As Luzes de Leonor

Maria Teresa Horta · Capítulo 289 de 289

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As Luzes de Leonor

Epílogo

†

 

 

EPÍLOGO

 

A tua mão vem de novo aflorar o cimo do meu ombro.

A tua mão sem peso.

Invisível.

A tua mão sem textura, mas com um ligeiro odor a rosa púrpura ou a gardénia imprecisa. Submetidas ao perfume almiscarado da tua pele macia.

A tua mão impossível, a roçar-me ao de leve o pulso,

enquanto te debruças sobre a minha escrivaninha, a leres aquilo que eu de ti ficciono a tentar descrever-te e deslindar-te, a tentar desvendar-te na desmesura do excesso, a tentar entender-te no que escrevo sobre ti,

Leonor.

E ao pretender conhecer-te, em tudo te descubro e reinvento.

Tão depressa mulher como poetisa ou política e sábia e sonhadora, mas sempre personagem, porque eu não faço a tua biografia: tento recriar-te minha avó, inventando-te do grão de luz ao bago da romã.

Tão perto,

apesar dos dois séculos que nos separam.

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