As Luzes de Leonor

Maria Teresa Horta · Capítulo 195 de 289

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As Luzes de Leonor

Capítulo XVIII

†

 

 

XVIII

 

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Voa, pensamento, voa

Voa, pensamento, voa,

Deixa estes sítios mortais,

Onde se perdem sem fruto

A minha razão, meus ais.

O presente taciturno

Finge-me alegre o passado,

E nos cofres da memória

Acha o tempo afortunado.

Ditosos dias, que todos

Enchiam nobres ideias

Com que adoçava infortúnios,

Doirava férreas cadeias.

Cercada a frente de loiro,

Na mão a lira empunhando,

Fui a minha dor e a alheia

Muitas vezes adoçando.

Com dóceis Ninfas em coro

Cantei o Céu e as estrelas,

Os bosques, e a Natureza,

Seu Autor, e as Graças belas.

Com elas busquei nas artes

Mil recreios inocentes:

Horas como aquelas fogem,

Só duram muito as presentes.

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