As Luzes de Leonor

Maria Teresa Horta · Capítulo 245 de 289

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As Luzes de Leonor

Diário

nas suas últimas cartas.

 

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DIÁRIO

 

Casada Leonor Benedita, movo-me com maior leveza longe da acusação muda dos seus olhos pardos, com uma ausência herdada não sei através de que sangues.

Sinto-me finalmente livre da sua melancolia acusatória, como se tivesse dependido de minha vontade tê-la ou não deixado com os avós, a fim de partir com Carlos Augusto a caminho da Áustria.

Não reconheço a minha filha o direito de castigar-me. Modo encontrado por ela de permanecer estrangeira e hostil ao meu afecto, tornando-se ostensivamente silenciosa, apagada e distante. Sonsa na rasteireza dos silêncios fechados, nos quais se afoita e me afronta.

Voluntariamente a afastar-se. Conseguindo desse modo chamar a atenção de todos para a sua pessoa.

Rumorejando apenas.

Lisboa, 30 de Dezembro, 1799

 

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MONÓLOGO DE LEONOR