Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)
6.7 Nucleófilos e Eletrófilos
(d) Compare os diagramas de energia A e C. Em que caso o estado de transição se assemelha
mais aos reagentes do que aos produtos? Explique.
(e) Compare os diagramas de energia A e B. Admitindo que todos os outros fatores (tais como
as concentrações e a temperatura) são idênticos para os dois processos, identi que qual o
processo que ocorre mais rapidamente. Explique.
(f) Compare diagramas de energia B e D. Qual o processo que vai favorecer, no equilíbrio, muito
mais os produtos? Explique.
(g) Compare os diagramas de energia C e D. Em que caso o estado de transição se assemelha
mais aos produtos do que aos reagentes? Explique.
6.7 Nucleófilos e Eletrófilos
Reações iônicas, também chamadas de reações polares, envolvem a
participação de íons como reagentes, intermediários ou produtos. Na
maioria dos casos, os íons estão presentes como intermediários. Essas
reações representam a maioria (aproximadamente 95%) das reações que
vamos encontrar neste livro. As outras duas principais classes de reações,
reações radicalares e reações pericíclicas, ocupam uma atenção muito
menor em um curso típico de química orgânica de graduação, mas serão
discutidas nos próximos capítulos. O restante deste capítulo se concentrará
em reações iônicas.
Reações iônicas ocorrem quando um reagente tem um sítio de alta
densidade eletrônica e o outro reagente tem um sítio de baixa densidade
eletrônica. Por exemplo, considere os mapas de potencial eletrostático do
cloreto de metila e do metil-lítio (Figura 6.26). Cada substância apresenta
um efeito indutivo, mas em direções opostas.
FIGURA 6.26
Mapas de potencial eletrostático do cloreto de metila e do metil-lítio, indicando claramente os efeitos indutivos.
RELEMBRANDO
Para uma revisão dos efeitos indutivos, veja a Seção 1.11.
O átomo de carbono no cloreto de metila representa um sítio de baixa
densidade eletrônica, enquanto o átomo de carbono no metil-lítio representa
um sítio de alta densidade eletrônica. Uma vez que cargas opostas se
atraem, essas duas substâncias reagem uma com a outra. O tipo de reação
que ocorre entre o cloreto de metila e o metil-lítio será explorado no
próximo capítulo. Por enquanto, vamos nos concentrar sobre a natureza de
cada um dos reagentes.
Um centro rico em elétrons, tal como o átomo de carbono no metil-lítio,
é chamado de nucleófilo, que vem da palavra grega “amante de núcleo”.
Isto é, um centro nucleofílico é caracterizado pela sua capacidade de reagir
com uma carga positiva ou uma carga positiva parcial. Ao contrário, um
centro deficiente em elétrons, tal como o átomo de carbono no cloreto de
metila, é chamado de eletrófilo, que vem da palavra grega “amante de
elétron”. Isto é, um centro eletrofílico é caracterizado pela sua capacidade
em reagir com uma carga negativa ou carga negativa parcial.
Ao longo deste livro, vamos nos concentrar extensivamente sobre o
comportamento dos nucleófilos e eletrófilos. Veremos que, em última
análise, há apenas alguns poucos princípios que nos permitem explicar e até
mesmo prever a maioria das reações. Entretanto, a fim de aprender a utilizar
esses princípios, primeiro será necessário que você se torne proficiente na
identificação dos centros nucleofílicos e eletrofílicos em qualquer
substância. Essa capacidade é sem dúvida uma das mais importantes na
química orgânica. Dissemos antes que a essência da química orgânica é
estudar e prever como a densidade eletrônica flui durante uma reação. Não
será possível fazer NENHUMA previsão inteligente sem saber onde a
densidade eletrônica pode ser encontrada e para onde é provável que ela se
desloque. As seções a seguir irão explorar a natureza de nucleófilos e
eletrófilos com mais profundidade.
RELEMBRANDO
Para uma revisão de bases de Lewis, veja a Seção 3.9.
Nucleófilos
Um centro nucleofílico é um átomo rico em elétrons, que é capaz de doar
um par de elétrons. Observe que esta definição é muito semelhante à
definição de uma base de Lewis. De fato, os termos “nucleófilo” e “base de
Lewis” são sinônimos.
A seguir podemos ver dois exemplos de nucleófilos:
Cada um desses exemplos tem pares de elétrons isolados em um átomo de
oxigênio. O etóxido tem uma carga negativa e, portanto, é mais nucleofílico
do que o etanol. No entanto, o etanol ainda pode se comportar como um
nucleófilo (embora fraco), porque os pares isolados no etanol representam regiões de alta densidade eletrônica. Qualquer átomo que possui um par de
elétrons isolado pode ser considerado como um nucleófilo.
Vamos ver no Capítulo 9 que ligações π também podem se comportar
como nucleófilos, porque uma ligação π é uma região no espaço de alta
densidade eletrônica (Figura 6.27).
