As Luzes de Leonor
Diário
nas suas últimas cartas.
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DIÁRIO
Casada Leonor Benedita, movo-me com maior leveza longe da acusação muda dos seus olhos pardos, com uma ausência herdada não sei através de que sangues.
Sinto-me finalmente livre da sua melancolia acusatória, como se tivesse dependido de minha vontade tê-la ou não deixado com os avós, a fim de partir com Carlos Augusto a caminho da Áustria.
Não reconheço a minha filha o direito de castigar-me. Modo encontrado por ela de permanecer estrangeira e hostil ao meu afecto, tornando-se ostensivamente silenciosa, apagada e distante. Sonsa na rasteireza dos silêncios fechados, nos quais se afoita e me afronta.
Voluntariamente a afastar-se. Conseguindo desse modo chamar a atenção de todos para a sua pessoa.
Rumorejando apenas.
Lisboa, 30 de Dezembro, 1799
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MONÓLOGO DE LEONOR