Mulheres
«Eu sei. Mas eu gosto. As pessoas…
«Eu sei. Mas eu gosto. As pessoas vêm ver-te. Se elas não viessem ver-te, talvez gostasses muito mais delas.»
«Não, quanto menos as vejo, mais gosto delas.»
«Tu feriste os sentimentos de Sammy.»
«Oh, merda, ele foi para casa da mãe.»
«És ciumento, és inseguro. Pensas que vou para a cama com todos os homens com quem falo.»
«Não, não penso. Escuta, que tal uma bebida?»
Levantei-me e preparei-lhe uma. Lydia acendeu um longo cigarro e beberricava. «Ficas muito bem com esse chapéu», disse eu. «Essa pluma púrpura é bonita.»
«É o chapéu do meu pai.»
«Ele não dará pela falta dele?»
«Ele morreu.»
Puxei Lydia até ao sofá e dei-lhe um longo beijo. Ela falou-me do pai. Tinha morrido e deixado um pouco de dinheiro às suas quatro irmãs. O que lhes permitira alguma independência e a Lydia divorciar-se do marido. Disse-me também que tinha tido uma depressão e que havia passado um tempo numa casa de loucos.
Beijei-a de novo. «Olha», disse-lhe, «vamo-nos deitar na cama. Estou cansado.»
Para minha surpresa, seguiu-me até ao quarto. Estendi-me na cama e senti-a sentar-se. Fechei os olhos, mas sabia que ela estava a descalçar as botas. Ouvi cair uma bota no chão, depois a outra. Comecei a despir-me na cama. Alcancei a luz do tecto e desliguei-a. Continuei a despir-me. Beijámo-nos.
«Há quanto tempo não tens uma mulher?»
«Há quatro anos.»
«Quatro anos?»
«Sim.»
«Penso que tens direito a um pouco de amor», disse ela. «Sonhei contigo. Eu abri o teu peito como se fosse um armário, com portas, e quando abri as portas vi todo o género de coisas agradáveis dentro de ti - ursos de peluche, pequeninos animais felpudos, todas essas coisas suaves e ternas. Depois sonhei com outro homem. Ele encaminhou-se para mim e estendeu-
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