Mulheres
«Tu vens à festa, não vens, Vincent?»
«Claro, desde há alguns dias que tenho estado a preparar-me.»
«Já decoraste a tua parte da peça?»
«Sim, mas desta vez acho que devemos primeiro apresentar a peça, e só então passarmos aos jogos. Da última vez estávamos tão cansados antes da peça, que não a apreciámos devidamente.»
«Está bem, Vincent, faremos como dizes.»
Com isto, Vincent e a sua língua deram meia volta e saíram.
Larry levantou-se.
«Bem, tenho de ir andando também. Prazer em conhecer-te», disse ele.
«Igualmente, Larry.»
Apertámos as mãos e Larry atravessou a cozinha para sair pela porta de trás.
«O Larry tem sido uma grande ajuda para mim, é um bom vizinho. Estou contente por teres sido simpático com ele.»
«Ele era simpático e já cá estava quando cheguei.»
«Nós não vamos para a cama.»
«Nem nós.»
«Percebes o que quero dizer.»
«Vou buscar qualquer coisa para beber.»
«Henry, tenho imensa coisa. Sabia que tu vinhas.»
Debra encheu os nossos copos. Olhei para ela. Era jovem, mas parecia ter saído dos anos trinta. Trazia uma saia preta que lhe cobria os joelhos, sapatos pretos de salto alto, uma blusa branca de gola alta, um colar, brincos, braceletes, os lábios pintados, muito rouge e perfume. Era bem feita, belos seios e nádegas que abanavam ao caminhar. Acendia cigarros uns atrás de outros, havia beatas com bâton por todo o lado. Senti-me como se tivesse regressado à adolescência. Ela não trazia meias e de quando em quando mostrava um pouco da perna e do joelho.
Ela era o género de rapariga de que os nossos pais gostavam. Falou-me do seu trabalho. Era algo que tinha a ver com transcrições de processos e advogados. Aquilo deixava-a louca, mas permitia-lhe viver bastante bem.
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