FIGURA 6.27
Uma ligação π é uma região no espaço de alta densidade eletrônica.
A força de um nucleófilo é afetada por muitos fatores, incluindo a
polarizabilidade. A polarizabilidade pode ser definida de forma muito
vaga como descrevendo a capacidade de um átomo em distribuir a sua
densidade eletrônica de forma distorcida em resposta a influências externas.
A polarizabilidade está diretamente relacionada com o tamanho do átomo
(e, mais especificamente, com o número de elétrons que se encontram
distantes do núcleo). Por exemplo, o enxofre é muito grande e tem muitos
elétrons que estão distantes do núcleo, e a sua densidade eletrônica pode ser
distribuída de forma desigual quando ele se aproxima de um eletrófilo. O
iodo compartilha a mesma característica. Em consequência disso, I– e HS– são nucleófilos particularmente fortes. Voltaremos a ver esse raciocínio no
próximo capítulo.
Eletrófilos
Um centro eletrofílico é um átomo deficiente em elétrons que é capaz de
aceitar um par de elétrons. Observe que essa definição é muito parecida
com a definição de um ácido de Lewis. De fato, os termos “eletrófilo” e
“ácido de Lewis” são sinônimos.
A seguir podem ser vistos dois exemplos de eletrófilos:
RELEMBRANDO
Para uma revisão de ácidos de Lewis, veja a Seção 3.9.
A primeira substância apresenta um átomo de carbono eletrofílico como um
resultado dos efeitos indutivos do átomo de cloro. O segundo exemplo
apresenta um átomo de carbono carregado positivamente e é chamado de
carbocátion. Um carbocátion tem um orbital p vazio (Figura 6.28). O
orbital p vazio se comporta como um sítio que pode aceitar um par de
elétrons, tornando a substância eletrofílica. Vamos discutir carbocátions
com mais profundidade mais adiante neste capítulo.
FIGURA 6.28
Um orbital p vazio de um carbocátion.
A Tabela 6.3 fornece um resumo de algumas características comuns que
fazem com que uma substância seja nucleofílica ou eletrofílica.
TABELA 6.3 UM RESUMO DE ALGUNS CENTROS NUCLEOFÍLICOS E ELETROFÍLICOS COMUNS
NUCLEÓFILOS ELETRÓFILOS
CARACTERÍSTICA EXEMPLO CARACTERÍSTICA EXEMPLO
Efeitos Efeitos
indutivos indutivos
Pares isolados Orbital p vazio
Ligação π
DESENVOLVENDO A APRENDIZAGEM
6.2 IDENTIFICAÇÃO DE CENTROS NUCLEOFÍLICOS E ELETROFÍLICOS
APRENDIZAGEM
Identi que todos os centros nucleofílicos e todos os centros eletrofílicos da seguinte substância:
SOLUÇÃO
Vamos primeiro procurar centros nucleofílicos. Especi camente, estamos à procura de efeitos
indutivos, pares de elétrons isolados ou ligações π. Nessa substância, existem dois centros
nucleofílicos:
ETAPA 1
Identi cação de centros nucleofílicos procurando efeitos indutivos, pares de elétrons isolados ou
ligações π.
Em seguida, vamos procurar centros eletrofílicos. Especi camente, estamos procurando efeitos
indutivos ou um otbital p vazio. Nenhum dos átomos dessa substância apresenta um orbital p
vazio, mas existem efeitos indutivos:
ETAPA 2
Identi cação de centros eletrofílicos procurando efeitos indutivos ou orbitais p vazios.
O átomo de oxigênio é eletronegativo, fazendo com que os átomos adjacentes sejam de cientes
em elétrons. Neste caso, há dois átomos adjacentes que suportam uma carga parcial positiva
(δ+): o átomo de carbono adjacente e o átomo de hidrogênio adjacente. De modo geral, um
átomo de hidrogênio com uma carga positiva parcial é descrito como ácido, em vez de
eletrofílico. Portanto, essa substância é considerada como tendo apenas um centro eletrofílico.
PRATICANDO
o que você
6.8 Identi que todos os centros nucleofílicos em cada uma das seguintes substâncias:
6.9 Identi que todos os centros eletrofílicos em cada uma das seguintes substâncias:
APLICANDO
o que você aprendeu
6.10 A substância hipotética vista a seguir não pode ser preparada ou isolada, porque ela tem
um centro nucleofílico e um centro eletrofílico muito reativos, e os dois sítios reagiriam um com
o outro rapidamente. Identi que o centro nucleofílico e o centro eletrofílico nessa substância
hipotética:
6.11 Cada uma das substâncias vistas a seguir apresenta dois centros eletrofílicos. Identi que
os dois centros em cada substância. (Sugestão: Você vai precisar representar estruturas de
ressonância em cada caso.)