Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)
Apêndice A: Nomenclatura de Substâncias Polifuncionais
Apêndice
Nomenclatura de Substâncias
Polifuncionais
As regras de nomenclatura foram introduzidas pela primeira vez no
Capítulo 4 para dar nome aos alcanos. Em seguida, essas regras foram
desenvolvidas nos capítulos subsequentes para incluir a nomenclatura de
vários grupos funcionais. A Tabela A.1 contém uma lista de seções em que
as regras de nomenclatura foram discutidas.
TABELA A.1 REGRAS DE NOMENCLATURA ABORDADAS NOS CAPÍTULOS ANTERIORES
GRUPO SEÇÃO
Alcanos 4.2
Haletos de alquila 7.2
Alquenos 8.3
Alquinos 10.2
Álcoois e fenóis 13.1
Éteres 14.2
Epóxidos 14.7
Tióis e sulfetos 14.11
Derivados de benzeno 18.2
Aldeídos e cetonas 20.2
Ácidos carboxílicos 21.2
Derivados de ácidos carboxílicos 21.6
Aminas 23.2
À medida que avança pelos tópicos da Tabela A.1, você pode perceber que
alguns padrões emergem. Por exemplo, o nome sistemático de uma
substância orgânica geralmente tem pelo menos três partes, como se vê em
cada um dos seguintes exemplos:
Cada uma dessas substâncias tem três partes (realçadas) no seu nome.
A primeira é a cadeia principal (met, et etc.), que indica o número de
átomos de carbono na estrutura da cadeia principal (veja a Seção 4.2). A
próxima parte do nome, chamada insaturação, indica a presença ou
ausência de ligações C=C ou C≡C (em que “an” significa ausência de
quaisquer ligações C=C ou C≡C; “en” indica a presença de uma ligação
C=C; e “in” indica a presença de uma ligação C≡C). A parte final do
nome, ou sufixo, indica a presença de um grupo funcional (por exemplo, “-
ol” indica a presença de um grupo OH, enquanto “-ona” designa um grupo
cetona). Se nenhum grupo funcional está presente (outros além das ligações
C=C e C≡C), então é usado o sufixo “o”, como metano ou propino.
Se substituintes estão presentes, então o nome sistemático irá ter pelo
menos quatro partes, em vez de apenas três. Por exemplo:
Observe que todos os substituintes aparecem antes da cadeia principal.
Localizadores são utilizados para indicar as posições de todos os
substituintes, bem como as posições de qualquer insaturação e a localização
do grupo cujo nome é dado no sufixo. Observe também que os
localizadores são separados das letras com hifens (5-cloro), mas separados
entre si com uma vírgula (4,4,6). Quando vários substituintes estão
presentes, eles são organizados em ordem alfabética (veja a Seção 4.2 para
uma revisão das regras de alfabetização não intuitiva; por exemplo, “isopropila” é classificado pelo “i” em vez de “p”, enquanto terc-butila é
classificado por “b” em vez de “t”).
As substâncias com centros de quiralidade ou ligações C=C
estereoisoméricas têm que incluir estereodescritores para identificar a sua
configuração. Esses estereodescritores (R ou S, E ou Z, cis ou trans) têm
que ser colocados no início do nome, e constituem, portanto, uma quinta
parte a considerar quando se atribui o nome de uma substância. Por
exemplo, cada uma das substâncias vistas a seguir tem cinco partes no seu
nome, em que a primeira parte indica configuração:
Quanto mais complexa é uma substância, mais longo será o seu nome. Mas,
mesmo para nomes muito longos, que têm um parágrafo de comprimento,
ainda deve ser possível separar esse nome em suas cinco partes:
A Tabela A.2 contém a lista de seções em que foram introduzidas as regras
para cada uma destas cinco partes.
