As Luzes de Leonor

Maria Teresa Horta · Capítulo 99 de 289

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As Luzes de Leonor

Capítulo 1780

†

 

 

Dias depois de terem chegado a Viena são recebidos por Sua Majestade Imperial e apresentados em Schönbrunn, onde a seu pedido Leonor regressa para ser recebida a sós pela Imperatriz Maria Teresa.

Lembra-se bem do tom de pressa assustada, da angústia que escutara na voz da Rainha de França, ao incumbi-la de fazer chegar à sua Augusta Mãe os documentos e as cartas que em grande sigilo lhe confiara.

Enquanto é conduzida à câmara real, Leonor sente-se esmagada pela riqueza dos múltiplos salões que atravessa nervosa, a apertar ao peito a bolsa de cetim bordada a rubis e brilhantes, sentindo sob os dedos o volume quebradiço dos rolos atados pelas fitas de seda púrpura que jamais se atrevera a desatar, mesmo quando os tirara dos baús onde os escondera: umas vezes entre as camisinhas de cambraia, os punhos e as golas de renda, outras sob os espartilhos, as culotes, as camisas de dormir.

Quanto às cartas, achara mais prudente não as guardar no mesmo sítio. Misturou-as então com as suas, e durante a viagem vigiara-as, assim como aos documentos, a sentir-se uma espia aventurosa. Mas tudo correra sem percalços, e agora ali estava ela cumprindo a promessa feita em segredo a Maria Antonieta.

Recebe-a a Imperatriz com uma atenção inquieta embora serena, ciente de que Leonor lhe traz notícias de sua filha infeliz, que ela sacrificara, tal como ela mesma fora sacrificada. Leonor tenta tranquilizá-la com as notícias sobre a beleza e a boa saúde da Monarca francesa, depois de lhe ter colocado nas mãos ofuscadas de diamantes tudo aquilo de que fora fiel e leal depositária.