Mulheres
Tammie tinha a dureza da maior parte…
Tammie tinha a dureza da maior parte das mulheres com menos de vinte e cinco anos. Tinha um rosto de tubarão.
Antipatizei logo com ela.
Foram-se embora cerca das três e meia e fui sozinho para a cama.
42
Dois dias mais tarde, cerca das quatro horas da manhã, bateram à porta.
«Quem é?»
«É uma ruiva perdida.»
Deixei entrar Tammie. Sentou-se e abri duas garrafas de cerveja.
«Tenho mau hálito por causa destes dois dentes podres. Não me podes beijar.»
«Está bem.»
Conversámos. Ou melhor, escutei. Tammie estava sob speed. Eu escutava e olhava para os seus compridos cabelos ruivos, e quando ela estava absorvida com o que dizia, eu olhava e remirava o seu corpo. Quase fazia rebentar as costuras, tal era o desejo de sair. Ela falava ininterruptamente. Não a toquei.
Às seis horas da manhã, Tammie deu-me a sua direcção e o número do telefone.
«Tenho de ir.»
«Acompanho-te até ao carro.»
Era um Camaro vermelho vivo, completamente destruído. A parte da frente estava amachucada, um dos lados esventrado e sem vidros. Lá dentro havia farrapos, camisas e caixas de Kleenex, jornais, embalagens de leite, garrafas de Coca-Cola, fio de ferro, uma corda, guardanapos de papel, revistas, copos de papel, sapatos e palhinhas coloridas partidas ao meio. Só havia um pequeno espaço para o condutor.
Tammie pôs a cabeça fora da janela e beijámo-nos.
Depois arrancou da beira do passeio e quando chegou ao 118