As Luzes de Leonor

Maria Teresa Horta · Capítulo 247 de 289

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As Luzes de Leonor

Capítulo XXII

†

 

 

XXII

 

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†

 

Em vão se resiste a Amor

Em vão se resiste a Amor,

O seu poder reconheço;

Ante seu trono ajoelho,

Meu cativeiro confesso.

Há muito o doce tirano

Minha alma ataca em segredo,

Que de princípios armada

Nunca dele teve medo.

Lindo, sorrindo, e com graça

Contra mim afoito avança;

Eu sem susto desafio

Os golpes de uma criança.

De um arco fatal armado,

De rica e doirada aljava,

Desprezando as minhas forças

À luta me provocava.

Um broquel tomo; a meu lado

Pende luzidia espada:

Qual fero Aquiles lhe ordeno

Que me ceda logo a estrada.

Seus dardos porém, ligeiros

Como a luz, contra mim voam:

Eu zombo, esquivando os tiros,

Que nem ferem nem magoam.

Vasa o carcaz todo inteiro,

Com furor, mas sem efeito:

Até que ele mesmo irado

Se entranha dentro em meu peito.

Esta interna cidadela

O seu triunfo proclama:

Tudo estraga sem piedade

A devastadora chama.

Vai-te espada infiel, vai-te;

Deixa-me inútil broquel:

Meu coração luta e cede

Na batalha mais cruel.

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