Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

David Klein · Capítulo 10 de 302

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Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

1.5 Indução e Ligações Covalentes Polares

APLICANDO

o que você aprendeu

 

1.14 Desenhe uma estrutura para cada um dos íons vistos a seguir; em cada um dos casos,

indique qual o átomo que possui a carga formal:

 

(a) BH − 4

 

(b) NH − 2

 

(c) C 2H + 5

 

é necessário PRATICAR MAIS? Tente Resolver o Problema 1.41

 

1.5 Indução e Ligações Covalentes Polares

 

Os químicos dividem as ligações em três classes: (1) covalente, (2)

covalente polar e (3) iônica. Essa divisão surge a partir dos valores de

eletronegatividade dos átomos que compartilham uma ligação. A

eletronegatividade é uma medida da capacidade de um átomo em atrair

elétrons. A Tabela 1.1 apresenta os valores de eletronegatividade para os

elementos normalmente encontrados na química orgânica.

 

TABELA 1.1 VALORES DE ELETRONEGATIVIDADE DE ALGUNS ELEMENTOS COMUNS

Quando dois átomos formam uma ligação, há uma consideração crítica

 

que nos permite classificar a ligação. Qual é a diferença entre os valores de

eletronegatividade dos dois átomos? A seguir vemos algumas diretrizes

aproximadas:

Se a diferença de eletronegatividade é menor do que 0,5, considera-se

que os elétrons são divididos igualmente entre os dois átomos, resultando

em uma ligação covalente. Exemplos incluem C —C e C—H:

 

A ligação C—C é claramente covalente, porque não há diferença de

eletronegatividade entre os dois átomos que formam a ligação. Mesmo uma

ligação C —H é considerada covalente, porque a diferença de

eletronegatividade entre o C e o H é inferior a 0,5.

Se a diferença de eletronegatividade estiver entre 0,5 e 1,7, os elétrons

não serão compartilhados igualmente entre os átomos, resultando em uma

ligação covalente polar. Por exemplo, considere uma ligação entre o

carbono e o oxigênio (C—O). O oxigênio é significativamente mais

eletronegativo (3,5) do que o carbono (2,5) e, portanto, o oxigênio atrairá

mais fortemente os elétrons da ligação. A retirada dos elétrons na direção do oxigênio é chamada de indução, e é frequentemente indicada por uma

seta conforme visto a seguir:

 

A indução provoca a formação de cargas parciais positiva e negativa,

simbolizadas pela letra grega delta (δ). As cargas parciais que resultam da

indução serão muito importantes nos próximos capítulos.

 

Se a diferença de eletronegatividade for maior do que 1,7, os elétrons

não serão compartilhados. Por exemplo, considere a ligação entre o sódio e

o oxigênio no hidróxido de sódio (NaOH):

 

A diferença de eletronegatividade entre o O e o Na é tão grande que os dois

elétrons da ligação são possuídos unicamente pelo átomo de oxigênio,

tornando o oxigênio carregado negativamente e o sódio carregado

positivamente. A ligação entre o oxigênio e o sódio, chamada ligação

iônica, é o resultado da força de atração entre os dois íons de carga oposta.

Os números de corte (0,5 e 1,7) devem ser considerados como um guia

aproximado. Em vez de vê-las como algo absoluto, é preciso ver os vários

tipos de ligação como pertencentes a um espectro sem separações claras

(Figura 1.4).

 

FIGURA 1.4

A natureza de várias ligações encontradas frequentemente na química orgânica.

Esse espectro tem dois extremos: ligações covalentes na esquerda e

ligações iônicas na direita. Entre esses dois extremos estão as ligações

covalentes polares. Algumas ligações se encaixam claramente em um tipo,

como as ligações C —C (covalente), as ligações C—O (covalente polar)

ou as ligações Na —Cl (iônica). Entretanto, existem muitos casos em que a

separação não é tão clara. Por exemplo, uma ligação C —Li tem uma

diferença de eletronegatividade de 1,5, e esta ligação é frequentemente

considerada tanto como covalente polar quanto como iônica. Ambas as

classificações são aceitáveis.

 

Outra razão para evitar números absolutos de corte quando se

comparam os valores de eletronegatividade é que os valores de

eletronegatividade mostrados anteriormente são obtidos através de um

método desenvolvido por Linus Pauling. No entanto, existem pelo menos

sete outros métodos para calcular valores de eletronegatividade, cada um

dos quais fornece valores ligeiramente diferentes. A adesão sem ressalvas à

escala Pauling sugeriria que as ligações C—Br e C—I são covalentes,

mas essas ligações serão tratadas como covalentes polares no decorrer deste

livro.

 

DESENVOLVENDO A APREDIZAGEM

 

1.5 LOCALIZAÇÃO DE CARGAS PARCIAIS RESULTANTES DA INDUÇÃO

APRENDIZAGEM

Considere a estrutura do metanol. Identi que todas as ligações covalentes polares e mostre

quaisquer cargas parciais que resultam de efeitos indutivos.

SOLUÇÃO

 

Primeiro identi camos todas as ligações covalentes polares. As ligações C —H são

consideradas covalentes porque os valores de eletronegatividade para C e H são relativamente

próximos. É verdade que o carbono é mais eletronegativo que o hidrogênio e, portanto, há um

pequeno efeito indutivo para cada ligação C—H. Entretanto, geralmente consideramos esse

efeito como insigni cante para as ligações C —H.

A ligação C —O e a ligação O—H são ligações covalentes polares:

 

ETAPA 1

Identi cação de todas as ligações covalentes polares.

 

Agora determinamos a direção dos efeitos indutivos. O oxigênio é mais eletronegativo que o C

ou o H, de modo que os efeitos indutivos são mostrados como é visto a seguir:

 

ETAPA 2

Determinação da direção de cada dipolo.

 

Esses efeitos indutivos mostram as localizações das cargas parciais:

ETAPA 3

Indicação da localização de cargas parciais.

 

PRATICANDO

o que você aprendeu

 

1.15 Para cada uma das substâncias vistas a seguir, identi que quaisquer ligações covalentes

polares desenhando os símbolos δ+ e δ– nos locais apropriados.

 

APLICANDO

o que você aprendeu

 

1.16 As regiões de δ+ em uma substância são as regiões mais suscetíveis de serem atacadas

por um ânion, tal como o hidróxido (HO−). Na substância vista a seguir, identi que os dois