As Luzes de Leonor
Prólogo
†
Este é o ritmo de si própria que ela inventa:
um poema.
Depois outro poema.
De novo um poema, iludindo a paixão.
Viagens de poeira e secura à beira das estradas quase sempre desertas, em incontáveis dias e meses de lentidões absurdas. Mas é o trilho do sonho que a impele, a ânsia do conhecimento que a invade, e portanto ela parte, vai e torna sempre; avesso e regresso na urgência do saber. Por isso de novo sai, se distancia, regressa e fica, por vezes sonsa outras vezes áspera, outras ainda esquiva, juntando o temor à coragem, a modernidade ao clássico, a ousadia simulando o antigo. Misturando os papéis: aqueles que recusa e os que, mesmo a contragosto, aceita.
Parto depois de cada parto.
E de poema.
O delírio é uma arte que cultiva à pena, na invenção da alma e da natureza. Mas não será o corpo o melhor de si, o que nela sustenta a tanta luz e avoluma a tanta rebeldia?
Ou o poema?
O excesso como arma ou como pena, na verbena das tardes, quando nela tudo volteia, se incendeia e arde.
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