TABELA A.2 AS SEÇÕES ANTERIORES EM QUE CADA UMA DAS CINCO PARTES DO NOME DE UMA
SUBSTÂNCIA FOI INTRODUZIDA PELA PRIMEIRA VEZ
PARTE DO NOME SEÇÕES
Estereoisomerismo 5.3, 8.4
Substituintes 4.2
Cadeia principal 4.2
Insaturação 8.3, 10.2
Su xo 13.1, 14.2, 14.7, 14.11, 20.2, 21.2, 21.6
e 23.2
Quando uma substância contém vários grupos funcionais, temos que
escolher qual grupo funcional tem a prioridade mais alta e atribuir o sufixo
do nome. Os outros grupos funcionais têm que ser mostrados como
substituintes. Por exemplo, considere a seguinte substância
Observe que dois grupos funcionais estão presentes, mas o sufixo do nome
de uma substância só pode indicar um grupo funcional. Nesse caso, o grupo
aldeído recebe a prioridade (sufixo = “al”), e o grupo cetona tem que ser
nomeado como um substituinte (oxo). A Tabela A.3 mostra a terminologia
usada para vários grupos funcionais comumente encontrados, em ordem de
prioridade, com ácidos carboxílicos tendo a maior prioridade.
TABELA A.3 NOMES DE GRUPOS FUNCIONAIS COMUNS, QUER COMO SUFIXO OU COMO
SUBSTITUINTES. OS GRUPOS SÃO ORGANIZADOS EM ORDEM DE PRIORIDADE, COM
OS ÁCIDOS CARBOXÍLICOS TENDO A MAIS ALTA PRIORIDADE E OS ÉTERES TENDO A
MENOR PRIORIDADE
GRUPO FUNCIONAL NOME COMO SUFIXO NOME COMO SUBSTITUINTE
Ácidos carboxílicos* -oico carboxi
Ésteres -oato alcoxicarbonil
Haletos de ácido** -oila halocarbonil
Amidas -amida carbamoil
Nitrilas -nitrila ciano
Aldeídos -al oxo
Cetonas -ona oxo
Álcoois -ol hidroxi
Aminas -amina amino
Éteres éter alcoxi
*Os ácidos carboxílicos sempre começam pelo nome ácido.
**Nos haletos de ácidos o nome ácido é substituído por haleto.
Ao atribuir localizadores, deve ser atribuído o menor número possível ao
grupo funcional no sufixo, por exemplo:
Neste exemplo, existem dois grupos funcionais. O grupo cetona tem
prioridade, de modo que o sufixo será “-ona,” e o grupo OH será nomeado
como um substituinte (hidroxi). Observe que o localizador para o grupo
cetona é 2, em vez de 4.
Quando existe uma escolha, a cadeia principal deve incluir o grupo
funcional que não recebe a prioridade, por exemplo:
Neste caso, há dois grupos funcionais — um grupo ácido carboxílico e um
grupo aldeído. O primeiro tem maior prioridade para ser o sufixo, enquanto
o último será indicado como um substituinte. É claro que o átomo de
carbono do grupo ácido carboxílico tem que ser representado no início da
cadeia principal, mas observe que o átomo de carbono do grupo aldeído
também deve estar contido na cadeia principal, mesmo que isso resulte em um tamanho de cadeia menor (uma cadeia principal de quatro átomos de
carbono, em vez de uma cadeia principal de seis, neste caso).
Ao atribuir localizadores em sistemas bicíclicos, tenha em mente que
eles têm que começar em um átomo “cabeça” de ponte e, em seguida,
continuar ao longo da ponte mais longa, seguido pela segunda ponte mais
longa, e terminar com a ponte mais curta; mesmo que isso signifique que a
atribuição do localizador ao sufixo será um número elevado, como pode ser
visto no seguinte caso:
Esse exemplo exibe um grupo cetona que vai comandar o sufixo. No
entanto, esse grupo funcional está em C8 (o localizador mais elevado
possível neste caso), porque ele está localizado sobre a ponte mais curta. Se
houvesse um grupo hidroxila no C3 dessa substância, esse grupo seria
nomeado como um substituinte (3-hidroxi), enquanto o grupo cetona
permaneceria em C8. Essa é muitas vezes uma característica dos sistemas
rígidos com sistemas de numeração definidos (como nas substâncias
bicíclicas).
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