As Luzes de Leonor
Da Parte da Infanta Mariana Vitória
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DA PARTE DA INFANTA MARIANA
VITÓRIA
A infanta Mariana Vitória vai em bicos de pés, calçados de cetim, ouvir atrás das portas. Fatinho de seda com folho na bainha, renda de Bruxelas na sombra do peitilho.
Olhar de perdimento e alabastro.
Procura escutar de si o que lhe calam, a costurarem-lhe o destino à revelia de tudo o que deseja e ela sonha:
Ficar em Portugal,
ao pé do mar.
Recusar homem na cama de menina, que em tudo se perde já e se acanha. Fazendo ninho no susto de partir a caminho de Espanha ou da Áustria.
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As açafatas compõem com delicadeza os cabelos finos da Rainha, alisados de ambos os lados do seu rosto magro de traços muito finos, fisionomia afilada e triste. Mas é D. Mariana de Arriaga, suspiro em surdina mal contido, a colocar-lhe com extremo cuidado a cabeleira alta e empoada, e por fim a gargantilha de esmeraldas e diamantes encastoados numa entrançada cadeia de ouro cinzelado. Atenta ao olhar melancólico com que D. Maria fixa no espelho a própria imagem de aparato, tão contrária ao que de si mesma vê: uma mulher exausta e solitária, mergulhada em preocupações e penas.
– Posso colocar os anéis e as pulseiras a Vossa Majestade? – pergunta com voz contida.