As Luzes de Leonor
1778-1779
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Meses depois de Pedro ter ido a Almeirim para dar conta da conclusão do inquérito e do decreto régio que acaba de reconhecer o marquês de Alorna inocente do crime pelo qual tanto tempo estivera preso sem julgamento nem culpa formada, a família regressa a Lisboa para tentar pela primeira vez, depois de tantos anos, levar uma vida normal.
No entanto, qualquer coisa se desmancha na tentativa de ajustamento à realidade, se desarmoniza na harmonia desejada. Contrastando com o alvoroço das filhas, D. João mostra-se desinteressado da vida mundana, fecha-se em casa onde passa os dias trancado na biblioteca. Recusa-se a frequentar a Corte, começa mesmo a falar em irem viver na quinta que têm em Almada, longe de todo o bulício extravagante e insensato que para ele são as idas aos teatros do Salitre ou da Rua dos Condes, os concertos e as serenatas no Palácio de Queluz, as cavalhadas, touradas e bailes para os quais sempre recusa os convites que lhe fazem.
Apenas cede, contrariado, ao pedido de Leonor de Lorena para abrir as portas da sua casa a fim de receber duas vezes por semana os fidalgos e artistas amigos, sem poder prever que, graças ao brilho de Leonor e de Maria, estes rotineiros encontros em breve se iriam tornar nas mais frequentadas e faladas assembleias de Lisboa.
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Embora as incomodem os modos, os hábitos, as maneiras pouco corteses e o linguajar da maioria dos fidalgos portugueses, Leonor e Maria começam por gostar de frequentar a Corte, que as encanta pelo bulício e o fausto quando pensam nos desolados e gélidos espaços nus do convento de Chelas.