As Luzes de Leonor

Maria Teresa Horta · Capítulo 4 de 289

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As Luzes de Leonor

Prólogo

†

 

Este é o ritmo de si própria que ela inventa:

um poema.

Depois outro poema.

De novo um poema, iludindo a paixão.

Viagens de poeira e secura à beira das estradas quase sempre desertas, em incontáveis dias e meses de lentidões absurdas. Mas é o trilho do sonho que a impele, a ânsia do conhecimento que a invade, e portanto ela parte, vai e torna sempre; avesso e regresso na urgência do saber. Por isso de novo sai, se distancia, regressa e fica, por vezes sonsa outras vezes áspera, outras ainda esquiva, juntando o temor à coragem, a modernidade ao clássico, a ousadia simulando o antigo. Misturando os papéis: aqueles que recusa e os que, mesmo a contragosto, aceita.

Parto depois de cada parto.

E de poema.

O delírio é uma arte que cultiva à pena, na invenção da alma e da natureza. Mas não será o corpo o melhor de si, o que nela sustenta a tanta luz e avoluma a tanta rebeldia?

Ou o poema?

O excesso como arma ou como pena, na verbena das tardes, quando nela tudo volteia, se incendeia e arde.

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