Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

David Klein · Capítulo 217 de 302

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Química Orgânica: Volume 1 (2ª Edição)

11.4 Considerações Termodinâmicas para Reações de Halogenação

Este radical estabilizado por ressonância pode então destruir outro radical

através de outra abstração de hidrogênio para formar benzoquinona:

 

Na Seção 11.9 discutiremos o papel de inibidores de radicais em processos

biológicos.

 

11.4 Considerações Termodinâmicas para

Reações de Halogenação

 

Na seção anterior, exploramos o mecanismo proposto para a cloração do

metano. Exploraremos agora se esta reação pode ocorrer também com

outros halogênios. É possível realizar reações de fluoração, bromação ou

iodação radicalar? Para responder esta questão temos que explorar os

aspectos termodinâmicos das reações de halogenação.

Na Seção 6.3 vimos que ΔG (a variação da energia livre de Gibbs)

determina se uma reação é ou não termodinamicamente favorável. Para uma

reação favorecer a formação dos produtos em relação aos materiais de

partida, a reação tem que apresentar um valor negativo de ΔG. Se ΔG for

positivo, os materiais de partida serão favorecidos e a reação não produzirá

os produtos desejados. Utilizaremos agora essa informação para determinar

se a halogenação pode ocorrer com outros halogênios além do cloro.

Lembre-se de que ΔG é constituída de dois componentes – entalpia e

entropia:

Para a halogenação de um alcano, o componente entrópico é desprezível

porque duas moléculas de material de partida são transformadas em duas

moléculas de produtos.

 

Uma vez que a variação de entropia de uma reação de halogenação é

desprezível, podemos estimar o valor de ΔG analisando somente o termo

entálpico:

 

O termo entálpico é determinado por vários fatores, mas o fator mais

importante é a força de ligação. Podemos estimar ΔH comparando a energia

das ligações rompidas e a energia das ligações formadas:

 

Para fazer a comparação, observamos as energias de dissociação de ligação.

Os valores mais importantes são mostrados na Tabela 11.1. Ao utilizar esses

valores podemos estimar o sinal de ΔH (positivo ou negativo) associado a

cada reação de halogenação. Lembre-se de que:

 

• Ligações rompidas (em azul) requerem energia para serem

rompidas, contribuindo para um valor positivo de ΔH (o sistema

aumenta em energia).

 

• Ligações formadas (em vermelho) liberam energia quando elas são

formadas, contribuindo para um valor negativo de ΔH (o sistema

diminui em energia).

 

TABELA 11.1 ENERGIA DE DISSOCIAÇÃO DE LIGAÇÕES RELEVANTES (kJ/mol)

 

H3C—H X—X H3C—X H—X

 

F 435 159 456 569

 

Cl 435 243 351 431

 

Br 435 193 293 368

 

I 435 151 234 297

 

Os dados na Tabela 11.1 podem ser utilizados para fazermos as seguintes

previsões:

 

Todo processo mostrado anteriormente tem uma valor negativo de ΔH e é

exotérmico a exceção da iodação. A iodação do metano tem um valor

positivo de ΔH, o que significa que ΔG também será positivo para a reação.

Como resultado, a iodação não é termodinamicamente favorável, e a reação simplesmente não ocorre. As outras halogenações são termodinamicamente

favoráveis, mas a fluoração é tão exotérmica que a reação é muito violenta

para fins práticos. Portanto, apenas as reações de cloração e bromação são

de uso prático no laboratório.

Quando este tipo de análise termodinâmica é aplicada aos alcanos, além

do metano, obtemos resultados similares. Por exemplo, o etano sofrerá tanto

a reação de cloração radicalar quanto a reação de bromação radicalar:

 

A reação de fluoração radicalar do etano é violenta demais para fins

práticos e a reação de iodação radicalar do etano não ocorre.

Uma comparação da cloração e bromação revela que a bromação é

geralmente um processo muito mais lento que a cloração. Para entender o

porquê, precisamos olhar mais de perto as etapas de propagação

individuais. Compararemos o valor de ΔH de cada etapa de propagação

para a cloração e bromação do etano.

Em cada caso a reação líquida é exotérmica. Os valores estimados de ΔH

para cloração e bromação são −117 e −50 kJ/mol. Portanto, ambas as

reações são termodinamicamente favoráveis. Observe, no entanto, que a

primeira etapa da bromação é um processo endotérmico (ΔH tem valor

positivo). Esta etapa endotérmica não impede a bromação de ocorrer,

porque a reação líquida ainda é exotérmica. Entretanto, a primeira etapa

endotérmica afeta muito a velocidade da reação. Comparamos os diagramas

de energia para a cloração e a bromação do etano (Figura 11.11). Cada

diagrama de energia mostra as duas etapas de propagação. Em cada caso, a

primeira etapa de propagação

 

FIGURA 11.11

Diagramas de energia para as duas etapas de propagação da bromação e cloração radicalares do etano. (abstração de hidrogênio) é a etapa determinante da velocidade da reação. Para a cloração a etapa determinante da velocidade da reação é exotérmica e a energia de ativação (E ) é relativamente pequena. Por outro lado, a etapa determinante da a

velocidade da reação para a bromação é um processo endotérmico e a energia de ativação (E ) é relativamente alta. Como resultado, a bromação ocorre mais lentamente que a a

cloração.

 

De acordo com essa análise parece haver uma desvantagem na

bromação, uma vez que sua primeira etapa é endotérmica. Veremos na

próxima seção que esta etapa endotérmica na verdade torna a bromação

mais útil (porém mais lenta) que a cloração.