Mulheres
«O que é que andas a tramar?…
«O que é que andas a tramar? O que é que isso quer dizer?» «Talvez eu não seja um bom homem. Há de tudo, tu sabes.» «Isso não é resposta. E tu, e eu? E nós? Detesto melodramas,
mas deixei-me envolver...»
«Ela vem aí. Então está tudo acabado entre nós?» «Não sei, Hank. Acho que sim. Não suporto mais.» «Foste muito amável para mim. Eu nem sempre sei o que
faço.»
«Quanto tempo vai ela cá ficar?»
«Dois ou três dias, acho eu.»
«Não sabes como é que me vou sentir?»
«Acho que sei...»
«OK, telefona-me depois de ela partir, depois veremos.»
«Está bem.»
Fui à casa-de-banho para ver a minha cara. Estava horrível. Arranquei alguns pêlos brancos da barba e alguns cabelos à volta das orelhas. Olá, Morte. Pelo menos havia de ter quase seis décadas. Dei-te tantas oportunidades que eu já devia ser teu há bastante tempo. Quero ser enterrado ao pé do hipódromo... onde posso ouvir os galopes.
Na noite seguinte, estava no aeroporto e esperava. Como era cedo, fui ao bar. Pedi uma bebida e ouvi alguém soluçar. Voltei-me. Sentada a uma mesa do fundo, uma mulher soluçava. Era uma jovem negra - com a pele muito clara - num apertado vestido azul e estava embriagada. Tinha os pés em cima de uma cadeira e o vestido puxado para trás que deixava ver as compridas pernas sexy. Quase todos os gajos do bar deviam estar tesos. Eu não conseguia parar de olhar. Era uma brasa. Já a imaginava no meu sofá, a mostrar as pernas todas. Pedi outra bebida e fui até lá. Fiquei de pé, ao lado dela, e tentava disfarçar o meu tesão.
«Estás bem?», perguntei. «Posso fazer alguma coisa?»
«Sim, paga-me um Stinger.»
Regressei com o seu Stinger e sentei-me. Ela tirou os pés da ca- 302