As Luzes de Leonor

Maria Teresa Horta · Capítulo 29 de 289

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As Luzes de Leonor

Capítulo IV

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SONETO

Feito ao pé de uma oliveira, na cerca

Que me falta? A vida me sobeja,

Obséquios da fortuna não espero,

Nem riquezas, nem gostos eu já quero,

Nem quanto pelo mundo se deseja.

Vive o homem feliz, não tenho inveja,

Se desgraçado, não me desespero,

E em quanto no mundo considero

Sempre indiferente estou, seja ou não seja.

De glórias e paixões o peito isento,

Não sinto nem prazer, nem pena intensa,

Que mais tarde ou mais cedo as leve o vento.

Nem disto quero outra recompensa

Que o conservar-me o céu o pobre alento,

Pois com ele conservo esta indiferença.

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