As Luzes de Leonor

Maria Teresa Horta · Capítulo 271 de 289

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As Luzes de Leonor

Capítulo XXIV

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SONETO

Feito no Paço esperando muitas horas para pedir a salvação do Reino

Corte! Sítio vedado ao sentimento.

D’ilusões perigosas triste abrigo.

No teu seio, me encontro só comigo

Que em mim tem a verdade cabimento.

Praza aos Céus que não sejas monumento

Do erro vil, das traças do inimigo

Os meus olhos fiéis vêem teu perigo

E não poder salvar-te é o meu tormento.

Contenta-te das lágrimas que choro!

O meu sangue te dera se esse preço

Obtivesse a justiça que hoje imploro.

Mas tudo é vão, não vale, o que mereço

Com o meu próprio zelo me devoro

Sem que doa a ninguém o que padeço.

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