Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 83 de 247

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Mulheres

Tammie tinha a dureza da maior parte…

Tammie tinha a dureza da maior parte das mulheres com menos de vinte e cinco anos. Tinha um rosto de tubarão.

Antipatizei logo com ela.

Foram-se embora cerca das três e meia e fui sozinho para a cama.

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Dois dias mais tarde, cerca das quatro horas da manhã, bateram à porta.

«Quem é?»

«É uma ruiva perdida.»

Deixei entrar Tammie. Sentou-se e abri duas garrafas de cerveja.

«Tenho mau hálito por causa destes dois dentes podres. Não me podes beijar.»

«Está bem.»

Conversámos. Ou melhor, escutei. Tammie estava sob speed. Eu escutava e olhava para os seus compridos cabelos ruivos, e quando ela estava absorvida com o que dizia, eu olhava e remirava o seu corpo. Quase fazia rebentar as costuras, tal era o desejo de sair. Ela falava ininterruptamente. Não a toquei.

Às seis horas da manhã, Tammie deu-me a sua direcção e o número do telefone.

«Tenho de ir.»

«Acompanho-te até ao carro.»

Era um Camaro vermelho vivo, completamente destruído. A parte da frente estava amachucada, um dos lados esventrado e sem vidros. Lá dentro havia farrapos, camisas e caixas de Kleenex, jornais, embalagens de leite, garrafas de Coca-Cola, fio de ferro, uma corda, guardanapos de papel, revistas, copos de papel, sapatos e palhinhas coloridas partidas ao meio. Só havia um pequeno espaço para o condutor.

Tammie pôs a cabeça fora da janela e beijámo-nos.

Depois arrancou da beira do passeio e quando chegou ao 118