As Luzes de Leonor

Maria Teresa Horta · Capítulo 183 de 289

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As Luzes de Leonor

Capítulo XVII

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Acorda-nos4

Acorda-nos! ou fala, ou muda o mundo;

Escute o nada o teu fecundo verbo.

Levanta-te, meu Deus! é tempo, é tempo;

De tão longo descanso te despede;

Extrai do Caos novo outro Universo.

Outras cenas demandam nossos olhos!

Outros milagres quer nossa alma incerta!

Muda a ordem dos Céus, que nos não fala!

Cria um sol novo, que este já não basta,

Não fere a nossa vista perturbada:

Destrói este palácio arruinado,

Tão pouco digno já da glória tua;

Vem! aparece tu, e a crer nos força!

Mas, quem sabe! Talvez naquela hora

Em que nos Céus desertos o sol d’hoje

Cessará de luzir sobre o Universo,

Do sol moral as luzes eclipsadas

Cessem de alumiar o pensamento;

E o dia que há-de ver de todo extinta

Esta soberba tocha, também lance

Na eterna noite o resto do Universo!

A tua inútil obra então quebrando,

Repetirão os séculos aos séculos

A famosa verdade que disseste:

Sou quem somente sou! O homem cego,

Quando acaba de crer, de existir cessa!

4 Imitação livre da XXVIII «Meditação» de Lamartine.

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