As Luzes de Leonor

Maria Teresa Horta · Capítulo 119 de 289

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As Luzes de Leonor

Capítulo XI

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Se o ciúme uma vez morde2

Ai de nós! Se o ciúme uma vez morde,

E se no peito infunde o seu veneno!

As delícias então desaparecem:

Angústia pura n’alma atormentada

Corrode irada cada pensamento.

Adeus, leitos de rosas encantados!

Brilhai, últimos raios do sossego!

Despede-te, ó deleite fugitivo!

N’uma noite de lívida tristeza

A macilenta praga a mente envolve;

E d’internas visões mil grupos surgem,

Com mortíferas cores debuxados.

Os olhos lançam fogo melancólico;

E dos lírios e flores mais viçosas

Desconfianças murcham a frescura.

Um nebuloso aspecto Amor assusta,

Mostrando-lhe toda a alma envenenada:

Frenética… sem tino… a cada passo

As hórridas rivais de posse julga.

Basta; que este veneno até pintado

Aflige um coração franco e ditoso.

2 De «A Primavera», imitação livre de Thompson.

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