Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 247 de 247

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Mulheres

A voz dela era jovem e sensual.

«Escrevi algumas coisas boas.»

«Eu sei, eu sei. Você teve mesmo todas aquelas ligações com mulheres?»

«Sim.»

«Eu também escrevo. Vi-o em L. A. e gostava de conhecê-lo. Gostava de mostrar-lhe os meus poemas.»

«Não sou editor.»

«Eu sei. Olhe, tenho dezanove anos. Gostava só de poder visitá-lo.»

«Esta noite estou ocupado.»

«Oh, qualquer noite me convém.»

«Não, não posso estar consigo.»

«Você é mesmo Henry Chinaski, o escritor?»

«Com certeza que sou.»

«Sou uma miúda engraçada.»

«Não duvido.»

«O meu nome é Rochelle.»

«Adeus, Rochelle.»

Desliguei. Desta vez consegui.

Fui à cozinha, abri um frasco de vitamina E, 400 VI., e tomei algumas com metade de um copo de água Perrier. Ia ser uma óptima noite para o Chinaski. Os estores venezianos filtravam o pôr-do-sol que desenhava formas familiares sobre o tapete, e o vinho branco estava a gelar no frigorífico.

Abri a porta e fui para a varanda. Estava um gato estranho cá fora. Era uma criatura enorme, com um pêlo preto luzidio e luminosos olhos amarelos. Não teve medo de mim. Aproximou-se a ronronar e esfregou-se contra uma das minhas pernas. Eu era um tipo porreiro e ele sabia-o. Os animais pressentiam coisas destas. Eles têm um instinto. Voltei para dentro de casa e ele seguiu-me.

Abri uma lata de atum branco Star-Kist. Conservado em água de nascente. Peso líquido, 250 gramas.

(fim do livro)

 

Título original: Women

Tradução: Fernando Luís

© 1978, Charles Bukowski © Tradução 1986 Fernando Luís / Publicações Dom Quixote

Tradução cedida por Publicações Dom Quixote Lda.

© 2003 MEDIASAT / Promoway Portugal Comércio de Produtos Multimedia, Ltda. para esta edição.

Impressão

Printer, Industria Gráfica, S.A. Barcelona

Data de impressão

Fevereiro de 2003

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