As Luzes de Leonor
Capítulo XVIII
†
XVIII
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†
Voa, pensamento, voa
Voa, pensamento, voa,
Deixa estes sítios mortais,
Onde se perdem sem fruto
A minha razão, meus ais.
O presente taciturno
Finge-me alegre o passado,
E nos cofres da memória
Acha o tempo afortunado.
Ditosos dias, que todos
Enchiam nobres ideias
Com que adoçava infortúnios,
Doirava férreas cadeias.
Cercada a frente de loiro,
Na mão a lira empunhando,
Fui a minha dor e a alheia
Muitas vezes adoçando.
Com dóceis Ninfas em coro
Cantei o Céu e as estrelas,
Os bosques, e a Natureza,
Seu Autor, e as Graças belas.
Com elas busquei nas artes
Mil recreios inocentes:
Horas como aquelas fogem,
Só duram muito as presentes.
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