Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 36 de 247

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Mulheres

«Há anos. Sabes, quando eu ia a…

«Há anos. Sabes, quando eu ia a tua casa, primeiro com o Bernie e depois com o Jack, já te desejava. Mas nunca reparaste em mim. Estavas sempre a beber cerveja ou obcecado com qualquer coisa.»

«Doido, penso, quase doido. E a loucura dos serviços postais. Desculpa-me por nunca ter reparado em ti.»

«Agora podes fazê-lo.»

Dee Dee encheu outro copo de vinho. Era um vinho óptimo. Eu gostava dela. Era bom ter um lugar para onde ir quando as coisas estavam mal. Lembrei-me das primeiras vezes em que as coisas iam mal e não tinha sítio para onde ir. Talvez isso me tenha feito bem. Dantes era assim. Mas agora não estava interessado no que era bom para mim. Estava sobretudo interessado em como me sentia e em como evitar sofrer quando as coisas corriam mal. Sobretudo como sentir-me bem de novo.

«Não quero foder-te, Dee Dee. Nem sempre fui bom para as mulheres.»

«Já te disse que te amo.»

«Não faças isso. Não me ames.»

«Está bem», disse ela, «não te amarei. Amar-te-ei quase. Está bem assim?»

«Melhor assim.»

Acabámos de beber o vinho e fomos para a cama...

18

De manhã, Dee Dee levou-me a tomar o pequeno-almoço a Sunset Strip. O Mercedes era negro e brilhava ao sol. Passámos os cartazes publicitários, os clubes nocturnos e os restaurantes de luxo. Estendido no meu lugar, tossia por causa do cigarro. Pensei, bem, as coisas já estiveram pior. Uma ou duas cenas passaram-me pela cabeça. Num Inverno, em Atlanta, eu estava enregelado, era meia-noite, não tinha dinheiro, lugar para dormir, e subi as escadas duma igreja na esperança de entrar e de me aquecer. Doutra vez, em El Paso, estava a dormir num banco de jardim e fui acordado por um polícia que batia com o cacete nas