As Luzes de Leonor
Capítulo XXII
†
XXII
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†
Em vão se resiste a Amor
Em vão se resiste a Amor,
O seu poder reconheço;
Ante seu trono ajoelho,
Meu cativeiro confesso.
Há muito o doce tirano
Minha alma ataca em segredo,
Que de princípios armada
Nunca dele teve medo.
Lindo, sorrindo, e com graça
Contra mim afoito avança;
Eu sem susto desafio
Os golpes de uma criança.
De um arco fatal armado,
De rica e doirada aljava,
Desprezando as minhas forças
À luta me provocava.
Um broquel tomo; a meu lado
Pende luzidia espada:
Qual fero Aquiles lhe ordeno
Que me ceda logo a estrada.
Seus dardos porém, ligeiros
Como a luz, contra mim voam:
Eu zombo, esquivando os tiros,
Que nem ferem nem magoam.
Vasa o carcaz todo inteiro,
Com furor, mas sem efeito:
Até que ele mesmo irado
Se entranha dentro em meu peito.
Esta interna cidadela
O seu triunfo proclama:
Tudo estraga sem piedade
A devastadora chama.
Vai-te espada infiel, vai-te;
Deixa-me inútil broquel:
Meu coração luta e cede
Na batalha mais cruel.
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