilizar qualquer carga negativa, que pode
desenvolver-se como resultado da separação do grupo de saída do
substrato:
Halogênios (Cl, Br e I) são grupos de saída muito comuns.
7.2 Haletos de Alquila
Substâncias orgânicas halogenadas são usadas normalmente como
eletrófilos em reações de substituição. Embora outras substâncias também possam se comportar como eletrófilos, vamos agora concentrar nossa
atenção nas substâncias que contêm halogênios.
Nomenclatura de Substâncias Orgânicas Halogenadas
Lembre-se da Seção 4.2 que os nomes sistemáticos (IUPAC) dos alcanos
são atribuídos por meio de quatro etapas distintas:
1. Identificamos e nomeamos a cadeia principal.
2. Identificamos e nomeamos os substituintes.
3. Numeramos a cadeia principal e atribuímos um localizador para cada
substituinte.
4. Organizamos os substituintes em ordem alfabética.
Exatamente o mesmo procedimento de quatro etapas é usado para dar o
nome de substâncias que contêm halogênios, e todas as regras discutidas no
Capítulo 4 aplicam-se aqui também. Halogênios são simplesmente tratados
como substituintes e recebem os seguintes nomes: flúor, cloro, bromo e
iodo. A seguir vemos dois exemplos:
Como vimos no Capítulo 4, a cadeia principal é a cadeia mais longa e deve
ser numerada de modo que o primeiro substituinte receba o menor número:
VERIFICAÇÃO CONCEITUAL
7.1 Atribua um nome sistemático para cada uma das seguintes substâncias:
Quando um centro de quiralidade está presente na substância, a
configuração tem de ser indicada no início do nome:
Além de nomes sistemáticos, a nomenclatura IUPAC também reconhece
nomes comuns (vulgares) para muitas substâncias orgânicas halogenadas.
O nome sistemático trata um halogênio como um substituinte, denominando
a substância de haloalcano. O nome comum trata a substância como um
substituinte alquila ligado a um haleto, e a substância é denominada haleto
de alquila ou um organoaleto.
Estrutura dos Haletos de Alquila
Cada átomo de carbono é descrito em termos da sua proximidade com o
halogênio utilizando-se as letras do alfabeto grego. A posição alfa (α) é o
átomo de carbono ligado diretamente ao halogênio, enquanto as posições
beta (β) são os átomos de carbono ligados à posição alfa:
Um haleto de alquila terá apenas uma posição α, mas podem existir até três
posições β. Este capítulo é dedicado às reações que ocorrem na posição α, e
o próximo capítulo será centralizado em reações envolvendo a posição β.
Haletos de alquila são classificados como primário (1°), secundário
(2°) ou terciário (3°) com base no número de grupos alquila ligados à
posição α (Figura 7.2).
FIGURA 7.2
Classificação dos haletos de alquila como primário, secundário ou terciário.
Utilização de Organoaletos Muitos organoaletos são tóxicos e têm sido usados como inseticidas:
O DDT (diclorodifeniltricloroetano) foi desenvolvido no final da década
de 1930 e se tornou um dos primeiros inseticidas a serem utilizados em todo
o mundo. Verificou-se que ele apresentava forte toxicidade para os insetos,
mas baixa toxicidade para os mamíferos. O DDT foi usado como um
inseticida por muitas décadas e foi creditada a ele a salvação de mais de
meio bilhão de vidas ao matar mosquitos transmissores de doenças mortais.
Infelizmente, verificou-se que o DDT não se degrada rapidamente e persiste
no meio ambiente. O aumento das concentrações de DDT na vida selvagem
começou a ameaçar a sobrevivência de muitas espécies. Em resposta, a
Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) proibiu o uso de
DDT em 1972, sendo ele substituído por outros inseticidas ambientalmente
mais seguros.
O lindano é utilizado em xampus para o tratamento de piolhos,
enquanto o clordano e o brometo de metila têm sido usados para prevenir e
tratar infestações de cupins. A utilização de brometo de metila foi
recentemente regulamentada devido a seu papel na destruição da camada de
ozônio (para saber mais sobre o buraco na camada de ozônio, veja a Seção
11.8).
Organoaletos são substâncias particularmente estáveis e, muitos deles,
assim como o DDT, se acumulam no ambiente. Os PCBs (bifenilas
policloradas) representam outro exemplo bem conhecido. A bifenila é uma
substância que pode ter até 10 substituintes:
Os PCBs são substâncias em que muitas dessas posições contêm átomos de
cloro. Os PCBs foram originalmente produzidos como fluidos de
refrigeração e isolantes para transformadores e capacitores industriais. Eles
também foram usados como fluidos hidráulicos e como retardadores de
chama. Mas a sua acumulação no ambiente começou a ameaçar a vida
selvagem e seu uso foi proibido.
Os exemplos anteriores têm contribuído para a má reputação dos
organoaletos. Em consequência, organoaletos são muitas vezes vistos como
venenos sintéticos. Entretanto, pesquisas nos últimos 20 anos têm indicado
que organoaletos são realmente mais comuns na natureza do que se pensava
anteriormente. Por exemplo, o cloreto de metila é o mais abundante
organoaleto na atmosfera. Ele é produzido em grandes quantidades por
árvores verdes e organismos marinhos, e é consumido por muitas bactérias,
tais como Hyphominocrobium e Methylobacterium, que convertem o
cloreto de metila em CO e Cl−. 2
Muitos organoaletos também são produzidos por organismos marinhos.
Mais de 5000 dessas substâncias já foram identificadas, e várias centenas de
novas substâncias são descobertas todos os anos. A seguir estão dois
exemplos:
Organoaletos exercem uma variedade de funções em organismos vivos. Em
esponjas, corais, caracóis e algas, organoaletos são usados como um
mecanismo de defesa contra predadores (uma forma de guerra química).
Apresentamos a seguir dois exemplos:
As duas substâncias são usadas para afastar os predadores. Em muitos tipos
de organismos, os organoaletos atuam como hormônios (mensageiros
químicos que atuam apenas sobre células-alvo específicas). A seguir vemos
alguns exemplos:
Nem todas as substâncias halogenadas são tóxicas. Na realidade, muitos
organoaletos têm aplicações clínicas. Por exemplo, as seguintes substâncias
são amplamente utilizadas e têm contribuído muito para a melhora da saúde
física e psicológica da população:
A PROPÓSITO
A sucralose foi descoberta, por acaso, em 1976, quando uma empresa britânica (Tate and Lyle) realizava pesquisas sobre os usos potenciais de açúcares clorados. Um estudante estrangeiro de pós-graduação participante da pesquisa compreendeu errado um pedido para “testar” (test) uma das substâncias e, em vez disso, pensou que estava sendo solicitado a “provar” (taste) a substância. O estudante relatou um sabor intensamente doce, e mais tarde foi verificado que a substância era segura para o consumo.
Alguns organoaletos têm mesmo sido usados na indústria de alimentos.
Considere, por exemplo, a estrutura da sucralose, mostrada a seguir. A
sucralose contém três átomos de cloro, mas é conhecida como não tóxica. Ela é centena de vezes mais doce do que o açúcar e é vendida como um