As Luzes de Leonor
Epílogo
†
EPÍLOGO
A tua mão vem de novo aflorar o cimo do meu ombro.
A tua mão sem peso.
Invisível.
A tua mão sem textura, mas com um ligeiro odor a rosa púrpura ou a gardénia imprecisa. Submetidas ao perfume almiscarado da tua pele macia.
A tua mão impossível, a roçar-me ao de leve o pulso,
enquanto te debruças sobre a minha escrivaninha, a leres aquilo que eu de ti ficciono a tentar descrever-te e deslindar-te, a tentar desvendar-te na desmesura do excesso, a tentar entender-te no que escrevo sobre ti,
Leonor.
E ao pretender conhecer-te, em tudo te descubro e reinvento.
Tão depressa mulher como poetisa ou política e sábia e sonhadora, mas sempre personagem, porque eu não faço a tua biografia: tento recriar-te minha avó, inventando-te do grão de luz ao bago da romã.
Tão perto,
apesar dos dois séculos que nos separam.
OceanofPDF.com
Você terminou As Luzes de Leonor
Maria Teresa Horta
Livros como este
-
Cenas do Século XVIII em Portugal
-
O Romance da Rainha Mercedes
-
A Ala dos Namorados
-
Memorial do Convento
-
O Bobo
-
A Primeira Luz da Madrugada
Depois do livro
Páginas que vieram com esta edição, guardadas aqui para consulta.