As Luzes de Leonor
Capítulo XI
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Se o ciúme uma vez morde2
Ai de nós! Se o ciúme uma vez morde,
E se no peito infunde o seu veneno!
As delícias então desaparecem:
Angústia pura n’alma atormentada
Corrode irada cada pensamento.
Adeus, leitos de rosas encantados!
Brilhai, últimos raios do sossego!
Despede-te, ó deleite fugitivo!
N’uma noite de lívida tristeza
A macilenta praga a mente envolve;
E d’internas visões mil grupos surgem,
Com mortíferas cores debuxados.
Os olhos lançam fogo melancólico;
E dos lírios e flores mais viçosas
Desconfianças murcham a frescura.
Um nebuloso aspecto Amor assusta,
Mostrando-lhe toda a alma envenenada:
Frenética… sem tino… a cada passo
As hórridas rivais de posse julga.
Basta; que este veneno até pintado
Aflige um coração franco e ditoso.
2 De «A Primavera», imitação livre de Thompson.
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